"- EU QUIS, verdadeiramente.Agora chegou a hora de eu dizer, de um jeito ou de outro, o que eu sinto.Ou pelo menos o que estou sentindo agora.Você não vai ouvir isso de mim nunca, sou muito orgulhosa pra admitir.E sei que você também não vai ler.Por isso me sinto à vontade, vou ser o mais sincera possível.Conhecer você foi como conhecer qualquer um daqueles meninos que te chamam a atenção. A gente se conheceu, fez uma gracinha um com o outro, riu, se olhou e pronto. Eu já tinha alguém pra tentar conquistar.Conforme fomos convivendo, a vontade aumentava."Eu preciso conquistar aquele garoto."Aí dormimos juntos, na mesma cama, abraçados. Aí no dia seguinte também dormimos juntos, e dessa vez nos beijamos. Aí continuamos dormindo juntos e nos beijando por uns dias. E eu acordava todo dia com um humor inigualável, e ninguém, nem o idiota do Juba, conseguia estragar isso. E foram 4 dias assim. E foram 4 dias pra minha perdição.Naquele domingo vi minha cama vazia, tão grande e fria e chata, que eu demorei milênios pra dormir, pensando que aqueles 4 dias podiam não ter acabado.Eu já sabia, tinha certeza que isso ia acontecer. Nem sei porque tentei evitar, nem sei o que me passou pela cabeça quando eu disse pra mim mesma que não ia deixar aquilo crescer, que não ia ser nada e ponto final.Resoluções infundadas.E aquilo foi crescendo, fui tendo saudades, querendo te ver, querendo ficar com você, querendo passar mais uma única noite que fosse deitada do seu lado, com a cabeça no seu peito, fazendo carinho nos seus cabelos até você dormir.Mas era irreal, era sonho, era mentira. Todas as vezes que a gente se via, eu sentia o tão temido frio na barriga, e insistia comigo que não era nada, que você era apenas mais um garoto bonitinho que me atraía.Aos poucos toda a fortaleza que eu criei pra tentar não me envolver foi caindo, desabando. Eu me vi querendo te encontrar cada vez mais, fazendo coisas absurdas pra estar no mesmo lugar que você, passando noites sem dormir direito, passando a semana toda cansada, só pra ter você mais perto por algumas horas.Aí vi que SIM, FOI TUDO EM VÃO. Tudo que eu disse pra mim mesma que não podia acontecer de jeito nenhum, aconteceu, é uma coisa invariável. Tentei fazer com que você visse que não era só aquilo, não eram só os beijos, nem os abraços, nem os olhares, nem as conversar, nem as brincadeiras. Era TUDO isso junto.Era cada um desses detalhes que me fazia querer mais, me fazia esquecer de todas as coisas que tinha prometido pra mim mesma.Não, isso não é amor. E não acredito que possa dizer que estive apaixonada, nem mesmo por um minuto. Mas é uma vontade tão grande, tão forte, tão estranha de fazer com que você goste de mim, que eu nem sei explicar.Essa vontade tem me sufocado, tem me deixado confusa, aflita, ansiosa, angustiada, tudo isso ao mesmo tempo, e fazia tempo que eu já não convivia com essa confusão, essa explosão de sentimentos, essa coisa toda. Não soube como lidar com isso.Toda aquela coisa de ser forte, de ser cuzona, de ser "a menina mais velha", a devoradora de garotinhos, a manipuladora de destino, não funcionaram dessa vez.E, poutz, como eu queria que tivesse funcionado.Como eu queria que fosse o contrário, que você é que não me tirasse da cabeça.Mas devo admitir que falhei na conquista.Agora eu, que tanto falava de jogo, de sedução, de divertimento, cansei de tudo isso. Chega de brincar, chega de jogar. CHEGA.Tem horas que você tem que tomar uma atitude, e que ela seja definitiva.E dessa vez prometo que não vou me derreter com o seu sorriso e desistir de falar.E se tudo o que eu disser não fizer diferença pra você, por mim tudo bem.O que eu quero é colocar as cartas na mesa, explicar o que anda acontecendo comigo, mesmo que isso não te interesse nem um pouco.Tenho que parar de pensar em você.Pra poder voltar a pensar em mim um pouquinho.
- A importância exagerada. Agora um pouco mais, e um pouco menos também. Estabilidade, instabilidade. Primeiro as conversas, que não contaram com a sua presença, pra variar. Esclarecedoras, amigas, sinceras, me ajudaram a ver que o buraco é mais fundo do que eu imaginei. Que, por enquanto as coisas ainda estão "fáceis" de se resolver. Mas que, se eu deixar o tempo passar, vai virar uma bola de neve insolúvel. Ou eu falo tudo, ou não falo nada. E se eu não disser, convivo com a incerteza do "se" o resto da vida. Depois, os fatos. As brincadeiras, a cerveja, as risadas, as perguntas, as indiretas, o calor, a atração, o tesão propriamente dito. E umas horas depois a gente já estava no chão de algum lugar do alojamento. E, que surpresa, me senti extremamente a vontade. Depois, o cansaço, a meia conversa e a frase da noite: "Foi minha primeira vez." De fato eu já imaginava, mas foi estranho ouvir isso. E aí mais uma surpresa, mas essa decepcionadora. "Se for isso que você vai dizer, eu vou dormir pra lá." --' Por isso o mais, por isso o menos. Por isso toda essa maldita confusão, ao mesmo tempo tão clara, na minha cabeça. Cara, eu me odeio cada vez que penso que um dia pude me deixar envolver tanto, me odeio por não conseguir resisitir, me odeio por saber que não vou conseguir lutar contra isso se continuar jogando como estou. Preciso mudar de tática, preciso rever os conceitos, preciso ter um tempo pra pensar. Quero me afastar, quero esquecer que você andou bagunçando minha vida. Quero esclarecer isso, não pra você, mas pra mim. Quero saber a verdade, quero sinceridade, mas o gosto da ilusão ainda me agrada. Estive e ainda estou embreagada de ilusão, torpe, desconcertada, desequilibrada. Eu tenho um orgulho do tamanho do mundo, nunca conseguiria dizer tudo que escrevo. Não pra você. Tão novo, tão moleque, tão ... incompreensível, oculto, vago. Como vou me abrir pra alguém assim? Como vou ter o que falar depois da frase de ontem? Como vou resguardar meu orgulho, que eu prezo muito? Não me arrependo não, mas sei que me coloquei numa enrascada ainda maior e mais difícil de sair. Sei que agora minhas dúvidas sobre ser habitual e me afastar, ou encarar isso logo sabendo da probabilidade de me magoar, aumentaram e muito. Sei que ainda tenho que usar a bondade que algumas pessoas tiveram comigo ontem pra ver se eu consigo tomar uma decisão sensata. E hoje vou tentar agir como se nada tivesse acontecido. Simples assim. Bom, boa sorte pra mim de novo. Numa batalha quase perdida que vou tentar ganhar.
- e a conversa finalmente aconteceu. Não foi nada ruim, não foi nada incômoda, não foi nada assustadora. Foi boa. Pude ME entender bastante.A atitude que tive me mostrou que pude me deixar mudar, me deixei crescer, isso me fez bem. Meu orgulho continua imenso, como sempre, e agora ferido. Mas eu não me importo. Prefiro o depois assim, do que o depois de dúvida.Prefiro saber que hoje vejo a situação com outros olhos, que nada é tão sério que não possa ser simplificado. Simplifiquei, diminuí as proporções e deu certo.Prefiro esse clima estranho que ficou, prefiro mesmo. Assim fica mais fácil eu cumprir meu afastamento.Não quero nem saber se pra você isso vai ser bom ou ruim, se você vai sentir esse afastamento, quero pensar em mim, voltar a ser a "pessoa egoísta" que eu sempre fui, e me sentir bem melhor por ser assim.Nem sempre a gente consegue o efeito esperado em tudo. Mas eu acho que dessa vez eu acabei conseguindo. Consegui me deixar tão confusa quanto ao que você pensou de tudo isso, que acabei desistindo de entender. Quando eu desisto de entender uma situação, fica muito mais fácil fugir dela. Não vou mais mexer nisso, não vou mais tentar interpretar suas atitudes e suas palavras, porque isso simplesmente não me interessa mais.Não vou mais ficar decepcionada com a sua mentira (sim, porque, de um jeito ou de outro, você mentiu), porque eu já não tenho nada a ver com isso. Consegui pela primeira vez dar um BASTA bem grande numa situação que me incomodava, e acho que a sua mentira até me ajudou. Me fez ver que você nem era aquele cara diferente que eu ahei que era, e que eu exagerei o que sentia, e que subestimei meu orgulho.Poderia dizer que vou me afastar pra tentar digerir tudo isso, mas vou mesmo é me afastar pra ter certeza de que eu voltei ao meu estado de sossego, sem confusões, sem dúvidas, sem ter com que me preocupar. Vou manter distância só pra poder sentir que isso me fez crescer, me fez ver que pela primeira vez na minha vida, meu "CHEGA" funcionou pra mim.Hoje acordei me sentindo um pouco triste, um pouco estranha.Acordei sentindo que de agora em diante, tudo vai voltar a ser como era antes.Que por algum tempo meus conceitos sobre liberdade, egoísmo, maturidade e sinceridade mudaram um pouco. Mas agora todos eles estão de volta, com mais força do que nunca.Voltei a sentir que posso abrir os braços para a vida, curtir cada pedacinho, cada momento de liberdade que a vida me proporciona. Vi que meu coração andou bagunçado, mas que agora está tudo muito claro novamente.Sei que acabar com essa história foi a decisão mais sensata que tomei, e que cumpri essa minha decisão da forma mais honesta possível. Comigo.Aprendi que nem sempre correr ou fugir de um "sentimento" precisa ser feito sendo uma pessoa chata e "cuzona" como fui muitas vezes. E que, feito assim, com a maior honestidade possível da minha parte, sem deixar de lado meu orgulho, a decisão REALMENTE funciona.Quero sentir de novo o sopro da vida.Quero sentir pra sempre que gosto de voar sozinha."
Tava lendo meu blog antigo, o caracolha. Engraçado ler sobre os acontecimentos passados, né. Eu ri. :D
sábado, 31 de outubro de 2009
sexta-feira, 9 de outubro de 2009
Um conto quase-erótico;

Uma noite de reencontros, matar as saudades, falar sobre nada e rir de tudo. Mas quanto mais se aproximava a hora de dizer boa noite, mais o clima da noite mudava, o os olhares corriam mais rápido de um canto ao outro da casa, de uma pessoa à outra, se demorando um pouco mais nos olhos dele.
Mais algumas horas e o dia ia começar a dar o ar de sua graça e quando chegou o momento cada um foi se despedindo devagar.
"Vamos tomar a saideira".
"Vai, sò mais uma".
"A gente se vê".
"Falou, hein. Tchau!".
Alguns ainda perdidos na sala, outros cantando músicas de bêbado na calçada, os demais que restaram já roncavam no sofá. E, como sempre, sobraram eles dois. Ele foi liberar a cama da bagunça, cama que seria dela essa noite. Ela foi ao banheiro. Desavisados se trombaram no corredor, e se viram lado a lado através do espelho.
"Desculpa, não te vi".
"Nada. A cama tà pronta. Então boa noite".
Os olhos se cruzaram de relance. Eles nunca sabiam o que fazer nesses momentos.
Um beijo no rosto, uma mão nas costas que acabou num abraço. Um abraço desajeitado.
Quando eles se viram dentro daquele abraço, congelaram. E là estava ele, o familiar frio no estômago que era tão comum alguns anos atrás.
A mão dele foi descendo suave pelas costas dela, enquanto as mãos delas encontraram a nuca dele. A quanto tempo os seus corpos não se encontravam!
Na tentativa de se afastar, se olharam. E o olhar esquentou os dois. O abraço não sabia se desfazer, e as mãos continuavam acostumadamente sua rota. Não existia mais controle, vergonha, distância, passado. Existia sò aquele momento.
Ela reviu os olhos dele de perto. Quanto havia sentido falta daqueles olhos. Quanto aqueles olhos tinham significado pra ela. Quanta coisa ainda existia là dentro pra se ver. Ela quis mergulhar de novo naquele olhar, mas foram os lábios que se aproximaram. Se tocaram com delicadeza, e o calor virou fogo. Sò então, naquele momento, eles prestaram atenção. As mãos dele que abraçavam a cintura dela. As mãos dela que acariciavam a nuca dele. Todo o corpo de cada que um tocava o corpo do outro, e cada pedacinho desse contato queimava, acendia dentro deles a chama que tinha sido apagada muito tempo antes, fazia perder de novo o controle conquistado com tanto esforço.
E junto com aquele fogo veio também a raiva, e o beijo, que tinha começado suave, se tornou agressivo. Ela sentia raiva por tudo que tinha acontecido, ele por não ter re-beijado aquela boca antes. As mágoas, as decisões erradas, a distância, tudo isso se misturava com aquela vontade que eles escondiam deles mesmos.
As mãos tomaram vontade própria, e exploravam cada pedaço daquele corpo que ela conhecia à memória como se fosse a primeira vez. Enquanto ele, naquele momento, sò queria uma coisa: ama-la de novo, mesmo se aquela fosse a última vez.
Foram se tocando e se beijando em direção à cama. Cada toque aumentava o fogo, cada segundo daquele beijo fazia querer mais. Eles se desejavam como se nunca tivessem se desejado antes, e como se desejar-se era a unica coisa que eles tivessem feito na vida. Enquanto se beijavam, ela descontava todo a raiva e os "por ques" que ela ainda tinha, levantava a camiseta dele e desabotoava a calça. Ele puxava o corpo dela pra perto dele, pra sentir mais forte aquele fogo. Ela se sentou e, enquanto desabotoava botão por botão da sua camisa, olhava pra ele. E ele a tocava. Mas eles não pensavam, fazia muito calor pra se pensar. Ela tirou a camisa, deixando visível o corpo que ele adorava, os traços particulares que ele não esquecia. Ela tirou a camiseta dele e foi jogando cada pedaço de roupa no chão. Os corpos se tocavam, agora nus, e as mãos se encontraram. Tinha fogo e magia em todos os lugares, os olhos espelhavam isso.
Os lábios dele passearam pelo corpo dela, desfrutando cada ângulo, o pescoço, os ombros, os seios, a barriga. Ela acompanhava esses passos, enquanto passava suavemente as unhas pelas costas dele e o fazia arrepiar. Ele foi pra cima dela e parou por um segundo. Ele queria admira-la, queria ter certeza de que aquilo estava acontecendo, e queria ver nos olhos dela que ela também queria ir até o fim. Ela passou a mão pelos cabelos dele e sorriu, passou as pernas ao redor do corpo dele e o puxou pra perto.
Aì então, de novo eles se tornaram um sò. Sentiam a unidade dos corpos em cada movimento, e a unidade de almas em cada olhar, cada suspiro, cada gemido de prazer. Naqueles longos minutos reviram toda a história deles, todas as vezes que fizeram amor, todo aquele passado que tinha sido fechado dentro da memória. Sentiam prazer não sò por estarem transando, mas porque aquela noite valia por todas as outras passadas juntos.
Se amaram mil vezes, de novo e de novo, até chegarem juntos ao orgasmo. Se olharam e riram. Um riso descontrolado e satisfeito. Se abraçaram, naquela posição que sempre se abraçavam quando dormiam juntos, e adormeceram com aquela pontinha de sorriso no rosto, com a expressão tranqüila e a alma lavada.
Não tinha sido difícil dormir, depois de tudo.
Mas com certeza seria difícil acordar.
"Quero lhe beijar a boca
morder seus lábios
e brincar sua língua na minha.
Quero lhe beijar a nuca
lhe arrepiar inteiro
encostar meu peito no seu
até os corações se compassarem
as mãos entrelaçadas suarem.
Quero um abraço eterno
de guardar seu cheiro na minha pele.
Quero me queimar no seu fogo
e guardar pra sempre a cicatriz escarlate
desse nosso reencontro."
[Léa Waider]
segunda-feira, 5 de outubro de 2009
Eu vou me adaptar?
Quando a gente não é acostumada a se sentir amada, acaba correndo o risco de fazer alguma besteira e estragar tudo.
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