domingo, 28 de novembro de 2010

Eu não acho que minha mãe não gosta de mim;


Eu não acho que ela nunca me amou, que nunca esteve do meu lado. Eu acho que ela nào pôde demonstrar tanto quanto ela gostaria (e vice-versa).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nairobi;

Uma incompreensão amorosa, um pouco pra pensar, um computador e muito tempo.
Encontrar uma conexão Wi-Fi aberta não é um problema por aqui, qualquer Mc Donald's tem. E em alguns deles é possível inclusive ligar a fonte na tomada. (Y)
Enquanto procurava alguma coisa pra me distrair na internet, uma garota se aproxima da minha mesa com uma bandeja na mão. Meio tímida, me cutuca e faz sinal de "oi". Tiro o fone de ouvido pensando: "Sera que eu a conheço?", e ela prontamente me tira a curiosidade: "Queria saber se te incomodo se me sentar pra comer aqui. Não tem mais nenhuma mesa livre". "Magina, fica à vontade".
Não sabia se colocar os fones de novo ou puxar conversa e de novo foi ela que me tirou a dúvida: " Você é italiana?". Aqui essa é uma pergunta extremamente comum, vista a grande quantidade de estrangeiros que encontramos em todos os lugares. "Não, sou brasileira". "JURA? Não parece!". Normal, quantas vezes ouvi isso! "E você, de onde é?". Nunca tinha visto uma garota tão negra e tão linda em toda a minha vida. "Nairobi, Quênia".
E assim começamos a entrevista.

- A quanto tempo você mora em Roma?
- Cheguei faz mais ou menos 6 anos. Saí de Nairobi e fui pra Londres, mas não era muito a minha cara. Muita chuva, muito cinza. Pensei que Roma pudesse ser mais alegre, mais parecido comigo.

- E pensou certo?
- Olha, sinceramente ainda não sei responder. Gosto de Roma, da história, das ruínas, de muitas coisas, Mas também tem muitas outras que não gosto, como em qualquer outro lugar do mundo que eu morasse.

- Por exemplo?
- O racismo em primeiro lugar, com certeza. A mentalidade fechada e antiga, o machismo. Mas não posso generalizar, existe muita gente boa também.

- E por que resolveu ir embora do Quênia?
- Fácil, nasci e vivi até os 16 anos na maior favela da África, Kibera. Não sou uma garota feia e não era fácil suportar as tentativas de agressão. Comecei a trabalhar numa fábrica de cigarros e, mesmo ganhando uma mixaria, consegui sair dali e levar minha mãe comigo, deixando meu pai bêbado pra trás. Dois meses depois, minha mãe morreu de câncer no pulmão. Eu estudava e não queria largar a escola, mas era difícil tocar a vida sozinha. Fui morar numa casa de idosos, onde era voluntária. Fiz muitos amigos ali e me envolvi com causas políticas, manifestar, lutar pra melhorar meu país. Mas precisava ser alguém na vida. Conheci um cara num bar que me ofereceu um trabalho como modelo. E assim cheguei a Londres.

- Num bar? Você não teve medo que fosse uma proposta falsa?
- Claro, mas no meio de toda a bagunça que estava a minha vida, era impossível não ver aquela proposta como uma grande oportunidade pra sair dali. Quando cheguei em Londres descobri que o cara era realmente um agente, fiz alguns trabalhos muito bem remunerados e fui tratada muito bem. Tive muita sorte, na verdade. Ele podia ser um psicopata e eu tive que confiar na palavra dele, era tudo o que eu tinha. No fim das contas eu fui percebendo que aquele não era o tipo de coisa que me faria feliz. Ser modelo significa ter uma vida fútil, sem possibilidade de vínculos afetivos por estarmos sempre viajando. Não era meu tipo de trabalho ideal. Mas, como eu disse antes, era tudo o que eu tinha. Esse meu agente me ajudou muito, perguntou o que eu queria fazer da minha vida e eu disse que queria estudar. Assim, ele me inscreveu num cursinho aqui em Roma. Já se passaram 6 anos...

- E agora o que você faz em Roma?
- Fiz 2 anos de cursinho pra poder aprender bem o italiano (ela falava italiano perfeitamente) e agora faço faculdade de artes plásticas. E você, o que veio fazer em Roma?
- Mais ou menos a mesma coisa, vim pra estudar. Mas por enquanto estão dificultando muito pro meu lado. Você também pensa às vezes o que você estaria fazendo agora se tivesse ficado no seu país?
- Penso, mas tenho certeza que não teria chegado nem na metade do caminho que eu trilhei até agora. A vida no terceiro mundo não é fácil, queria que mais pessoas de Kibera tivessem a mesma oportunidade de crescer como eu tive. Infelizmente o que eu posso fazer é acreditar que um dia as coisas serão diferentes, e quem sabe serão mesmo...

Se foram 4 horas de conversa. Aquela menina-mulher dos olhos mais negros que eu já vi me mostrou que somos muitos que enfrentam problemas, que passam por dificuldades, que às vezes tem vontade de desistir. Mas em 4 horas de conversa me mostrou também que os sonhos são a coisa mais importante que temos, a que exige mais esforço, mas a que dà a maior satisfação. E que, com um pouco de força de vontade, muita luta e um pouco de sorte, podemos fazer dos nossos sonhos a força e a estrada pra chegar onde queremos...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Anybody else;

Não sei dizer se fui eu que mudei ou foi o mundo que me mudou. O mundo e o tempo..
Aqui até o meu nome é diferente. Não sou a Carol, e sim a Càrol com o "L" no céu da boca. No começo eu gostava disso, de me sentir outra pessoa. Mas de repente a minha ficha caiu. Se eu mudo de pessoa, perco minha identidade. E me perco...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Mom;


"Every step I take
Every move I make
Every single day
Everytime I pray
I'll be missing you"



Sinto falta do que nunca tivemos, e do que nunca vamos ter...

sábado, 26 de junho de 2010

Childless;

Quando ouvi falar do movimento denominado "Childless", pude compreender perfeitamente do que se tratava: Pessoas que, por motivos vários, não podem ter filhos. Sempre quis ser mãe, e a idéia de que um dia minha ginecologista me diga que eu sou estéril me aterroriza.
Mas quando eu li sobre o "Childfree", demorei um pouco mais pra assimilar a idéia. Se trata de um movimento criado por pessoas que, pelos mais variados motivos, não querem ter filhos. Mas o que "me irritou" foi a expressão "free". Por que criar um movimento "Livres de filhos"? A primeira palavra que me passou pela cabeça foi: Egoísmo. Cheguei a fazer uma comparação não muito eficaz: é como se, em contrapartida ao movimento dos "Sem-Terra" surgisse o movimento dos "Tenho grana pra comprar casa, mas não quero. E SOU ORGULHOSO DISSO AO PONTO DE CRIAR UM MOVIMENTO PRA TIRAR SARRO DE QUEM Não PODE COMPRAR A PRÓPRIA CASA". Ok, exagerei.
Ter filhos ou não é uma escolha, como tantas outras que somos livres de fazer na nossa vida. Cada um faz da própria vida o que bem quiser. Meu problema é que eu sou perfeitamente capaz de entender o fato de alguém criar um movimento contra o fato de querer alguma coisa e não poder ter, mas não entendo muito bem um movimento que diz "Posso ter, mas não quero". Ainda mais quando o movimento toma proporções absurdas.Em algumas cidades inglesas muitos restaurantes, lojas ou outros tipos de atividades comerciais começaram a colocar na porta o cartaz: "Proibida a entrada de animais E DE crianças".
Voltando ao fato de eu sempre ter tido vontade de ser mãe, até entendo as pessoas que optam pelo contrário. Algumas pessoas não querem "atrapalhar" o relacionamento, outras querem se dedicar à realização profissional, outras simplesmente querem dedicar toda a sua vida à si mesmas, e outras ainda nunca gostaram de crianças. Uma amiga minha me disse uma vez: "A vida é muito curta. Se eu tiver um filho, minha vida vai ser dedicada a ele, e eu quero dedicar minha vida à mim mesma". Ok, entendo perfeitamente. Muitas vezes eu mesmo me pego pensando se um dia eu não vou me arrepender, se vou continuar tendo tempo pra mim mesma e pro meu companheiro, se a ingratidão típica do filhos não vai me fazer odiar o fato de ter escolhido ser mãe, ou se o fato de eu ter uma familia (dito pais-filhos-irmãos) muito turbada não vai me condicionar a ser uma péssima mãe. Mas a minha vontade de ser mãe, que eu chamo erroneamente de instinto materno, é mais forte e pode sobreviver a todas essas dúvidas com o simples sorriso do meu futuro filho ou filha.
"Childfree" é um tapa na cara dos casais que por muitos anos tentaram ter filhos e nunca conseguiram, das mulheres que entram em depressão quando descobrem que são estéreis, é um tapa na minha cara. Porque eu, que quero tanto ter um filho um dia, não tenho certeza de PODER te-lo. Na prática, estou disposta a considera-lo um DESRESPEITO com as pessoas que nunca poderão ter filhos.
Que cada um tenha o direito de fazer da sua vida o que quiser, mas não o direito de se gabar por desprezar o maior dom da vida que muitas pessoas não podem ter.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Offliner;

Em um dos meus ultimos posts, a Dri me disse que eu tenho uma grande facilidade de me desconectar do mundo. Como é verdade!

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Casting;

"Santo do tempo perdido, me de um filme diferente
com um personagem melhor que esse meu.
Me sinto a vitima de um filme ruim,
os detalhes do roteiro governam no meu lugar.
Me arrependo de ter começado cedo,
de ter entrado no filme,
ao invés de fazer o que era justo pra mim.
Me ouço jurar que tà tudo certo,
que é isso que eu sempre desejei pra minha vida.
Mas não estou preparado,
me sinto como se me faltasse o ar.
Eu não acredito mais, no fim das contas.
Não sou eu que decido como vivo,
não sou eu que escrevo o que será de mim, de nós.
Não me encaixo no tipo daqueles papéis
que chamam de "principais".
Eu sou um coadjuvante, na verdade.
Mas eu escolhi, e não posso voltar atrás.
Um peixe dourado em um aquário de vidro
é mais livre que eu..."

sábado, 17 de abril de 2010

Não posto quando estou de TPM. (Y)

quinta-feira, 15 de abril de 2010

You know you love me;

Chantagem, jogos, intrigas, ciúmes, mentiras e problemas de familia.
E não estou falando de mim, mas de GOSSIP GIRL.

O fato de eu ter viciado nesse seriado é completamente culpa da Carla, mas ela fez bem. Hoje não consigo mais imaginar a minha vida sem as horas de maldade que o seriado me proporciona. Desde de o primeiro episódio comecei a pensar que, se eu tivesse feito e dito tudo o que queria sempre, minha vida seria mais ou menos como a da Serena. E se eu soubesse como aplicar minha maldade e vontade de vingança, seria como a de Blair. Se eu tivesse deixado a idéia de popularidade da minha velha escola subir à cabeça, seria Jane. E se resolvesse dedicar minha vida à cultura da futilidade, seria Vanessa.
Me identifico com cada uma das personagens, e na verdade não chego aos pés de nenhuma delas. Se eu sempre achei que vivi minha vida intensamente, depois de GG eu nem sei mais o que isso significa.
Nosso grupo de amigos sempre foi mais ou menos o mesmo, e entre eles podemos reconhecer algumas características marcantes do seriado, mas acho que no fundo sempre fomos mais "pacificadores".

Eu fiquei com o ex-namorado de uma amiga minha, na frente dela. (Na verdade fiz isso com mais de uma amiga.) Alguém deveria ter me batido, ou se vingado, ou no mínimo me puxado em um canto pra me dizer algumas verdades. Fiz muitos absurdos quando tinha meus 16, 17, 18 anos de idade, magoei muita gente. E nunca se vingaram de mim, ou nunca me fizeram entender o quanto eu os havia magoado. Na maioria das vezes fingíamos fazer as pazes e tudo voltava "como era antes". O que, na minha opinião, é muito pior que um belo tapa na cara.
"Não vale a pena" é uma frase que não faz mais muito sentido, como "Você tem que ser superior". Eu acho que tenho que ser sincera. Acima de tudo comigo mesma. Quando me chamaram de mentirosa, devia ter dito todas as verdades que aquela pessoa merecia ouvir, deveria ter dito o quanto o odiava inconscientemente a cada dia que passava, e que não precisávamos de uma ofensa pra acabar com uma amizade que tinha se auto-destruído. Mas é sempre mais fácil fingir que desculpou.
Se tivéssemos vivido nosso círculo de amizades como o GG, ainda estaríamos de pé?

Quando alguém nos magoa é mais difícil dize-lo ou fingir? Quando alguém pisa no seu pé, você grita ou morde os lábios?

domingo, 11 de abril de 2010

Castigo;

- Pai, vamos chamar a Giulia pra vir aqui em casa?
- Ela não pode, Léo, está de castigo.
- O que é castigo?

?


- Castigo é quando alguém se comporta mal e recebe uma punição pra aprender que aquilo não se faz.
- Ué, mas ela não pode vir mesmo assim?
- Não, Léo, o castigo dela é não sair de casa.
- Um dia inteiro?
- Um dia inteiro.
- E por que?
Etc, etc, etc.


Uma criança de 7 anos que não sabe o que significa CASTIGO.


Agora sim eu entendo o motivo de como o Leonardo se comporta em algumas situações. Ele nunca ficou de castigo, ele nunca foi punido pelos (tantos) comportamentos inadequados, ele não sabe que quando erra, tem que arcar com as conseqüências.
Não posso julgar o modo com que o Emiliano e a ex-mulher educam o filho, do mesmo modo que não posso julgar nenhum pai ou mãe desse mundo. Eu não sou mãe. Mas ver uma criança de 7 anos que não sabe tomar banho sozinha, não coloca os brinquedos no lugar, não amarra os sapatos ou não sabe o significado de castigo me faz pensar um pouco.

De acordo com a Psychologies desse mês, 87% dos pais separados têm problemas com a educação dos filhos. Na verdade todos os pais, separados ou não, têm esse problema. Mas no caso dos pais separados parece que o problema toma proporções bem maiores que o esperado.
Por mais que eu seja filha de pais separados, nunca tinha observado com tanta atenção esse fato. Talvez porque eu sempre estive na parte dos filhos. Agora que me encontro da outra parte, algumas questões me saltaram aos olhos. Costumo dizer com toda firmeza que certamente meus filhos não terão todos esses problemas disciplinares, que serão educados e obedientes, e que saberão muito bem o que significa "certo e errado", "sim e não". Mas é muito subjetivo. Impossível planejar a educação dos filhos antes de te-los.
Acredito que não existe um manual da "educação ideal", porque cada filho é uma pessoa diferente. Mas existem alguns conceitos que são indispensáveis e necessários, acima de tudo.

Aprender a dizer não.
Pode ser muito difícil dizer não aos filhos em certas situações, mas a questão é quando é necessário dize-lo. O "não" para o chocolate antes da janta pode ser relativo. Mas o "não" que distingue os limites não pode. Uma criança nunca vai saber o que é certo, se não aprender o que é errado. Nunca vai valorizar o "sim" se não souber o que significa "não". No caso dos pais separados, é como se o "sim" freqüente (do pai) fosse uma maneira de tentar amenizar ou compensar o fato da separação. Como se fazer sempre a vontade dos filhos diminuísse a importância de passar a semana inteira longe do pai. E do outro lado, o "sim" (da mãe) serve pra compensar o dia inteiro de ausência por causa do trabalho.
E dessa maneira temos uma criança incapaz de entender o que significa "não". Uma criança que, quando vem contrariada, não consegue entender a razão objetiva da ordem. "Por que não posso fazer isso se eu sempre posso fazer tudo?" Entende o "não" como autoritarismo, como um se o seu pedido tivesse sido negado por "abuso de poder", por "birra". E assim parte para a trangressão:

- Pai, posso comer bolacha?
- Não, Léo, é quase hora de janta e você não comeu nada na hora do almoço.
- Mas eu to com fome!
- Da próxima vez almoce e você não vai ter fome a essa hora.
- Mas eu sempre como bolacha a essa hora.
- E depois não janta.
- Ahh, eu como mesmo assim!
- Não, Léo!
- Siiiim!!!


Por que ele não pode AGORA se ele sempre pôde?

Limites.
Hora de brincar e hora de falar sério. As crianças não costumam ter muita noção de quando parar com a brincadeira. Cabe aos pais ensinar que tudo tem um limite e que precisam respeitar a hora do "chega". Assistir Tv antes de fazer lição de casa não é um crime, desde que não atrapalhe o rendimento escolar. Mas é preciso saber que chega um momento em que se deve desligar a televisão e estudar. Deixar a criança decidir os próprios horários ou os próprios limites não me parece uma boa idéia. Mesmo porque as crianças não são pessoas adultas e conscientes dos deveres, ou pelo menos ainda não são. Elas precisam ser ensinadas. Deixar a criança fazer o que ela quiser porque os também também tem o que fazer (e assim podem faze-lo em paz) não funciona. A desculpa do "sò mais um" vira uma banalidade e no fim do dia é preciso brigar para que a criança entenda que precisa fazer os deveres e deveria ter feito antes. O ser humano não é como muitos animais que nascem autônomos e independentes e são capazes de cuidar de si mesmos. Precisam ser cuidadas constantemente, monitoradas e ensinadas.

Relacionamento pai-filho.
Um filho não é um amigo, é um filho. Se colocar em patamares iguais é perder o controle. Muitas das crianças que eu conheço tratam os pais ou professores como se fossem coleguinhas da mesma idade, brigam e pensam de terem razão. Um pai não pode deixar que o filho pense que é ele que manda. Se o pai comanda, é por alguma razão. Porque é adulto, porque sabe o que faz, porque é responsável. A criança precisa saber que dentro de casa existe uma "autoridade", alguém pra quem ele deve satisfações e pra quem ele precisa pedir permissão, porque é ele (pai) que sabe o que pode ser perigoso, sabe dos limites que a criança tem (e não sabe). E, acima de tudo, deve saber que essa pessoa é digna de confiança e de respeito.

- Vamos passar no bar pra comprar figurinha?
- A gente passa na volta, agora estamos atrasados.
- Não, vamos passar agora!
- A gente passa na volta, não é a mesma coisa?
- Não, eu quero passar agora, eu que mando!
- Léo, chega.
- Cala a boca! Você não sabe de nada!


Consenso.
A criança quer ver televisão antes de dormir. Na casa da mãe é "não", mas na casa do pai é "sim". E essa contradição continua em todas as pequenas coisas do dia-a-dia: hora de comer, lição de casa, videogame, organização. Então a criança entende que quem diz o "não" o faz sem um motivo válido e que é ""malvado", jà que o outro diz sempre "sim". Os pais devem ter a mesma linha de educação, precisam ser rígidos na mesma medida, senão a educação não funciona. No caso de pai separados, seria o caso de sentar e conversar sobre o assunto, pelo bem da criança.



Enfim, no fim das contas esse tipo de coisa teria que ser feita quando ele era menor, desde sempre. Agora, com 7 anos e cheio de si fica mais difícil faze-lo entender. E, mais no fim das contas ainda, não è meu filho. Teoricamente não posso opinar, mas conviver com isso é muito difícil. Hoje eu sei o que os namorados da minha mãe e as namoradas do meu pai passaram.
Mas eu vou estudar isso um dia, e fazer o possível pra que meu filho(a) não precise aprender as coisas na marra, com 7 anos de idade.
-

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Ele é a minha exceção;

Quando definimos que alguém é o amor da nossa vida?
Quando o vemos pela primeira vez? Na hora do primeiro beijo? Na primeira transa?
Eu acho que o eu vou descobrir quem é o amor da minha vida quando esse alguém viver minha vida comigo. E acredito que é impossível sabermos antes disso.
O amor das nossas vidas não é aquele cara por quem nos apaixonamos quando somos adolescentes, não é o cara do primeiro beijo, não é o cara da primeira vez, nem ao menos aquele com quem planejamos pela primeira vez uma vida a dois. Não é o cara que desejamos ter ao nosso lado pro resto da vida. O amor da minha vida vai ser aquele que FICAR.
Vai ser aquele velhinho de 90 anos que vai estar ao meu lado, olhando pra trás e se sentindo feliz comigo.

Esses dias eu briguei com o meu cunhado porque disse que se eu chegasse aos 40 sem ter me casado ou sem estar com alguém, faria um filho mesmo assim. Ele disse que era muito egoísta da minha parte dizer isso, ainda mais na frente do Emiliano.
Mil desculpas, mas a unica coisa da vida que tenho certeza é a morte. Não sei o que me espera daqui 5 minutos, imagina daqui 20 anos.
O que eu posso é fazer planos, e com certeza o Emiliano faz parte desses planos. Mas se um dia ele não quiser ou não for mais possível que ele faça parte do meu futuro, vou ter que continuar a vida sem ele, não? Não é porque eu decidi que é com ele que eu quero passar o resto da minha vida que isso tenha obrigatoriamente que ser verdade. Nem pra mim, imagina pra ele.
Hoje sou completamente, bobamente e loucamente apaixonada por ele. Mas quem me garante que vai continuar sendo assim daqui algum tempo? E, mais importante ainda, quem disse que pra ele vai ser sempre assim? Pode ser que o amor acabe, embora meu lado romântico queira acreditar que é impossível que um dia eu o veja dormir (como estou fazendo nesse exato momento) e não sinta meus olhos marejarem.
De certezas nessa vida temos realmente poucas, e por mais que ele seja uma das certezas que eu mais gostaria de ter, o mundo dà muitas voltas.
Eu quero me casar, ter filhos, uma casa, um cachorro e quem sabe um gato. Quero viajar junto, fazer piquenique no parque, ir ao cinema, passar as férias na praia. E quero que seja com ele. E se isso um dia não for possível, com certeza vou sofrer muito, vou perder meu chão e acreditar por alguns dias que minha vida acabou. Mas uma hora ou outra vou ter que levantar e levar minha vida avante.
Não me parece uma resolução muito egoísta.

O fato é que o Emiliano mudou minha vida. Continuo a mesma Carol de sempre, mas ele me faz crescer a cada dia, e continuar a menina de quem ele pode tomar conta. Ele me fez acreditar em coisas que eu pensava que não valessem mais a pena. Ele me devolveu as borboletas no estômago. Ele me deu a alegria de esperar ele chegar do trabalho todos os dias. Ele me faz feliz a cada dia.
E se um dia ele não fizer mais parte do meu presente, vai continuar fazendo parte da minha vida, porque hoje ele faz parte de mim e não pode ir embora sem deixar uma marca ou um grande fragmento dentro de mim.
Sou feliz por estar vivendo esse amor com ele, e espero que seja o amor de toda a minha vida. Mas é sò o que eu posso fazer: ESPERAR.

terça-feira, 6 de abril de 2010

Corte de cabelo;

Quer dizer, quando decidimos de mudar a aparência, significa que queremos na verdade mudar alguma coisa na nossa vida ou simplesmente ter mais uma razão pra se olhar em todos os vidros que encontrar pela rua?
Bom, eu acabei de mudar completamente minha aparência. (!!!)

Todos os dias dos último 8 meses acordo depois das 11h da manha, ou pelo menos faço o possível pra que isso aconteça, mesmo que isso signifique cancelar compromissos importantes, deixar de sair com os meus amigos ou não limpar a casa e lavar a roupa. São 8 meses que eu não faço nada da minha vida a não ser vive-la com todo o tempo do mundo. E sem nenhuma grana.
Quando temos todo o tempo do mundo, temos vontade de fazer tudo ao mesmo tempo, e um dia pode parecer uma semana. E depois de muito tempo tendo todo o tempo do mundo, as coisas parecem se inverter. Os dias são curtos quando acordamos ao meio- dia, e a louça na pia parece não ser mais uma besteira, uma coisa fácil de se fazer. A internet perde a graça, na TV nunca tem nada de interessante, afrontar o frio pra sair pra passear não me parece uma ótima idéia. E a vontade que antes era tão viva de encontrar um emprego e sair dessa monotonia pouco a pouco vai sumindo. Estranhamente, às vezes volta, mas o que realmente toma conta de cada pedaço do meu corpo é a grande vontade de não fazer nada e procurar mil desculpas pra isso.
Sempre me considerei uma pessoa preguiçosa, mas chegar a esse ponto do ócio me reforça os conceitos de que a mente comanda o corpo e vice-versa. E sem nenhuma atividade de corpo ou mente, é muito fácil cair nas graças da preguiça predominante, ainda mais levando em consideração que o ser humano tende sempre ao menor nível de esforço possível.

Hunf.

Cortar o cabelo não foi uma decisão tomada pra combater o ócio, mas pra combater a raiva que eu sinto de toda essa preguiça. E não sò da preguiça, mas do julgamento das pessoas ao meu redor, de cada vez que alguém me pergunta "Sei documento jà saiu?", de cada vez que preciso de grana pra cada mínima coisa, cada vez que minha sogra me presenteia com 50 euros.
No fim das contas cansei de sentir raiva, e acho que isso é o que mais preocupa.

Hoje mudei meu cabelo, mudei meu jeito de falar no telefone com a minha mãe e com a minha irmã. Mudei o fato da internet não ser mais interessante e estou vendo um fime muito bom na TV.
Mudei o que me era permitido mudar no momento e não sei por quanto tempo essa mudança vai durar. Sei que não posso me entregar ao ócio, e por isso recorri aos velhos tempos desse blog. Falar de mim, da minha vida, do que eu sinto e algumas vezes do que eu sonho.
Espero que isso me ajude.



"You are the only exception".

quinta-feira, 25 de março de 2010

Destino;

Só se tem uma visão global de uma sucessão de fatos quando estes deixam de ter utilidade. Quem tiver a pretensão de entender o destino, tem que sobreviver a ele.
Será que eu e você podemos fazer alguma coisa para aceitar que a vida seja tão breve? Para aceitar que, daqui a algum tempo, nós não vamos mais pertencer a esse mundo?
Se você tivesse em seu poder um vidro contendo uma bebida mágica, que se você bebesse metade do conteúdo viveria para sempre, e se desse a outra metade à pessoa que você ama, vocês poderiam literalmente viver um amor eterno, você beberia? Aceitaria viver até o fim da humanidade ou escolheria uma vida comum, com o tempo aproximado de 90 anos?
Que meios temos de alcançar a imortalidade?
Que meios temos de vivermos mortalmente da melhor forma possível?
Existe um mundo. Em termos de probabilidade, isso é algo que esbarra no limite do impossível. Teria sido muito mais digno se, por acaso, não existisse nada. Nesse caso, ninguém teria começado a perguntar por que não havia nada.
Ante um olhar imparcial, o mundo não se apresenta apenas como improvável fato único, mas como uma constante carga para a razão. Quer dizer, se é que existe a razão, se é que existe uma razão neutra.
A insensatez do mundo não tem mais limites, nem fronteiras.
O ser humano talvez seja o único ser vivo em todo universo a ter uma consciência universal. Nesse caso, não é só uma responsabilidade global conservar os habitats deste planeta, mas uma responsabilidade cósmica. Um dia, a escuridão poderá voltar a cobrir tudo. E o espírito de Deus já não voará sobre as águas.
O que você vai fazer da sua vida agora?

*I don’t know if life is greater than death, but love was more than either* [Tristão e Isolda]

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Ovo e Presunto;

Na vida podemos ser ovo ou presunto.
Ovo é uma colaboração da galinha, é um trabalho que precisa de um pedaço dela mesma, é dar parte da sua capacidade pra construir alguma coisa.
Mas o presunto é o porco no seu 100%, é um dar-se por inteiro, sem limites e sem pedaços.
[ Grey's Anatomy ]

Como eu me comporto em momentos de pânico?
Um dia fui jantar na casa da minha cunhada e, no meio da janta, meu sobrinho de 4 anos engoliu um pedaço de salame inteiro. Enquanto estavam todos conversando tranqüilamente, olhei pro meu sobrinho sentado na minha frente e ele não estava mais respirando. Estava ficando roxo, e como ele era muito quietinho, ninguém percebeu nada. Entrei em pânico, e a unica coisa que eu fui capaz de fazer foi dar uma cotovelada no Emiliano sentado do meu lado. Ele viu o que estava acontecendo, levantou, pegou o sobrinho e tomou todas as atitudes justas num um momento como aquele. Todos na mesa se levantaram pra ajudar e eu continuei sentada, em choque, vendo aquela criança de 4 anos cada vez mais roxa e sem conseguir respirar. Quando finalmente a situação foi resolvida, ele cuspiu o pedaço de salame, todos se acalmaram muito rapidamente. Mas eu continuava ali parada, sem saber como reagir.

...

E se a vida daquela criança dependesse de mim?
Se estivéssemos eu e ele sozinhos naquela casa e ele engasgasse, como eu reagiria?
Fiquei com vergonha da minha incapacidade de agir de impulso numa situação de perigo.

Não fui forte o suficiente pra ser Presunto?
Ou eu fui Ovo por saber que outras pessoas podiam agir por mim?

domingo, 31 de janeiro de 2010

Sunday Morning;

12/12/07
Toda vez que assisto ao comercial do Pão de Açúcar, passo horas e horas com o slogan na cabeça: “Afinal, o que faz você feliz?”.
Algumas pessoas dizem que a palavra “feliz” só vem acompanhada do verbo “estar” e não do verbo “ser”, ou seja, certo seria dizer “Eu estou feliz”, e não “Eu sou feliz”. A felicidade então seria um estado temporário, um sentimento passageiro?
Eu discordo. Felicidade, no meu ponto de vista, é quase uma filosofia de vida, uma escolha. Ela está aí, em todo lugar. Você é quem tem que saber aproveitar as oportunidades de ver a felicidade nas coisas mais simples e cotidianas.
Primeiro, esqueça aquele jargão pessimista que diz que “A felicidade não bate duas vezes à sua porta”. É uma mentira deslavada. Todos os dias, a cada minuto, em cada momento da sua vida, a felicidade não só bate à sua porta, como também costuma esbarrar na gente, trombar, cair na nossa frente. E dificilmente reparamos nessa felicidade toda espalhada por aí.
Você pode me dizer que sua vida é um saco, que você não tem ninguém, perdeu a mãe, brigou com o namorado/namorada, vai mal na escola, é feio (a), chato (a), levou uma mordida de cachorro, está deprimido porque até sua tartaruga fugiu de você e pode me dizer até que você é emo. Mas eu garanto que nada disso é motivo pra você não enxergar a alegria que existe no simples ato de viver.
Felicidade é uma palavra abstrata, ou seja, não é possível pegar a felicidade, amarra-la no pé da cama e dizer: “Ahá, agora a felicidade é minha”. Exatamente por esse motivo, presumo também que ela não esteja ligada diretamente à coisas materiais, como pessoas ou coisas.
Podemos encontrar a felicidade num dia de sol, com um céu azulzinho, aquela brisa gostosa, uma varanda e uma rede. Ou num dia de chuva, com o céu todo cinza e aquele tempo frio, clima ideal pra ficar embaixo do edredom vendo filme e tomando chocolate quente. Num passeio para a praia com os amigos, aqueles fins-de-semana em que vocês enchem a cara, seja lá do que for (crianças, não façam isso em casa), passam horas e horas falando besteira e rindo da cara uns dos outros. Naquele almoço de família, dia de relembrar a infância e todas as situações engraçadas e constrangedoras que vocês já passaram juntos. Ou mesmo naquele dia de dia de ficar sozinho (a) em casa e passar o dia todo fazendo nada. Cabe a você encontrar a felicidade em cada situação.
A felicidade está nas atitudes mais cotidianas. Acordar e dar aquela espreguiçada gostosa, comer uma tigela de sucrilhos ou qualquer outra coisa que você goste muito, tomar um bom banho e escovar os dentes.
Num sorriso sincero, numa flor nova que surgiu no jardim, num gato dormindo esticado ao sol, nos passarinhos brincando nas árvores, no vento que bate no seu rosto.






Naqueles momentos inesquecíveis, rir de si mesmo, correr e brincar como quando era criança, se jogar na diversão, ataques de riso, guerras de cócegas, dias de fazer-nada com os amigos, dia de acordar tarde, contar piadas sem-graça, fazer guerrinha de batata frita no Mc Donald’s, atravessa a correndo o sinal vermelho, fazer compras, sessões de fotos.
A felicidade está presente em todas as coisas simples e muito mais, está presente em tudo que você fizer. Sabe onde você pode encontrar a verdadeira felicidade? Aí, oh. Bem aí, dentro de você. É daí que ela tem que partir para que participe ativamente de todos os momentos da sua vida.
Você está vivo, pode sentir, pode sonhar. Acorda tendo o dia todo pela frente, para fazê-lo feliz e inesquecível. Sua felicidade é você quem faz. Você decide se as coisas ruins que acontecem com você vão te colocar pra baixo, ou se vão te dar forças pra lutar e ser mais feliz ainda.
A verdadeira felicidade provém da sua iniciativa de ser feliz. Não espere a felicidade vir até você, corra você atrás dela.
Aproveite e comece por hoje mesmo. Faça deste Domingo o melhor da sua vida. Se faça bem, cuide de si mesmo, faça coisas para te agradar e agradar quem você ama.
Decida ser feliz, ponha os pés pra cima hoje e aproveite.
Você pode fazer cada dia da sua vida ser melhor que o anterior, basta querer. Sua vida é você quem pinta.


Enjoy it.
Happy Sunday Morning, everybody.
;)

quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

O garoto das vírgulas: uma história verídica.

Quando falamos sobre preconceito, muita gente diz que já está ultrapassado, que o preconceito hoje em dia quase não existe mais. Mentira. Talvez seja mais fácil agir como se o preconceito estivesse extinto, talvez seja mais diplomático e politicamente correto. Mas as pessoas que sofrem de preconceito sabem, mais do que ninguém, que essa palavra tão incômoda ainda está aí, em todos os cantos, em todos os lugares, na maioria das pessoas.
Quando conheci o garoto das vírgulas, ele era apenas mais um garoto que gostava de meninas. Doce, sensível, muito sensitivo. A adolescência foi passando e ele descobriu que os meninos também lhe interessavam. Certo dia, depois de alguns anos, ele me diz que assumiu sua homossexualidade.
Conheço várias pessoas homossexuais, aqui onde moro e em outras tantas cidades do Brasil e até do mundo. De todos os homossexuais que conheço, tanto meninos quanto meninas, ouço casos de preconceito, ouço histórias tristes de pessoas que são humilhadas ou excluídas, e que têm esse preconceito presente na sua vida todos os dias. Mas o caso do garoto das vírgulas me chamou muito a atenção.
Achei muito interessante o modo como ele assumiu sua opção sexual, como ele fala desse assunto hoje em dia, como lida com as pessoas preconceituosas e como ele está de bem consigo mesmo. Ele sabe que tem os amigos e as pessoas que ama ao seu lado, e isso basta. Ele não liga para o que as pessoas pensam ou dizem dele. Só ele sabe o que lhe faz bem, e ele tem maturidade suficiente para colocar isso como prioridade e assumir que ser “gay” é ser feliz.
Afinal, ser homossexual e sofrer preconceito é exatamente a mesma coisa que ser gordinho, ou magro demais, ou muito alto, ou muito baixo, ou muito branco, ou negro, ou usar óculos, ou ter um estilo diferente, seu cabelo, suas roupas, suas idéias, sua escolhas, suas opções de vida e sofrer preconceito por esses motivos. Quem nunca sofreu qualquer tipo de preconceito?
A origem da palavra “preconceito” demonstra muito bem o fato de ser um pré-conceito, ou seja, um conceito que é definido antes que se tenha verdadeiro conhecimento sobre a pessoa. Como podemos julgar alguém antes mesmo de conhecê-lo? E, mesmo depois que conhecemos, quem somos nós pra julgar?
Acredito que o preconceito, na verdade, nada mais seja do que o medo do diferente. Engraçado é que todos somos diferentes uns dos outros. Ter medo daquilo que é diferente é como ter medo de todo mundo! Se cada um de nós víssemos que ser diferente é saudável, não teríamos problema nenhum de convivência, nem de exclusão, nem qualquer outra conseqüência do preconceito.
Quem se assume homossexual perante a sociedade, sabe de tudo que pode enfrentar ao tomar essa decisão. E se mesmo assim o faz, tem um motivo muito forte: o amor. Seja ele por alguém do mesmo sexo, ou por si próprio, pois quem se ama faz de tudo pela própria felicidade, inclusive optar por algo que possa lhe trazer constrangimentos e problemas. Qualquer decisão que seja tomada por amor, deve ser mais do que respeitada, admirada.
Cada pessoa tem suas diferenças, tem suas “vírgulas”, suas particularidades. Saber lidar com isso, além de ser saudável, é um sinal de respeito pelo próximo. Cada um faz suas escolhas, e é preciso respeitar as escolhas alheias para que as nossas também sejam respeitadas.
A diversidade é maravilhosa.
Afinal, se todos fossem iguais, o mundo não teria a MÍNIMA graça.

quinta-feira, 7 de janeiro de 2010

No final do fim;

"Ele olhou para mim com olhos marejados de solidão. Era tão lindo. Era o mais lindo. Irradiava beleza porque irradiava liberdade, tristeza bem vivida, medo que dava mão pra coragem. Agora ele não chegava a ser feio – a sina das pessoas bonitas é que nunca chegam a ser feias, nem quando precisam – mas não era mais a mesma beleza. Agora ele tinha só aquela beleza de fora, aquela que vem da harmonia dos olhos bem colocados, da boca bem desenhada, aquela beleza técnica, padrão. Essa sozinha não ganha. Não ganha lugar na novela, não ganha elogio, não ganha nada. Mas era assim que ele estava, vazio, belo e oco. Já não me fazia o coração parar, já não me inspirava amor e liberdade. Ele tinha o ar suspenso no peito, como quem parou num canto da vida, por medo, por planos, por desconhecimento...Eu nada podia fazer. Talvez ele ficasse assim para sempre, talvez não. Senti pena, e isso fez eu ter vergonha. Queria sentir pena de qualquer um, menos dele, logo ele...mas senti. Ele estava acuado, ele mentia para si mesmo,ele impedia-se de sentir, ele não deixava o agora imperar,e tinha olhos voltados para o amanhã, que talvez nem chegasse. Meu amor que havia tornado-se pequeno, acabou naquele instante, no instante em que o vi jurar amor por mim, e mesmo assim não conseguir ir de mãos dadas pela rua. Meu amor acabou porque ele acabou. Não consigo me lembrar quando, nem onde, mas um dia acordei e já não era mais ele. Uma pena. Grande pena. As pessoas se distanciam do que têm de melhor, porque se acham perdidas, incompletas, presas...e é justamente aí que se perdem, se incompletam, se prendem.Daqui um tempo talvez nos encontremos em alguma rua nova, de uma cidade nova, de um país novo, e espero de coração olhar os olhos que eu conheci e pelos quais me apaixonei. Espero ter-lhe como companheiro de sonhos e coragem novamente. Espero te ver bonito, daquela beleza que vem de um lugar desconhecido, e espero que estejas sorrindo com verdade."

Texto que a Jacke me mandou por e-mail. Uma mistura de um texto de um amigo dela com a própria edição.
Me identifiquei muito, ela também, e pelos mesmos motivos.
A unica diferença é o tempo que se passou entre nós duas.

Inteligente essa menina! :)