Quando ouvi falar do movimento denominado "Childless", pude compreender perfeitamente do que se tratava: Pessoas que, por motivos vários, não podem ter filhos. Sempre quis ser mãe, e a idéia de que um dia minha ginecologista me diga que eu sou estéril me aterroriza.
Mas quando eu li sobre o "Childfree", demorei um pouco mais pra assimilar a idéia. Se trata de um movimento criado por pessoas que, pelos mais variados motivos, não querem ter filhos. Mas o que "me irritou" foi a expressão "free". Por que criar um movimento "Livres de filhos"? A primeira palavra que me passou pela cabeça foi: Egoísmo. Cheguei a fazer uma comparação não muito eficaz: é como se, em contrapartida ao movimento dos "Sem-Terra" surgisse o movimento dos "Tenho grana pra comprar casa, mas não quero. E SOU ORGULHOSO DISSO AO PONTO DE CRIAR UM MOVIMENTO PRA TIRAR SARRO DE QUEM Não PODE COMPRAR A PRÓPRIA CASA". Ok, exagerei.
Ter filhos ou não é uma escolha, como tantas outras que somos livres de fazer na nossa vida. Cada um faz da própria vida o que bem quiser. Meu problema é que eu sou perfeitamente capaz de entender o fato de alguém criar um movimento contra o fato de querer alguma coisa e não poder ter, mas não entendo muito bem um movimento que diz "Posso ter, mas não quero". Ainda mais quando o movimento toma proporções absurdas.Em algumas cidades inglesas muitos restaurantes, lojas ou outros tipos de atividades comerciais começaram a colocar na porta o cartaz: "Proibida a entrada de animais E DE crianças".
Voltando ao fato de eu sempre ter tido vontade de ser mãe, até entendo as pessoas que optam pelo contrário. Algumas pessoas não querem "atrapalhar" o relacionamento, outras querem se dedicar à realização profissional, outras simplesmente querem dedicar toda a sua vida à si mesmas, e outras ainda nunca gostaram de crianças. Uma amiga minha me disse uma vez: "A vida é muito curta. Se eu tiver um filho, minha vida vai ser dedicada a ele, e eu quero dedicar minha vida à mim mesma". Ok, entendo perfeitamente. Muitas vezes eu mesmo me pego pensando se um dia eu não vou me arrepender, se vou continuar tendo tempo pra mim mesma e pro meu companheiro, se a ingratidão típica do filhos não vai me fazer odiar o fato de ter escolhido ser mãe, ou se o fato de eu ter uma familia (dito pais-filhos-irmãos) muito turbada não vai me condicionar a ser uma péssima mãe. Mas a minha vontade de ser mãe, que eu chamo erroneamente de instinto materno, é mais forte e pode sobreviver a todas essas dúvidas com o simples sorriso do meu futuro filho ou filha.
"Childfree" é um tapa na cara dos casais que por muitos anos tentaram ter filhos e nunca conseguiram, das mulheres que entram em depressão quando descobrem que são estéreis, é um tapa na minha cara. Porque eu, que quero tanto ter um filho um dia, não tenho certeza de PODER te-lo. Na prática, estou disposta a considera-lo um DESRESPEITO com as pessoas que nunca poderão ter filhos.
Que cada um tenha o direito de fazer da sua vida o que quiser, mas não o direito de se gabar por desprezar o maior dom da vida que muitas pessoas não podem ter.
Em relação ao movimento de não deixar as crianças entrarem em tais lugares, eu acho que criança pode ser algo realmente irritante quando quer, mas proibir a entrada de uma criança em um lugar é um ataque contra o direito de ir e vir.
ResponderExcluirA criança é, antes de tudo, um ser humano. Não pode proibí-la assim. Se não quer ver crianças, faça uma reunião na própria casa, chamando só os adultos.
Agora o fato deles estarem proibindo as crianças de ir nesses restaurantes te levantou à ira contra eles não quererem ter filhos.
Aí eu já acho que é um direito total deles.
O sofrimento por não poder ter um filho deve ser difícil, mas não pode-se esperar que todos sintam o mesmo.
Se quem quer ter um filho tem o direito de lutar e expressar isso, acho que quem não quer também tem.
E o respeito deve ser recíproco.
É que quem está sofrendo por causa da impossibilidade, está muito emocional e vê tudo como um ataque.
Já quem não quer ter os filhos, está agindo mais racionalmente e não vê como um ataque os movimentos das pessoas pró-filhos.
Eu só não entendo algumas coisas com relação à natureza e razão do movimento 'Childfree'. Penso que um movimento geralmente seja um grupo de pessoas lutando em nome de algo. Assim, imagino que o Childless possa ser um algo a fim de apoiar e instruir àqueles que não podem ter filhos sobre várias questões referentes à isso, e mesmo sobre a adoção, visando o não preconceito e fazendo com que as pessoas vejam cada vez mais esse ato como uma forma original de ser pai e mãe.
ResponderExcluirNo entanto, o que pretende o movimento 'Childfree'?? Querem expor ao mundo seus motivos para não quererem filhos; querem convencer os outros sobre a inconveniência das crianças? Enfim... me parece sim um tanto egoísta e prepotente. Concordo que é direito de cada um querer ter filhos ou não, ou mesmo não querer que crianças entrem 'em suas reuniões pessoais' usando o exemplo muito bem colocado da Carla. Mas afinal, qual a verdadeira finalidade e um movimento desses? Me parece inevitável que alguns possam interpretá-lo como uma ação contra a vida.
Essas pessoas não precisam do movimento para nada; a sociedade não vai obrigá-los a terem filhos contra a própria vontade, apesar de fatalmente julgá-los, mas isso é consequência da liberdade de pensamento humana. Enfim, se são tão bem-resolvidos com suas escolhas e opiniões, não entendo porque precisam de um movimento que expresse para o mundo as causas de uma vontade (ou falta dela) que definitivamente, é peculiar.