sábado, 26 de junho de 2010

Childless;

Quando ouvi falar do movimento denominado "Childless", pude compreender perfeitamente do que se tratava: Pessoas que, por motivos vários, não podem ter filhos. Sempre quis ser mãe, e a idéia de que um dia minha ginecologista me diga que eu sou estéril me aterroriza.
Mas quando eu li sobre o "Childfree", demorei um pouco mais pra assimilar a idéia. Se trata de um movimento criado por pessoas que, pelos mais variados motivos, não querem ter filhos. Mas o que "me irritou" foi a expressão "free". Por que criar um movimento "Livres de filhos"? A primeira palavra que me passou pela cabeça foi: Egoísmo. Cheguei a fazer uma comparação não muito eficaz: é como se, em contrapartida ao movimento dos "Sem-Terra" surgisse o movimento dos "Tenho grana pra comprar casa, mas não quero. E SOU ORGULHOSO DISSO AO PONTO DE CRIAR UM MOVIMENTO PRA TIRAR SARRO DE QUEM Não PODE COMPRAR A PRÓPRIA CASA". Ok, exagerei.
Ter filhos ou não é uma escolha, como tantas outras que somos livres de fazer na nossa vida. Cada um faz da própria vida o que bem quiser. Meu problema é que eu sou perfeitamente capaz de entender o fato de alguém criar um movimento contra o fato de querer alguma coisa e não poder ter, mas não entendo muito bem um movimento que diz "Posso ter, mas não quero". Ainda mais quando o movimento toma proporções absurdas.Em algumas cidades inglesas muitos restaurantes, lojas ou outros tipos de atividades comerciais começaram a colocar na porta o cartaz: "Proibida a entrada de animais E DE crianças".
Voltando ao fato de eu sempre ter tido vontade de ser mãe, até entendo as pessoas que optam pelo contrário. Algumas pessoas não querem "atrapalhar" o relacionamento, outras querem se dedicar à realização profissional, outras simplesmente querem dedicar toda a sua vida à si mesmas, e outras ainda nunca gostaram de crianças. Uma amiga minha me disse uma vez: "A vida é muito curta. Se eu tiver um filho, minha vida vai ser dedicada a ele, e eu quero dedicar minha vida à mim mesma". Ok, entendo perfeitamente. Muitas vezes eu mesmo me pego pensando se um dia eu não vou me arrepender, se vou continuar tendo tempo pra mim mesma e pro meu companheiro, se a ingratidão típica do filhos não vai me fazer odiar o fato de ter escolhido ser mãe, ou se o fato de eu ter uma familia (dito pais-filhos-irmãos) muito turbada não vai me condicionar a ser uma péssima mãe. Mas a minha vontade de ser mãe, que eu chamo erroneamente de instinto materno, é mais forte e pode sobreviver a todas essas dúvidas com o simples sorriso do meu futuro filho ou filha.
"Childfree" é um tapa na cara dos casais que por muitos anos tentaram ter filhos e nunca conseguiram, das mulheres que entram em depressão quando descobrem que são estéreis, é um tapa na minha cara. Porque eu, que quero tanto ter um filho um dia, não tenho certeza de PODER te-lo. Na prática, estou disposta a considera-lo um DESRESPEITO com as pessoas que nunca poderão ter filhos.
Que cada um tenha o direito de fazer da sua vida o que quiser, mas não o direito de se gabar por desprezar o maior dom da vida que muitas pessoas não podem ter.

2 comentários:

  1. Em relação ao movimento de não deixar as crianças entrarem em tais lugares, eu acho que criança pode ser algo realmente irritante quando quer, mas proibir a entrada de uma criança em um lugar é um ataque contra o direito de ir e vir.
    A criança é, antes de tudo, um ser humano. Não pode proibí-la assim. Se não quer ver crianças, faça uma reunião na própria casa, chamando só os adultos.

    Agora o fato deles estarem proibindo as crianças de ir nesses restaurantes te levantou à ira contra eles não quererem ter filhos.
    Aí eu já acho que é um direito total deles.
    O sofrimento por não poder ter um filho deve ser difícil, mas não pode-se esperar que todos sintam o mesmo.
    Se quem quer ter um filho tem o direito de lutar e expressar isso, acho que quem não quer também tem.
    E o respeito deve ser recíproco.
    É que quem está sofrendo por causa da impossibilidade, está muito emocional e vê tudo como um ataque.
    Já quem não quer ter os filhos, está agindo mais racionalmente e não vê como um ataque os movimentos das pessoas pró-filhos.

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  2. Eu só não entendo algumas coisas com relação à natureza e razão do movimento 'Childfree'. Penso que um movimento geralmente seja um grupo de pessoas lutando em nome de algo. Assim, imagino que o Childless possa ser um algo a fim de apoiar e instruir àqueles que não podem ter filhos sobre várias questões referentes à isso, e mesmo sobre a adoção, visando o não preconceito e fazendo com que as pessoas vejam cada vez mais esse ato como uma forma original de ser pai e mãe.
    No entanto, o que pretende o movimento 'Childfree'?? Querem expor ao mundo seus motivos para não quererem filhos; querem convencer os outros sobre a inconveniência das crianças? Enfim... me parece sim um tanto egoísta e prepotente. Concordo que é direito de cada um querer ter filhos ou não, ou mesmo não querer que crianças entrem 'em suas reuniões pessoais' usando o exemplo muito bem colocado da Carla. Mas afinal, qual a verdadeira finalidade e um movimento desses? Me parece inevitável que alguns possam interpretá-lo como uma ação contra a vida.
    Essas pessoas não precisam do movimento para nada; a sociedade não vai obrigá-los a terem filhos contra a própria vontade, apesar de fatalmente julgá-los, mas isso é consequência da liberdade de pensamento humana. Enfim, se são tão bem-resolvidos com suas escolhas e opiniões, não entendo porque precisam de um movimento que expresse para o mundo as causas de uma vontade (ou falta dela) que definitivamente, é peculiar.

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