terça-feira, 6 de abril de 2010

Corte de cabelo;

Quer dizer, quando decidimos de mudar a aparência, significa que queremos na verdade mudar alguma coisa na nossa vida ou simplesmente ter mais uma razão pra se olhar em todos os vidros que encontrar pela rua?
Bom, eu acabei de mudar completamente minha aparência. (!!!)

Todos os dias dos último 8 meses acordo depois das 11h da manha, ou pelo menos faço o possível pra que isso aconteça, mesmo que isso signifique cancelar compromissos importantes, deixar de sair com os meus amigos ou não limpar a casa e lavar a roupa. São 8 meses que eu não faço nada da minha vida a não ser vive-la com todo o tempo do mundo. E sem nenhuma grana.
Quando temos todo o tempo do mundo, temos vontade de fazer tudo ao mesmo tempo, e um dia pode parecer uma semana. E depois de muito tempo tendo todo o tempo do mundo, as coisas parecem se inverter. Os dias são curtos quando acordamos ao meio- dia, e a louça na pia parece não ser mais uma besteira, uma coisa fácil de se fazer. A internet perde a graça, na TV nunca tem nada de interessante, afrontar o frio pra sair pra passear não me parece uma ótima idéia. E a vontade que antes era tão viva de encontrar um emprego e sair dessa monotonia pouco a pouco vai sumindo. Estranhamente, às vezes volta, mas o que realmente toma conta de cada pedaço do meu corpo é a grande vontade de não fazer nada e procurar mil desculpas pra isso.
Sempre me considerei uma pessoa preguiçosa, mas chegar a esse ponto do ócio me reforça os conceitos de que a mente comanda o corpo e vice-versa. E sem nenhuma atividade de corpo ou mente, é muito fácil cair nas graças da preguiça predominante, ainda mais levando em consideração que o ser humano tende sempre ao menor nível de esforço possível.

Hunf.

Cortar o cabelo não foi uma decisão tomada pra combater o ócio, mas pra combater a raiva que eu sinto de toda essa preguiça. E não sò da preguiça, mas do julgamento das pessoas ao meu redor, de cada vez que alguém me pergunta "Sei documento jà saiu?", de cada vez que preciso de grana pra cada mínima coisa, cada vez que minha sogra me presenteia com 50 euros.
No fim das contas cansei de sentir raiva, e acho que isso é o que mais preocupa.

Hoje mudei meu cabelo, mudei meu jeito de falar no telefone com a minha mãe e com a minha irmã. Mudei o fato da internet não ser mais interessante e estou vendo um fime muito bom na TV.
Mudei o que me era permitido mudar no momento e não sei por quanto tempo essa mudança vai durar. Sei que não posso me entregar ao ócio, e por isso recorri aos velhos tempos desse blog. Falar de mim, da minha vida, do que eu sinto e algumas vezes do que eu sonho.
Espero que isso me ajude.



"You are the only exception".

4 comentários:

  1. é bom ter você de volta.Ainda que 'não seja você' ahuihsiha s2 ;@@

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  2. Ahh eu pergunto se seu documento saiu pq me preocupo com vc. Mas não pra julgar. Eu sou uma curiosa que gosta de entender o que as pessoas estão sentindo.
    Adorei seu post e, sim... fuja do ócio. Qto menos a gente faz, menos queremos fazer, realmente. Já, já a vida se encarrega de colocar mais movimento, flor.
    Te amo. Saudades. :****

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  3. Eu me identifiquei muito com este. E é tudo verdade, do coeço ao fim. A vontade de continuar não fazendo nada. Eu também me sinto assim às vezes. Quero tanto um emprego, faz tanto tempo! Sei que quero! mas sei que na prática faço muito pouco por isso.
    E a gente tem muita raiva desses sentimentos. raiva e vergonha. Mas é verdade que todos nós somos assim; é nossa natureza. Todavia, temos que saber que a felicidade conta com a lei do máximo esforço.

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  4. Flor!!!!que bom ter vc de volta...*now understand!*
    te amooo, mas odeio essa sua facilidade de se desconectar do mundo! rsrs...preguiça???não dá idéia rsrs!

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