quarta-feira, 10 de agosto de 2011

As primeiras semanas;


Todo mundo sabe de onde vem os bebês? Então não vou perder tempo explicando esses detalhes. ;)
Existem algumas mulheres que dizem que sentem imediatamente quando começa uma gravidez. Que acordam se sentindo estranhas e sabem que tem alguma coisa diferente acontecendo com elas. Comigo não foi assim, mas também não vou dizer que não senti nada. Tinha alguma coisa diferente, mas eu não sabia exatamente o que.
Sempre tive uma TPM muito forte, com sintomas que poderiam muito bem ser confundidos com a gravidez, todos os meses. No fim das contas eu dizia que nunca ia saber quando estava grávida se minha TPM era tão igual. Sempre senti muito sono, muita fome, fazia xixi com mais frequência, tinha alterações constantes de humor e os seios inchados e doloridos. Todos os meses era assim, como saberia que não era a TPM e sim uma gravidez? Além do mais, nunca tive uma menstruação muito certinha, atrasava sempre. Assim ficava ainda mais difícil.
Minha ultima menstruação tinha sido dia 10 de Junho e a próxima deveria ser dia 9 de Julho (ciclo longo). Era dia 15 e nada dela ainda. Não sentia mais sono do que o normal, mas me sentia muito mais cansada. Passava o dia todo morta e pensava que era devido ao calor, já que aqui Julho é um dos meses mais quentes do ano. Também não sentia mais fome, pelo contrário, andava comendo muito menos por solidariedade ao Emi, que tinha tirado as amígdalas e não podia comer. Sentia os seios SUPER inchados (sempre na medida do possível, né, já que tenho os seios minúsculos!) e doloridos. E realmente ia muito ao banheiro, até acordava no meio da madrugada pra fazer xixi, uma coisa muito rara pra mim, que durmo um sono muito pesado. Enfim, os sinais estavam ali, mas eu ainda não tinha entendido.
No dia 16, entrei no trabalho as 6h e o dia parecia completamente normal. Me matei de trabalhar até as 10h sem parar e estava começando a preparar o bar pro almoço quando senti uma dorzinha chata na parte do útero. "Cólica", pensei. Mas a menstruação não vinha e a dor não passava. As 11h comecei a me sentir estranha. Tontura forte, as mãos que tremiam sem parar, suor frio. As coisas começavam a cair das minhas mãos e eu, preocupada, pedi pra sentar um minuto. Quando me senti melhor fui pro "magazino" pra controlar as bebidas que chegavam e comecei a me sentir pior que antes. Até o ponto em que comecei a chorar porque não sabia o que estava acontecendo, e quando tentaram me levantar do chão, eu desmaiei.
Ligaram pro Emi e ele veio me buscar (de pijama, sem poder falar por causa da cirurgia) e ele me levou no médico. Medimos a pressão: normal. O médico disse que poderia ter sido a pressão que caiu demais por causa do calor. Pra eu não me preocupar e ir pra casa descansar com os pés pra cima. No meio da tarde me senti mal de novo, e o Emi me levou pro hospital. Chegando lá o enfermeiro perguntou se tinha a possibilidade de eu estar gravida, se minha menstruação estava atrasada. Eu pensei um minuto e disse: "Na verdade minha menstruação está atrasada 6 dias". Não acredito que não tinha pensado nisso! Com essa nova informação eu fui transferida do pronto-socorro geral pro pronto-socorro obstétrico. Fizeram um exame de sangue e um de urina: POSITIVOS. Eu comecei a rir, sem saber como reagir à notícia e o Emi se uniu a mim. A ginecologista disse pra eu repetir o exame de sangue no dia seguinte e de novo depois de uma semana.
No caminho do hospital pra casa pedi pro Emi parar numa farmácia e comprei outro teste de gravidez, assim só pra ter certeza. Cheguei em casa e: POSITIVO.
No dia seguinte, exame de sangue. O exame de sangue que diz se uma mulher está grávida ou não é um exame que conta o hormônio que a mulher libera no inicio da gravidez, e se chama Beta-HCG. Se a mulher não estiver grávida, o valor é menor que 5. Se sim, é entre 200 e 4000 na quinta semana de gravidez. O meu primeiro resultado era: 3884. Ainda assim não conseguia acreditar, porque já tinha acontecido uma vez e acabou terminando em aborto. Decidi esperar os resultados da outra semana pra comemorar. Na semana seguinte: 16745! Caramba! Então era mesmo verdade: eu estou grávida!
E foi assim que eu descobri.
Depois disso, além do cigarro que eu larguei e do café que eu não tomo mais, muitas outras coisas mudaram na minha vida...

"Comemorar a maternidade é criar as condições para que todas as mães possam ser mães de verdade" Gilberto Dimenstein

My pregnancy;



Minha vida acaba de mudar pra sempre, e eu quero dividir essa experiencia com voces.
(L)

segunda-feira, 21 de março de 2011

A te;


"A Você
A você que é a única no mundo
A única razão
Para chegar bem ao fundo
De cada respiro meu
Quando te vejo
Depois de um dia cheio de palavras
Sem que você me diga nada
Tudo se faz claro

Pra você que me encontrou
Na esquina com os punhos fechados
Com as minhas costas contra o muro
Pronto a me defender
Com os olhos baixos
Estava na fila
Com os desiludidos
Você me acolheu
Como um gato
E me levou contigo

Para você canto uma canção
Por que não tenho outra coisa
Nada de melhor para te oferecer
De tudo aquilo que tenho
Pegue o meu tempo
E a magia
Que com apenas um salto
Nos fará voar pelo ar
Como bolinhas de sabão

Para você que é
Simplesmente é
Essência dos meus dias
Essência dos meus dias

Para você que é o meu grande amor
E o meu amor grande
Para você que pegou a minha vida
E dela fez muito melhor
Para você que deu sentido ao tempo
Sem medi-lo
Para você que é o meu amor grande
e o meu grande amor

Para você que eu
vi chorar na minha mão
Frágil que poderia te matar apertando um pouco
E depois te vi
Com a força de um avião
Pegar na mão a sua vida
E puxá-la para um lugar seguro

Para você que me ensinou a sonhar
E a arte da aventura
Para você que acredita na coragem
E também no medo
Pra você que é a melhor coisa
que me aconteceu
Para você que muda todos os dias
E se mantem sempre o mesmo

Para você que é
Simplesmente é
Essência dos meus dias
Essência dos meus sonhos
Para você que é
Essencialmente é
Essência dos meus sonhos
Essência dos meus dias

Para você nunca se agrada
E é uma maravilha
As forças da natureza se concentram em você
que é uma rocha, uma planta, é um furacão
É o horizonte que me acolhe quando me afasto

Para você que é o único amigo
Que eu posso ter
O único amor que queria
Se não te tivesse comigo
Para você que faz a minha vida
Bela de morrer
Que consegue produzir no cansaço
Um imenso prazer

Para você que é o meu grande amor
E o meu amor grande
Para você que prende a minha vida
E dela fez muito melhor
Para você que deu sentido ao tempo
Sem medi-lo
Para você que é o meu amor grande
e o meu grande amor

Para você que é
Simplesmente é
Essência dos meus dias
Essência dos meus sonhos
Para você que é
Simplesmente é
Companheira dos meus dias
Essência dos meus sonhos"



A musica é maravilhosa, e se chama "A te", de Jovanotti

domingo, 16 de janeiro de 2011

Looping;



As vezes acho que eu mudei demais. Talvez nem todas as minhas mudanças eram necessárias, e talvez as mudanças principais ainda não aconteceram. Ultimamente parece que me falta ar, que eu não sou tão livre quanto gostaria. Mas eu não sou mesmo?
Pensamos que o rumo da vida seja tanto fácil quanto obvio, e depois nos surpreendemos com medo do passo seguinte.
Eu nunca tive medo do casamento porque eu nunca tive um relacionamento intenso o bastante pra chegar a pensar no que a vida de casados comporta. A mesma coisa com os filhos. Muito fácil falar, mas quando falamos nunca temos noção do que nos espera. Renúncias, impossibilidade de realizar os próprios sonhos, falta de tempo pra si mesmos e falta de paz (principalmente).
Recentemente fui pedida em casamento, e esperava por esse momento desde que eu conheci o Emi. Mas agora parece que bateu o pânico. Será que eu fui livre o bastante? Será que eu vivi tudo o que eu tinha pra viver? Será que a vida reservaria pra mim muitas outras coisas se eu tivesse esperado?
Será que eu estou pronta pra dar um passo quilométrico na minha vida bem agora que eu comecei a realizar os meus sonhos, aos 23 anos?
Enquanto eu penso o tempo passa, a dúvida do meu amor pelo meu futuro marido não cresce, mas me pego pensando se eu não sou egoísta demais por enquanto...

domingo, 28 de novembro de 2010

Eu não acho que minha mãe não gosta de mim;


Eu não acho que ela nunca me amou, que nunca esteve do meu lado. Eu acho que ela nào pôde demonstrar tanto quanto ela gostaria (e vice-versa).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nairobi;

Uma incompreensão amorosa, um pouco pra pensar, um computador e muito tempo.
Encontrar uma conexão Wi-Fi aberta não é um problema por aqui, qualquer Mc Donald's tem. E em alguns deles é possível inclusive ligar a fonte na tomada. (Y)
Enquanto procurava alguma coisa pra me distrair na internet, uma garota se aproxima da minha mesa com uma bandeja na mão. Meio tímida, me cutuca e faz sinal de "oi". Tiro o fone de ouvido pensando: "Sera que eu a conheço?", e ela prontamente me tira a curiosidade: "Queria saber se te incomodo se me sentar pra comer aqui. Não tem mais nenhuma mesa livre". "Magina, fica à vontade".
Não sabia se colocar os fones de novo ou puxar conversa e de novo foi ela que me tirou a dúvida: " Você é italiana?". Aqui essa é uma pergunta extremamente comum, vista a grande quantidade de estrangeiros que encontramos em todos os lugares. "Não, sou brasileira". "JURA? Não parece!". Normal, quantas vezes ouvi isso! "E você, de onde é?". Nunca tinha visto uma garota tão negra e tão linda em toda a minha vida. "Nairobi, Quênia".
E assim começamos a entrevista.

- A quanto tempo você mora em Roma?
- Cheguei faz mais ou menos 6 anos. Saí de Nairobi e fui pra Londres, mas não era muito a minha cara. Muita chuva, muito cinza. Pensei que Roma pudesse ser mais alegre, mais parecido comigo.

- E pensou certo?
- Olha, sinceramente ainda não sei responder. Gosto de Roma, da história, das ruínas, de muitas coisas, Mas também tem muitas outras que não gosto, como em qualquer outro lugar do mundo que eu morasse.

- Por exemplo?
- O racismo em primeiro lugar, com certeza. A mentalidade fechada e antiga, o machismo. Mas não posso generalizar, existe muita gente boa também.

- E por que resolveu ir embora do Quênia?
- Fácil, nasci e vivi até os 16 anos na maior favela da África, Kibera. Não sou uma garota feia e não era fácil suportar as tentativas de agressão. Comecei a trabalhar numa fábrica de cigarros e, mesmo ganhando uma mixaria, consegui sair dali e levar minha mãe comigo, deixando meu pai bêbado pra trás. Dois meses depois, minha mãe morreu de câncer no pulmão. Eu estudava e não queria largar a escola, mas era difícil tocar a vida sozinha. Fui morar numa casa de idosos, onde era voluntária. Fiz muitos amigos ali e me envolvi com causas políticas, manifestar, lutar pra melhorar meu país. Mas precisava ser alguém na vida. Conheci um cara num bar que me ofereceu um trabalho como modelo. E assim cheguei a Londres.

- Num bar? Você não teve medo que fosse uma proposta falsa?
- Claro, mas no meio de toda a bagunça que estava a minha vida, era impossível não ver aquela proposta como uma grande oportunidade pra sair dali. Quando cheguei em Londres descobri que o cara era realmente um agente, fiz alguns trabalhos muito bem remunerados e fui tratada muito bem. Tive muita sorte, na verdade. Ele podia ser um psicopata e eu tive que confiar na palavra dele, era tudo o que eu tinha. No fim das contas eu fui percebendo que aquele não era o tipo de coisa que me faria feliz. Ser modelo significa ter uma vida fútil, sem possibilidade de vínculos afetivos por estarmos sempre viajando. Não era meu tipo de trabalho ideal. Mas, como eu disse antes, era tudo o que eu tinha. Esse meu agente me ajudou muito, perguntou o que eu queria fazer da minha vida e eu disse que queria estudar. Assim, ele me inscreveu num cursinho aqui em Roma. Já se passaram 6 anos...

- E agora o que você faz em Roma?
- Fiz 2 anos de cursinho pra poder aprender bem o italiano (ela falava italiano perfeitamente) e agora faço faculdade de artes plásticas. E você, o que veio fazer em Roma?
- Mais ou menos a mesma coisa, vim pra estudar. Mas por enquanto estão dificultando muito pro meu lado. Você também pensa às vezes o que você estaria fazendo agora se tivesse ficado no seu país?
- Penso, mas tenho certeza que não teria chegado nem na metade do caminho que eu trilhei até agora. A vida no terceiro mundo não é fácil, queria que mais pessoas de Kibera tivessem a mesma oportunidade de crescer como eu tive. Infelizmente o que eu posso fazer é acreditar que um dia as coisas serão diferentes, e quem sabe serão mesmo...

Se foram 4 horas de conversa. Aquela menina-mulher dos olhos mais negros que eu já vi me mostrou que somos muitos que enfrentam problemas, que passam por dificuldades, que às vezes tem vontade de desistir. Mas em 4 horas de conversa me mostrou também que os sonhos são a coisa mais importante que temos, a que exige mais esforço, mas a que dà a maior satisfação. E que, com um pouco de força de vontade, muita luta e um pouco de sorte, podemos fazer dos nossos sonhos a força e a estrada pra chegar onde queremos...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Anybody else;

Não sei dizer se fui eu que mudei ou foi o mundo que me mudou. O mundo e o tempo..
Aqui até o meu nome é diferente. Não sou a Carol, e sim a Càrol com o "L" no céu da boca. No começo eu gostava disso, de me sentir outra pessoa. Mas de repente a minha ficha caiu. Se eu mudo de pessoa, perco minha identidade. E me perco...