- que burra você é
que não aprende nunca
seu equilíbrio é um lugar
que você passa e nem vê
e mais burra que você
vocè sabe que não vai encontrar
os seus medos inúteis
não acabarão
mas que burra você é
burra novamente
que fala à um espelho
e nunca à pessoa certa
e de tão burra que é
você não vai fazer nada
você é sò uma no meio da gente
e a gente mente sempre;
aprender sempre
caminhar sempre
você nunca entenderá nada
você erra desde sempre
e é inútil agora
que você fale à um espelho que não sabe quem você é
à um espelho que não sabe quem você é;
Tradução de "Stupida", de Alessandra Amoroso.
sexta-feira, 17 de abril de 2009
segunda-feira, 6 de abril de 2009
Não é uma questão de modinha, não é o fato da super-exposição, não é porque todo mundo conhece. O por que, no fim das contas, não é tão importante.
Twilight me surpreendeu no primeiro livro, 5 meses atras. E depois toda a saga. Cada pagina do livro me levava ao mundo Twilight, cada palavra me fazia sentir o que a Bella sentia. E quando eu fechava o livro era como se eu ainda estivesse ali, era como se eu estivesse esperando a sequencia de fatos acontecerem ali na minha frente. E eu acabava meio frustrada com a normalidade da minha vida, a falta de elementos surpresa.
No meio do quarto livro (Breaking Down), eu fiquei tão irritada com o comportamento do Jacob que fui obrigada a fechar o livro e deixa-lo pra la por algumas horas. Eu estava irritada como se aquilo tudo tivesse acontecido comigo. E reagi como reagiria se assim fosse, deixei pra la por um tempo, pra voltar a pensar nisso depois.
Não existe um "Eu gostei, mas aquela parte assim podia ser diferente porque...". Não consigo fazer um julgamento critico dos livros, nem mesmo do primeiro filme, porque não existe o que julgar. Não consigo pensar que tal parte poderia ser mudada, porque pra mim foi tão REAL, que é como se eu tivesse que me conformar com o andar dos acontecimentos, como me conformo na vida real. E é como se fosse uma historia real, da qual não se pode escapar dos imprevistos, dos momentos ruins, das decisoes forçadas e daqueles momentos em que a gente acha que vai tudo dar errado.
A historia aconteceu como tinha que acontecer, e qualquer mudança de roteiro poderia prejudicar o final da historia.
Assim como acontece na nossa vida, todos os dias.
Twilight me surpreendeu porque trata do impossivel exatamente quando ele atravessa as barreiras do possivel, e faz as coisas inimaginaveis serem reais. E mesmo com tantos elementos de fantasia na historia, os vampiros, os lobisomens, a luta contra os diferentes tipos de superstição, a sobrevivencia baseada em regras, o foco do filme não é esse.
Fala da profundidade de sentimentos que passa pelo limite de tempo, espaço, crenças, forma de existencia, conceitos de vida e qualquer outro impedimento que exista. Nos faz duvidar do poder do amor entre nos mesmos que, com a simplicidade que temos nas mãos, criamos inumeros problemas e impedimentos pros nossos sentimentos.
Nos faz pensar em quão complicada uma historia de amor pode ser, e quanto somos sempre capazes de complica-la ainda mais. Nos faz ver que a diferença principal entre as pessoas não esta na categoria em que se encaixam, no modo de vida, nas preferencias, nos gostos. A diferença esta naquilo em que ela acredita, nas coisas que ela é capaz de abrir mão, no ponto que ela pode chegar em nome de um sentimento verdadeiro e na capacidade de sentir não sò o que ela mesma sente, mas aquilo que sentem as pessoas ao seu redor.
Não é um romance-aventura sobre vampiros e lobisomens, mesmo que possa agradar os superficiais dessa categoria. Os livros mostram, pelo menos pra mim, uma historia de vida, seus exemplos, sua superação e suas liçoes. Te transporta por caminhos obscuros dentro de voce mesmo, te acende os sentimentos escondidos, te faz sentir o que o livro sente.
Enfim.
Leiam, se tiverem vontade e oportunidade.
Uma experiencia realmente incomparavel.
;)
Twilight me surpreendeu no primeiro livro, 5 meses atras. E depois toda a saga. Cada pagina do livro me levava ao mundo Twilight, cada palavra me fazia sentir o que a Bella sentia. E quando eu fechava o livro era como se eu ainda estivesse ali, era como se eu estivesse esperando a sequencia de fatos acontecerem ali na minha frente. E eu acabava meio frustrada com a normalidade da minha vida, a falta de elementos surpresa.
No meio do quarto livro (Breaking Down), eu fiquei tão irritada com o comportamento do Jacob que fui obrigada a fechar o livro e deixa-lo pra la por algumas horas. Eu estava irritada como se aquilo tudo tivesse acontecido comigo. E reagi como reagiria se assim fosse, deixei pra la por um tempo, pra voltar a pensar nisso depois.
Não existe um "Eu gostei, mas aquela parte assim podia ser diferente porque...". Não consigo fazer um julgamento critico dos livros, nem mesmo do primeiro filme, porque não existe o que julgar. Não consigo pensar que tal parte poderia ser mudada, porque pra mim foi tão REAL, que é como se eu tivesse que me conformar com o andar dos acontecimentos, como me conformo na vida real. E é como se fosse uma historia real, da qual não se pode escapar dos imprevistos, dos momentos ruins, das decisoes forçadas e daqueles momentos em que a gente acha que vai tudo dar errado.
A historia aconteceu como tinha que acontecer, e qualquer mudança de roteiro poderia prejudicar o final da historia.
Assim como acontece na nossa vida, todos os dias.
Twilight me surpreendeu porque trata do impossivel exatamente quando ele atravessa as barreiras do possivel, e faz as coisas inimaginaveis serem reais. E mesmo com tantos elementos de fantasia na historia, os vampiros, os lobisomens, a luta contra os diferentes tipos de superstição, a sobrevivencia baseada em regras, o foco do filme não é esse.
Fala da profundidade de sentimentos que passa pelo limite de tempo, espaço, crenças, forma de existencia, conceitos de vida e qualquer outro impedimento que exista. Nos faz duvidar do poder do amor entre nos mesmos que, com a simplicidade que temos nas mãos, criamos inumeros problemas e impedimentos pros nossos sentimentos.
Nos faz pensar em quão complicada uma historia de amor pode ser, e quanto somos sempre capazes de complica-la ainda mais. Nos faz ver que a diferença principal entre as pessoas não esta na categoria em que se encaixam, no modo de vida, nas preferencias, nos gostos. A diferença esta naquilo em que ela acredita, nas coisas que ela é capaz de abrir mão, no ponto que ela pode chegar em nome de um sentimento verdadeiro e na capacidade de sentir não sò o que ela mesma sente, mas aquilo que sentem as pessoas ao seu redor.
Não é um romance-aventura sobre vampiros e lobisomens, mesmo que possa agradar os superficiais dessa categoria. Os livros mostram, pelo menos pra mim, uma historia de vida, seus exemplos, sua superação e suas liçoes. Te transporta por caminhos obscuros dentro de voce mesmo, te acende os sentimentos escondidos, te faz sentir o que o livro sente.
Enfim.
Leiam, se tiverem vontade e oportunidade.
Uma experiencia realmente incomparavel.
;)
segunda-feira, 30 de março de 2009
Eu precisava de um detalhe.
Como é claro o fato de que qualquer mínimo detalhe é capaz de mudar todo o rumo de um destino, todo o futuro de uma pessoa. Os 5 minutos de atraso pelo manhã, a mudança de calçada, o café na padaria, uma olhada no relógio, qualquer coisa, qualquer mínimo desvio de atenção da rota normal do tempo, e seu futuro pode ser drasticamente mudado.
Como é difícil se concentrar e mais ainda se acostumar em ser nada mais que um mero ser humano. Eu sempre quis mais, sempre quis tudo mais intenso, sentidos aguçados. Essas coisas de super-herói. Em certos momentos é muito frustrante ser uma mera e medíocre humana sem-graça.
Eu queria voar. Estar acima de todos os problemas, me esconder nos lugares mais altos pra poder pensar. Queria ser telepática, entender tantas das coisas que passam pela cabeça humana. Queria poder me teletransportar, estar perto e longe em questão de segundos. Queria mover as coisas sem toca-las, impedindo as quebras desnecessárias. Queria uma regeneração veloz, me curar das feridas rapidamente. E eu queria ver o futuro de cada decisão que eu tomasse, cada mudança de idéia me levando a caminhos diferentes, cada relance de atitude transformando meu destino.
Mas eu queria mesmo era me conformar com a idéia de ser uma mera humana.
A vida pra mim parece que caminhava de uma maneira diferente, uma frequencia paralela, um mundo à parte. A possibilidade de ver nos acontecimentos absolutamente naturais, alguma coisa especial. A capacidade de sentir no mundo um que de irreal.
Eu queria ser mais.
Eu queria...
Como é claro o fato de que qualquer mínimo detalhe é capaz de mudar todo o rumo de um destino, todo o futuro de uma pessoa. Os 5 minutos de atraso pelo manhã, a mudança de calçada, o café na padaria, uma olhada no relógio, qualquer coisa, qualquer mínimo desvio de atenção da rota normal do tempo, e seu futuro pode ser drasticamente mudado.
Como é difícil se concentrar e mais ainda se acostumar em ser nada mais que um mero ser humano. Eu sempre quis mais, sempre quis tudo mais intenso, sentidos aguçados. Essas coisas de super-herói. Em certos momentos é muito frustrante ser uma mera e medíocre humana sem-graça.
Eu queria voar. Estar acima de todos os problemas, me esconder nos lugares mais altos pra poder pensar. Queria ser telepática, entender tantas das coisas que passam pela cabeça humana. Queria poder me teletransportar, estar perto e longe em questão de segundos. Queria mover as coisas sem toca-las, impedindo as quebras desnecessárias. Queria uma regeneração veloz, me curar das feridas rapidamente. E eu queria ver o futuro de cada decisão que eu tomasse, cada mudança de idéia me levando a caminhos diferentes, cada relance de atitude transformando meu destino.
Mas eu queria mesmo era me conformar com a idéia de ser uma mera humana.
A vida pra mim parece que caminhava de uma maneira diferente, uma frequencia paralela, um mundo à parte. A possibilidade de ver nos acontecimentos absolutamente naturais, alguma coisa especial. A capacidade de sentir no mundo um que de irreal.
Eu queria ser mais.
Eu queria...
sexta-feira, 27 de março de 2009
"Mas, apesar da noite ter se passado implacavelmente, não foi a pior noite da minha vida. Eu tirei conforto disso. E eu não estava sozinha. Havia uma boa quantidade de conforto nisso também.
O medo de Charlie de descontroles emocionais evitou que ele viesse me checar, apesar de eu não ter ficado quieta - ele provavelmente não dormiu mais que eu.
A minha compreensão tardia parecia insuportavelmente clara essa noite. Eu podia ver cada erro que eu havia cometido, cada dano que eu havia causado, as coisas pequenas e as coisas grandes. Cada dor que eu havia causado a Jacob, cada ferida que eu havia dado a Edward, foram aumentando em pilhas organizadas que eu não podia ignorar e nem negar.
Eu eu me dei conta de que estive errada o tempo inteiro sobre os imãs. Não eram Edward e Jacob que eu estava tentando forçar a ficarem juntos, eram as duas partes de mim mesma, a Bella de Edward e a Bella de Jacob. Mas elas não podiam existir juntas, e eu nunca devia ter tentado.
Eu havia causado tanto dano.
Em algum ponto da noite, eu me lembrei da promessa que havia feito a mim mesma essa manhã - que eu nunca faria Edward ver vertendo outra lágrima por Jacob. Esse pensamento trouxe uma rodada de histeria que assustou Edward mais do que a choradeira. Mas isso passou também, quando teve que passar.
Edward disse pouco; ele só me segurou na cama e me deixou arruinar a camisa dele, pingando de água salgada.
Levou mais tempo do que eu esperava para aquela parte menor de mim, a parte quebrada, chorar tudo. Aconteceu, no entanto, e eventualmente eu fiquei exausta o suficiente pra dormir. A inconsciencia não trouxe alívio completo da dor, só uma calma entorpecida, como se fosse um medicamento. A tornou mais suportável. Mas ela ainda estava lá; eu estava consciente dela, mesmo adormecida, e isso me ajudou a fazer os ajustes que eu precisava fazer.
A manhã trouxe consigo, se não uma perspectiva mais clara, pelo menos uma medida de controle, alguma aceitação. Instintivamente, eu soube que a nova lágrima do meu coração sempre doeria. Isso simplesmente seria uma parte de mim agora. O tempo faria ser mais fácil - isso era o que todo mundo sempre dizia. Mas eu não me importava se o tempo me curasse ou não, contanto que Jacob pudesse melhorar. Pudesse ser feliz de novo."
[Eclipse]
Muito atraso aqui.
Mas muito ainda pra adiantar.
Volto!
O medo de Charlie de descontroles emocionais evitou que ele viesse me checar, apesar de eu não ter ficado quieta - ele provavelmente não dormiu mais que eu.
A minha compreensão tardia parecia insuportavelmente clara essa noite. Eu podia ver cada erro que eu havia cometido, cada dano que eu havia causado, as coisas pequenas e as coisas grandes. Cada dor que eu havia causado a Jacob, cada ferida que eu havia dado a Edward, foram aumentando em pilhas organizadas que eu não podia ignorar e nem negar.
Eu eu me dei conta de que estive errada o tempo inteiro sobre os imãs. Não eram Edward e Jacob que eu estava tentando forçar a ficarem juntos, eram as duas partes de mim mesma, a Bella de Edward e a Bella de Jacob. Mas elas não podiam existir juntas, e eu nunca devia ter tentado.
Eu havia causado tanto dano.
Em algum ponto da noite, eu me lembrei da promessa que havia feito a mim mesma essa manhã - que eu nunca faria Edward ver vertendo outra lágrima por Jacob. Esse pensamento trouxe uma rodada de histeria que assustou Edward mais do que a choradeira. Mas isso passou também, quando teve que passar.
Edward disse pouco; ele só me segurou na cama e me deixou arruinar a camisa dele, pingando de água salgada.
Levou mais tempo do que eu esperava para aquela parte menor de mim, a parte quebrada, chorar tudo. Aconteceu, no entanto, e eventualmente eu fiquei exausta o suficiente pra dormir. A inconsciencia não trouxe alívio completo da dor, só uma calma entorpecida, como se fosse um medicamento. A tornou mais suportável. Mas ela ainda estava lá; eu estava consciente dela, mesmo adormecida, e isso me ajudou a fazer os ajustes que eu precisava fazer.
A manhã trouxe consigo, se não uma perspectiva mais clara, pelo menos uma medida de controle, alguma aceitação. Instintivamente, eu soube que a nova lágrima do meu coração sempre doeria. Isso simplesmente seria uma parte de mim agora. O tempo faria ser mais fácil - isso era o que todo mundo sempre dizia. Mas eu não me importava se o tempo me curasse ou não, contanto que Jacob pudesse melhorar. Pudesse ser feliz de novo."
[Eclipse]
Muito atraso aqui.
Mas muito ainda pra adiantar.
Volto!
sexta-feira, 6 de março de 2009
Eu ia ter que levantar - pelo menos pra pegar uma coisa pra beber.
Mas o meu corpo só queria ficar aqui deitada, pra nunca mais levantar.
Ao invés de me mover, eu pensei um pouco mais em Julieta.
Eu iamginei o que ela teria feito se Romeu tivesse abandonado ela, não porque ele foi banido, mas porque ele havia perdido o interesse.
E se Rosalie tivesse feito ele se apaixonar de novo, e ele mudasse de idéia? E se, ao invés de casar com Julieta, ele tivesse desaparecido?
Eu pensei em como Julieta teria se sentido.
Ela não voltaria para a sua vida antiga, não mesmo. Ela não teria nem dado a volta por cima, disso eu tinha certeza. Mesmo se ela vivesse até estar velha e cinza, todas as vezes que ela fechasse os olhos, seria os olhos de Romeu que ela veria por trás das suas pálpebras. Ela teria aceitado isso, eventualmente.
Eu me perguntei se ela teria se casado com Paris, no final, só para agradar seus pais, pra manter a paz.
Não, provavelmente não, eu decidí. Mas também, a história não falava muito sobre Paris. Ele era só uma figura de canto - um segurador de vela, uma ameaça, uma última opção para forçá-la a casar.
E se houvesse mais pra Paris?
E se Paris fosse amigo de Julieta? O melhor amigo dela? E se ele fosse o único a quem ela pudesse confidenciar as coisas devastadoras sobre Romeu? A única pessoa que poderia realmente entendê-la e fazê-la se sentir meio humana de novo? E se ele fosse paciente e gentil? E se ele tomasse conta dela?
E se Julieta soubesse que não poderia sobreviver sem ele? E se ele realmente amasse ela, e quisesse que ela fosse feliz?
E... se ela amasse Paris? Não como Romeu. Nada assim, é claro. Mas o suficiente pra que ela quisesse que ele fosse feliz também?
(...)
Se Romeu realmente tivesse ido embora, pra nunca mais voltar, iria realmente importar se ela tivesse aceitado ou não a proposta de Paris? Talvez ela tivesse que se virar com as sobras da sua vida que foram deixadas pra trás. Talvez isso fosse o mais próximo da felicidade que ela pudesse chegar.
Eu suspirei, e depois gemí quando o suspiro arranhou minha garganta.
Eu estava lendo essa história demais. Romeu não ia mudar de idéia.
Era por isso que as pessoas ainda lembravam o nome dele, sempre entrelaçado com o dela: Romeu e Julieta. É por isso que era uma boa história. "Julieta é passada pra trás por Romeu e fica com Paris" nuca teria dado certo.
[minhas historias preferidas de todos os tempos]
Mas o meu corpo só queria ficar aqui deitada, pra nunca mais levantar.
Ao invés de me mover, eu pensei um pouco mais em Julieta.
Eu iamginei o que ela teria feito se Romeu tivesse abandonado ela, não porque ele foi banido, mas porque ele havia perdido o interesse.
E se Rosalie tivesse feito ele se apaixonar de novo, e ele mudasse de idéia? E se, ao invés de casar com Julieta, ele tivesse desaparecido?
Eu pensei em como Julieta teria se sentido.
Ela não voltaria para a sua vida antiga, não mesmo. Ela não teria nem dado a volta por cima, disso eu tinha certeza. Mesmo se ela vivesse até estar velha e cinza, todas as vezes que ela fechasse os olhos, seria os olhos de Romeu que ela veria por trás das suas pálpebras. Ela teria aceitado isso, eventualmente.
Eu me perguntei se ela teria se casado com Paris, no final, só para agradar seus pais, pra manter a paz.
Não, provavelmente não, eu decidí. Mas também, a história não falava muito sobre Paris. Ele era só uma figura de canto - um segurador de vela, uma ameaça, uma última opção para forçá-la a casar.
E se houvesse mais pra Paris?
E se Paris fosse amigo de Julieta? O melhor amigo dela? E se ele fosse o único a quem ela pudesse confidenciar as coisas devastadoras sobre Romeu? A única pessoa que poderia realmente entendê-la e fazê-la se sentir meio humana de novo? E se ele fosse paciente e gentil? E se ele tomasse conta dela?
E se Julieta soubesse que não poderia sobreviver sem ele? E se ele realmente amasse ela, e quisesse que ela fosse feliz?
E... se ela amasse Paris? Não como Romeu. Nada assim, é claro. Mas o suficiente pra que ela quisesse que ele fosse feliz também?
(...)
Se Romeu realmente tivesse ido embora, pra nunca mais voltar, iria realmente importar se ela tivesse aceitado ou não a proposta de Paris? Talvez ela tivesse que se virar com as sobras da sua vida que foram deixadas pra trás. Talvez isso fosse o mais próximo da felicidade que ela pudesse chegar.
Eu suspirei, e depois gemí quando o suspiro arranhou minha garganta.
Eu estava lendo essa história demais. Romeu não ia mudar de idéia.
Era por isso que as pessoas ainda lembravam o nome dele, sempre entrelaçado com o dela: Romeu e Julieta. É por isso que era uma boa história. "Julieta é passada pra trás por Romeu e fica com Paris" nuca teria dado certo.
[minhas historias preferidas de todos os tempos]
quinta-feira, 5 de março de 2009
segunda-feira, 2 de março de 2009
O sentimento que havia tomado conta de mim naquela tarde de Domingo tão ansiosamente esperada, que exigiu algumas horas de preparação pra que tudo fosse perfeito, não tinha nada a ver com alegria, felicidade; não tinha nada a ver com tudo que eu tinha planejado ou imaginado. Não tinha nada a ver com nada, era vazio. Me sentia profundamente frustrada, iludida com o pensamento de que, por algum estupido motivo, ele pudesse sentir o que eu sinto, mesmo que por uma fração de segundo. Mas não, estava enganada.
Acordei no dia seguinte consciente de que no fim das contas eu fingi que não era nada, que estava tudo bem, mas no mesmo segundo senti que a verdade não era essa. Que meras palavras não conseguem apagar as coisas da minha mente com a mesma facilidade com que terminam uma discussão. Ainda estava tudo ali, e talvez ainda mais forte, porque me sentia culpada por ter deixado pra lah. Me olhei no espelho e fiz imediatamente uma careta, eu era mesmo transparente, dava pra ver claramente que tinha alguma coisa de errado comigo.
Não tinha mais forças pra pensar, soh conseguia me sentir cada minuto mais estranha, uma mistura bizarra de frustração, irritação, culpa e ... qualquer coisa que eu não sabia identificar. Não consegui definir meu estado de espirito enquanto caminhava em direção ao ponto de onibus. O tempo era horrivel, e céu coberto por espessas nuvens escuras, sem nenhum sinal do sol, e em poucos minutos começou a chover. Claro, era tipico e até obvio, tinha mesmo que chover hoje, pra aumentar o clima pesado.
O onibus estava vazio, e eu me comodei desajeitadamente no banco com o melhor panorama. As fazendas, as montanhas cobertas de neve e os grandes pastos vazios. Vazia, era ssim que eu me sentia, e as gotas de chuva que batiam violentamente no vidro jah não me faziam ter vontade de chorar. Eu tinha acabado de me tornar indiferente à elas.
Anadava impacientemente em direção à casa, mas não por medo de me molhar com a chuva cada vez mais densa e fria. Não me importava, não me sentia quente de qualquer maneira. Corria pra casa como se fosse encontrar ali uma espécie de refugio, com a vaga esperança de que talvez ali eu pudesse ocupar meu tempo, parar de pensar. Enchi a banheira de agua quente, liguei o radio no mais alto volume possivel e me joguei na banheira cheia. Quem sabe assim eu não conseguiria mais ouvir meus pensamentos. Errado. Eles borbulhavam dentro da minha cabeça, que parecia ferver mais do que a agua extremamente quente na qual eu estava imersa. Não conseguia nem ao menos relaxar, mantive cada musculo do meu corpo tenso, os punhos fechados, o corpo incapaz de encontrar conforto. E mesmo que a temperatura da agua aquecesse minha pele, eu ainda me sentia fria, e tremia. Mais de nervoso que de frio.
Não era uma boa idéia ficar ali dentro, definitivamente. Me vesti muito lentamente. A velocidade da sucessão ininterrupta de pensamentos atrapalhava a minha coordenação, era como se eu me movesse mais mecanicamente que voluntariamente. Desliguei o radio, a musica tinha começado a me irritar. Procurei alguma coisa pra fazer que não exigisse muita concentração, não era apta a me concentrar naquele momento. Comecei a arrumar cuidadosamente as minhas gavetas, dobrando cada peça de roupa com a maior precisão, lembrando minha mãe que dizia: "Quando voce precisa arrumar algumas coisas na sua vida, comece pelo seu quarto". A corrente de pensamentos passava rapidamente por passado presente e futuro, me fazendo ver que esse vazio me era tristemente familiar. Mas eu não consegui me lembrar de como eu havia conseguido supera-lo. Não me lembrava mais de tanta coisa..
Era como se aquele vazio tivesse sempre estado ali.
E como se eu estivesse sempre disfarçando.
Acordei no dia seguinte consciente de que no fim das contas eu fingi que não era nada, que estava tudo bem, mas no mesmo segundo senti que a verdade não era essa. Que meras palavras não conseguem apagar as coisas da minha mente com a mesma facilidade com que terminam uma discussão. Ainda estava tudo ali, e talvez ainda mais forte, porque me sentia culpada por ter deixado pra lah. Me olhei no espelho e fiz imediatamente uma careta, eu era mesmo transparente, dava pra ver claramente que tinha alguma coisa de errado comigo.
Não tinha mais forças pra pensar, soh conseguia me sentir cada minuto mais estranha, uma mistura bizarra de frustração, irritação, culpa e ... qualquer coisa que eu não sabia identificar. Não consegui definir meu estado de espirito enquanto caminhava em direção ao ponto de onibus. O tempo era horrivel, e céu coberto por espessas nuvens escuras, sem nenhum sinal do sol, e em poucos minutos começou a chover. Claro, era tipico e até obvio, tinha mesmo que chover hoje, pra aumentar o clima pesado.
O onibus estava vazio, e eu me comodei desajeitadamente no banco com o melhor panorama. As fazendas, as montanhas cobertas de neve e os grandes pastos vazios. Vazia, era ssim que eu me sentia, e as gotas de chuva que batiam violentamente no vidro jah não me faziam ter vontade de chorar. Eu tinha acabado de me tornar indiferente à elas.
Anadava impacientemente em direção à casa, mas não por medo de me molhar com a chuva cada vez mais densa e fria. Não me importava, não me sentia quente de qualquer maneira. Corria pra casa como se fosse encontrar ali uma espécie de refugio, com a vaga esperança de que talvez ali eu pudesse ocupar meu tempo, parar de pensar. Enchi a banheira de agua quente, liguei o radio no mais alto volume possivel e me joguei na banheira cheia. Quem sabe assim eu não conseguiria mais ouvir meus pensamentos. Errado. Eles borbulhavam dentro da minha cabeça, que parecia ferver mais do que a agua extremamente quente na qual eu estava imersa. Não conseguia nem ao menos relaxar, mantive cada musculo do meu corpo tenso, os punhos fechados, o corpo incapaz de encontrar conforto. E mesmo que a temperatura da agua aquecesse minha pele, eu ainda me sentia fria, e tremia. Mais de nervoso que de frio.
Não era uma boa idéia ficar ali dentro, definitivamente. Me vesti muito lentamente. A velocidade da sucessão ininterrupta de pensamentos atrapalhava a minha coordenação, era como se eu me movesse mais mecanicamente que voluntariamente. Desliguei o radio, a musica tinha começado a me irritar. Procurei alguma coisa pra fazer que não exigisse muita concentração, não era apta a me concentrar naquele momento. Comecei a arrumar cuidadosamente as minhas gavetas, dobrando cada peça de roupa com a maior precisão, lembrando minha mãe que dizia: "Quando voce precisa arrumar algumas coisas na sua vida, comece pelo seu quarto". A corrente de pensamentos passava rapidamente por passado presente e futuro, me fazendo ver que esse vazio me era tristemente familiar. Mas eu não consegui me lembrar de como eu havia conseguido supera-lo. Não me lembrava mais de tanta coisa..
Era como se aquele vazio tivesse sempre estado ali.
E como se eu estivesse sempre disfarçando.
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