quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Quer dizer, eu ainda nem entendi exatamente o PORQUE de eu estar começando mais um blog que parece que não vai ser levado adiante. Mas o fato é que, não tendo ao meu lado alguém que ao menos se pareça com os meus amigos brasileiros que eu amo tanto, não existe uma outra maneira de me auto-analisar, a não ser escrever.
Sabe, é bem estranho o fato de eu ter sempre esperado que um dia aparecesse alguém com com que quisesse me relacionar seriamente, e agora que o encontrei, crio tantos quetionamentos sobre isso. Quer dizer, as coisas andam acontecendo mais ou menos como eu acredito (mas absolutamente não como eu acreditava ANTES) que devem acontecer, tudo ao seu tempo, sem pressa, sem fazer tudo correndo, meio que na filosofia “a gente vive apenas uma vez” e talz. Tudo começando como uma amizade que se tornou extremamente constante e foi se modificando. E olha onde a gente chegou. São 6 meses. E, mesmo que as pessoas que me conhecem aqui digam que sou “acida”, quer dizer, não sou um doce de pessoa; com ele não, sou sempre doce (!), sempre delicada. E é realmente estranho, porque pensando bem, mesmo no começo de tudo isso (que não sei como devo chamar: namoro/relacionamento/rolo) eu nem ia tanto assim com a cara dele. Na verdade ia sim, mas é que nunca entendi o porque de ele ser tão prestativo, disposto, educado, mesmo quando me viu pela primeira vez. Quer dizer, ele nem me conhecia! A gente não costuma ser assim legal quando acabou de conhecer alguém, pelo menos eu não costumo. E eu acabei meio com uma leve suspeita dele. E no fim, a gente sempre estava bem quando estava junto, via filmes, jantava fora, cozinhava, ria, contava nossa vida. Ele me ensinou muito (de italiano pra ser bem precisa). E me ajudou muito (conseguiu meu primeiro emprego aqui). E depois de um tempo, sabe, não tem como continuar sendo chata com alguém que é assim tão legal com a gente.
Eu realmente nem conversava com ele direito! E é tão estranho isso, porque eu converso praticamente com todo mundo, e com ele estava quase sempre quietinha. Mas ele sempre conseguia me fazer rir (o que fez ele ganhar tipo MUITOS pontos), sempre conseguia de um jeito ou de outro me fazer falar. E sempre entendia quando eu não estava bem, imediatamente, quando ele abria a porta da casa dele pra mim.
O fato é que tudo isso me preocupa, porque eu definitivamente não sou, MESMO, uma pessoa assim doce, calma e tranquila como sou com ele na maioria do tempo. Ou seja, ele não conhece meu lado estressado que pode ser muito, mas muito irritante. Como ele vai reagir quando descobrir que pareço uma louca de TPM constante? Quer dizer, eu não sou tipo um monstro, nem nada, é que não sou muito paciente, é isso. Eu SEI que é um defeito, ok? E venho demonstrado muito melhoramento na tentativa de amenizar isso, mas às vezes eu não consigo evitar, tenho o pavio mesmo muito curto.
Pelo menos ele sabe que sou ciumenta, quer dizer UM POUQUINHO.
O que, na verdade, fez a gente brigar também “um pouquinho”, assim de leve. Porque ele disse que eu não confio nele. O que é, totalmente, um absurdo!
Embora seja meio verdade.
Mas também, hoje em dia é muito dificil confiar nas pessoas, sabe. A gente sempre é feita de tonta por alguém e depois disso parece que a nossa habilidade natural de simplesmente confiar fica um pouco degenerada. Mas existe coisa mais normal no mundo? Quer dizer, quem é que nunca teve uma decepção marcante, daquelas que fazem a gente pensar 2094893748637168478249183 de vezes antes de confiar em qualquer coisa que não seja nosso fiel animal de estimação? Sabe, eu ainda tenho 21 anos, tenho tempo pra re-aprender a confiar.
Mas ele tem 32!!
E um filho de 5 anos.
E uma EX-MULHER.
(Se eu sempre tive os maiores problemas do mundo com ex-namoradas em geral, imagina uma ex-mulher, então.)
E tem essa coisa também, sabe. Assim, ele é tão mais velho! Quer dizer, ele poderia escolher melhor as pessoas com quem ele se relaciona, não? Vai se envolver justo com uma garota de 21 anos? Ele não pensou na quantidade de problemas que a diferença de idade pode causar? E depois, ele é lindo, poderia estar saindo com qualquer beldade madura. Mas nãããããão, tem que sair comigo, a pessoa mais complicada da face da Terra!
Ele deve ser meio cego.
Eu sempre duvidei muito, sabe, que ele pudesse realmente SENTIR alguma coisa por mim. Seria tão estranho! Mas um dia ele disse: “Voce não percebe que, mesmo depois que voce mudou de casa, continuo indo te buscar pra gente sair, ou mesmo pra estar em casa sem fazer nada, pra dormir juntos, fico inventando maneiras de te divertir, sempre cozinho pra gente, te ligo, te mando mensagens todos os dias, até reservei um Hotel no Natal pra te levar pra esquiar e ver a neve, que voce é tão ansiosa pra ver? Isso não deveria significar alguma coisa?”
Devia? O que, que ele gosta de mim? Mas, tipo, MESMO?
…
Né, acho que demonstra alguma coisa, afinal.
Mesmo que eu não saiba exatamente que coisa.

Acho que penso demais.
Preciso me esforçar mais pra não fazer TANTO isso o tempo todo.


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