
Uma noite de reencontros, matar as saudades, falar sobre nada e rir de tudo. Mas quanto mais se aproximava a hora de dizer boa noite, mais o clima da noite mudava, o os olhares corriam mais rápido de um canto ao outro da casa, de uma pessoa à outra, se demorando um pouco mais nos olhos dele.
Mais algumas horas e o dia ia começar a dar o ar de sua graça e quando chegou o momento cada um foi se despedindo devagar.
"Vamos tomar a saideira".
"Vai, sò mais uma".
"A gente se vê".
"Falou, hein. Tchau!".
Alguns ainda perdidos na sala, outros cantando músicas de bêbado na calçada, os demais que restaram já roncavam no sofá. E, como sempre, sobraram eles dois. Ele foi liberar a cama da bagunça, cama que seria dela essa noite. Ela foi ao banheiro. Desavisados se trombaram no corredor, e se viram lado a lado através do espelho.
"Desculpa, não te vi".
"Nada. A cama tà pronta. Então boa noite".
Os olhos se cruzaram de relance. Eles nunca sabiam o que fazer nesses momentos.
Um beijo no rosto, uma mão nas costas que acabou num abraço. Um abraço desajeitado.
Quando eles se viram dentro daquele abraço, congelaram. E là estava ele, o familiar frio no estômago que era tão comum alguns anos atrás.
A mão dele foi descendo suave pelas costas dela, enquanto as mãos delas encontraram a nuca dele. A quanto tempo os seus corpos não se encontravam!
Na tentativa de se afastar, se olharam. E o olhar esquentou os dois. O abraço não sabia se desfazer, e as mãos continuavam acostumadamente sua rota. Não existia mais controle, vergonha, distância, passado. Existia sò aquele momento.
Ela reviu os olhos dele de perto. Quanto havia sentido falta daqueles olhos. Quanto aqueles olhos tinham significado pra ela. Quanta coisa ainda existia là dentro pra se ver. Ela quis mergulhar de novo naquele olhar, mas foram os lábios que se aproximaram. Se tocaram com delicadeza, e o calor virou fogo. Sò então, naquele momento, eles prestaram atenção. As mãos dele que abraçavam a cintura dela. As mãos dela que acariciavam a nuca dele. Todo o corpo de cada que um tocava o corpo do outro, e cada pedacinho desse contato queimava, acendia dentro deles a chama que tinha sido apagada muito tempo antes, fazia perder de novo o controle conquistado com tanto esforço.
E junto com aquele fogo veio também a raiva, e o beijo, que tinha começado suave, se tornou agressivo. Ela sentia raiva por tudo que tinha acontecido, ele por não ter re-beijado aquela boca antes. As mágoas, as decisões erradas, a distância, tudo isso se misturava com aquela vontade que eles escondiam deles mesmos.
As mãos tomaram vontade própria, e exploravam cada pedaço daquele corpo que ela conhecia à memória como se fosse a primeira vez. Enquanto ele, naquele momento, sò queria uma coisa: ama-la de novo, mesmo se aquela fosse a última vez.
Foram se tocando e se beijando em direção à cama. Cada toque aumentava o fogo, cada segundo daquele beijo fazia querer mais. Eles se desejavam como se nunca tivessem se desejado antes, e como se desejar-se era a unica coisa que eles tivessem feito na vida. Enquanto se beijavam, ela descontava todo a raiva e os "por ques" que ela ainda tinha, levantava a camiseta dele e desabotoava a calça. Ele puxava o corpo dela pra perto dele, pra sentir mais forte aquele fogo. Ela se sentou e, enquanto desabotoava botão por botão da sua camisa, olhava pra ele. E ele a tocava. Mas eles não pensavam, fazia muito calor pra se pensar. Ela tirou a camisa, deixando visível o corpo que ele adorava, os traços particulares que ele não esquecia. Ela tirou a camiseta dele e foi jogando cada pedaço de roupa no chão. Os corpos se tocavam, agora nus, e as mãos se encontraram. Tinha fogo e magia em todos os lugares, os olhos espelhavam isso.
Os lábios dele passearam pelo corpo dela, desfrutando cada ângulo, o pescoço, os ombros, os seios, a barriga. Ela acompanhava esses passos, enquanto passava suavemente as unhas pelas costas dele e o fazia arrepiar. Ele foi pra cima dela e parou por um segundo. Ele queria admira-la, queria ter certeza de que aquilo estava acontecendo, e queria ver nos olhos dela que ela também queria ir até o fim. Ela passou a mão pelos cabelos dele e sorriu, passou as pernas ao redor do corpo dele e o puxou pra perto.
Aì então, de novo eles se tornaram um sò. Sentiam a unidade dos corpos em cada movimento, e a unidade de almas em cada olhar, cada suspiro, cada gemido de prazer. Naqueles longos minutos reviram toda a história deles, todas as vezes que fizeram amor, todo aquele passado que tinha sido fechado dentro da memória. Sentiam prazer não sò por estarem transando, mas porque aquela noite valia por todas as outras passadas juntos.
Se amaram mil vezes, de novo e de novo, até chegarem juntos ao orgasmo. Se olharam e riram. Um riso descontrolado e satisfeito. Se abraçaram, naquela posição que sempre se abraçavam quando dormiam juntos, e adormeceram com aquela pontinha de sorriso no rosto, com a expressão tranqüila e a alma lavada.
Não tinha sido difícil dormir, depois de tudo.
Mas com certeza seria difícil acordar.
"Quero lhe beijar a boca
morder seus lábios
e brincar sua língua na minha.
Quero lhe beijar a nuca
lhe arrepiar inteiro
encostar meu peito no seu
até os corações se compassarem
as mãos entrelaçadas suarem.
Quero um abraço eterno
de guardar seu cheiro na minha pele.
Quero me queimar no seu fogo
e guardar pra sempre a cicatriz escarlate
desse nosso reencontro."
[Léa Waider]
Em primeiro lugar: sorte que poucos italianos manjam português. Ao menos os conhecidos.
ResponderExcluirSegundo: Publicando uma coletânea vc colocaria no chinelo clássicos de muitos famosos.
Terceiro: Cenas tão reais que conseguimos visualizar.
Faço das palavras do Tan as minhas rsrs...principalmente : "Publicando uma coletânea vc colocaria no chinelo clássicos de muitos famosos".
ResponderExcluirVocê escreve perfeitamente bem...eu morro de saudade de você! e te admiro muito! tenho dito rsrs
beijosss