
Era aquele o momento; Aquele preciso momento que ele havia esperado, calculado, programado, ensaiado e refletido em cada detalhe. Era chegada a hora de colocar pra fora o que ele havia guardado, era hora de dizer com todas as palavras que ela havia mudado a sua vida, e que ele já não via como poderia viver sem ela.
Se ela tivesse percebido antes, ah, se ela tivesse visto a cintila dentro daqueles olhos negros quando olhavam pra ela! Se ela tivesse olhado pra trás pelo menos uma das milhões de vezes em que ele se petrificava enquanto ela levantava e girava os cabelos ao vento. Se ela tivesse reparado que todos os conselhos amorosos que ele deu, na verdade serviam somente pra ele mesmo: "Se você gosta de alguém, tem que correr atrás. Não deixe que a felicidade corra mais rápido, não deixa ela fugir de você."
Ele não podia deixa-la fugir, ele tinha que agarrar aquela unica (e ele sabia muito bem que aquela seria a ultima) oportunidade.
Enquanto ela terminava de colocar os livros na bolsa, seus cabelos caíram nos seus olhos, e ela de novo não pode ver todo o esforço que ele estava fazendo pra parecer natural.
"Você lembra onde eu coloquei minha lapiseira? Não acho de jeito nenhum". Ela era linda mesmo quando era desajeitada, estabanada, e ela era sempre. O que permitia que, às vezes, ele pudesse fazer o herói e evitar que ela caísse, escorregasse, fosse atropelada ou esquecesse o celular em cima do balcão do bar. Mas o que ela não via (como, se era assim tão óbvio?) era que ele seria o herói dela pra sempre, ele iria salva-la de sua vida dedicada a estudos e porres, e noites de sexta na frente da TV. Ele a seguraria todas as vezes que ela ameaçasse cair, ele nunca permitiria que ela se machucasse. Ela tinha se machucado muitas vezes, e ele iria cuidar de todas aquelas lágrimas da madrugada dela.
Mas ela nunca tinha visto isso, ela nunca havia percebido que além da pose de difícil se escondia um sentimento que tinha lutado com todas as suas forças pra não aflorar. Ele tinha ignorado, tinha sido indiferente, tinha lutado e no fim das contas, se rendeu. Agora ele precisava colocar isso tudo pra fora, antes que ele explodisse.
Ele abaixou e pegou a lapiseira que estava logo em baixo da cadeira que ela estava sentada, extendeu-a na frente daqueles cabelos e os olhos que olhavam pro chão, e nem assim, mesmo que estivesse na frente dela, ela não viu. Ele colocou as mãos no queixo dela e levantou seu rosto bem devagar.
"Era isso que você estava procurando? Aqui está, e sempre esteve aqui bem embaixo do seu nariz, era sò você querer enxergar". Ela não entendeu o porque daquela complementação da frase, a lapiseira não tinha estado o tempo todo ali, ela teria visto, ela teria percebido, ela...
Ela olhou dentro da cintila daqueles olhos negros e viu, toda aquela onde de coisas não ditas e de palavras escondidas, toda a força daquele sentimento que ela sempre quis ver, mas não abria os olhos suficientemente pra isso.
E pela proximidade ela sentiu o calor que vinha dele, o respiro ansioso, aqueles olhos que não paravam mais de cintilar.
Não foi preciso dizer mais nada, eles haviam percebido que estavam condenados ao fracasso, mas se prometeram em silêncio que lutariam até o fim daquela guerra.
Pootz...
ResponderExcluirTotalmente demais...
Anda lendo demais, garotinha.
hehehe
Por falar nisso, depois tenho que te contar a idéia que tive... ou não...
Achei divino. Passou o sentimento dos dois personagens de forma única. Adorei e virei fã. :) Falando nisso, o nome do meu blog lembra isso aí. Esses sentimentos ocultos serviram de impulso para eu criar um blog pra mim. E quanta saudade, Carol! Grande beijo! [ nasinterna.blogspot.com ]
ResponderExcluir... assim que eu pegar meu queixo no chão, eu te digo o que achei...
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