sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Pois é, meu bem, meu Natal foi mesmo demais.
Muito frio (seria burrice pedir de menos), 4 horas de esqui e cerca de 1h e meia EM CIMA deles. Meu Deus, quantas vezes eu fui de cara, de lado, de bunda no chão!
Mas quaanto eu me diverti!
E neve é fria (jura?) e branquinha (fora as bitucas de cigarro e as embalagens de luvas térmicas). Parecia que eu estava num carrinho gigante de raspadinha, ou no grande congelador que tinha em casa quando eu era pequena. Eu adorava pegar as raspas de gelo dali e brincar, pensando que a neve poderia ser pelo menos parecida com aquilo.
O melhor de todos os tombos era saber que sempre tinha o Emiliano ali pra me segurar e me puxar pelas mãos pra aprender a me mover naquelas duas paletas gigantes que são os esquis. E, sem nenhuma verginha na cara, confesso que incontaveis vezes me deixar levar pelo suposto tombo soh pra ir de encontro aos braços fortes e quentinhos que ele tem.
Natal historico, esse.
E ainda tem a promessa de uma "semana branca", em Janeiro.








Mistérios insondáveis da humanidade

Há um punhado de coisas sobre a vida e o mundo que vão além de minha pobre compreensão.

Por que, Deus, por quê…

… todo mecânico tem nome no aumentativo?

… em todo filme do Bruce Willis, ele foi deixado pela mulher?

… todo endereço de web que você “chuta”, botando a palavra-chave depois do www e antes do ponto-com, cai em sites pornôs, de transportadoras ou de cabelereiros (!!!) - este último, caso de www.matrix.com?

… tem gente que pronucia o U em "questão" - geralmente as mesmas pessoas que fazem símbolos de aspas com os dedos, ao falar?

… ainda toca Van Halen na rádio?

… o Capital Inicial, a Daniela Mercury e a Fernanda Abreu vendem tantos discos?

… nove entre 10 psicopatas têm como livro de cabeceira "O Apanhador no Campo de Centeio"?

Aguardo explicações.

sábado, 20 de dezembro de 2008

“Operação reserva no hotel de esqui completada”. Adooro!
Isso significa que vou mesmo esquiar no Natal. Quer dizer, que vou TENTAR esquiar no Natal. Tenho certeza que vai ser um desastre. Mas é alguma coisa, enfim.
Ando meio desanimada, então seria legal fazer alguma coisa diferente. Ando MUITO desanimada, pra dizer a verdade. E eu nem gosto muito de escrever quando estou assim. Quer dizer, pra que escrever coisas pessimistas, que é como ando me sentindo?
Mas sabe, escrever é uma das coisas que eu mais gosto no mundo. Acho que é uma maneira de esclarecer melhor pra mim mesma os meus sentimentos e pensamentos. Por isso acabo escrevendo mesmo quando estou pra baixo. Quer dizer, PRINCIPALMENTE nessa ocasião.
Me sinto um pouco Mia Thermopolis, de “O Diario da Princesa”. Não que eu tenha descoberto que meu pai é principe de algum lugar da Europa, quem dera! O problema é que, como ela, me sinto uma pessoa completamente sem-talentos e, se isso não fosse suficientemente ruim, ainda me sinto rejeitada. E sozinha. Especialmente sozinha.
Eu era louca pra vir pra Italia e tal, e realmente sou apaixonada por Roma, que é uma cidade maravilhosa. Mas as pessoas... Ah, as pessoas! Nunca achei que fosse encontrar aqui, primeiro-mundo, pessoas tão racistas e até ignorantes. Estrangeiros pra eles são inferiores, e ninguém no mundo tem mais direitos e menos deveres que eles, ELES, os tão importantes italianos de merda.
Ok, não vamos generalizar, tem muita gente legal aqui, até arrisco a dizer que conheça algumas pessoas que são gente de verdade. Pode ser que o problema seja o lugar que vim morar. Quer dizer, não se pode esperar tanto refinamento intelectual de um bairro extremamente pequeno, na roça, digamos assim. Mas, pelo que eu conheço do resto da cidade e de outros estrangeiros que moram aqui, a coisa é mesmo geral. O povo italiano anda de saco cheio de tanto estrangeiro aqui roubando, matando, fazendo bagunça e pegando os empregos e AS MULHERES que eram pra ser deles, os “poderosos chefoes”.
Tsc.
Sinceramente, onde é que eles estão com a cabeça, meu Deus?
Eu até entendo a revolta contra os estrangeiros “ruins”. Mas eu? Eu vim aqui pra estudar, pra trabalhar, pra conhecer, não pra fazer nenhum tipo de bagunça. Precisa me tratar mal? Precisa me humilhar?
Hoje meu querido patrão me tratou mal pela milésima vez e eu pensei: “Deus, me de paciencia, porque se o Senhor me der força, eu arrebento ele!”. Porque, meu, o que foi que eu fiz? Quer dizer, eu não fiz nada pra merecer esse tratamento.
Maaas, tudo bem, tudo bem. Calma, senhor Marco. Eu vou me mandar quando o senhor menos esperar, voce vai ver.
Cheguei a conclusão que engulo sapo por pura falta de vontade de brigar ou criar uma discussão. Meio que fujo de situaçoes que exigiriam respostas enérgicas da minha parte. E às vezes eu nem sei porque faço esse tipo de coisa. Quero dizer, fugir assim das pessoas. Acho que eu tenho preguiça, se é que é possivel ter preguiça das pessoas. Acho que sim, quando a maioria se mostra assim tão superficial e sem cérebro. Não consigo me relacionar socialmente com pessoas sem alma, VAZIAS.
Tenho uma preguiça tão grande de dizer: “Ma che cazzo stai a di?”, começar uma discussão e depois ter que dizer um por um todos os mil sapos que engoli, e porque meu pavio anda assim tão curto, e porque não aguento mais uma gota d’àgua, meu copo transbordou faz tempo. Alias, esse é um comportamento muito frequente da minha parte. Quer dizer, não dizer nada do que sinto pra encurtar o términe de uma discussão. Eu sempre acho que as pessoas não vão me entender e tal. Posso chamar isso de “fugir”, às vezes, considerando que em muitas situaçoes, resolvi acabar com tudo desaparecendo. Funciona, mas incomoda depois que a gente faz isso muitas vezes.
Falando nisso, o que vou dizer pro Emiliano quando finalmente comprar minha passagem pra Australia (ou qualquer outro lugar)? Simplesmente vou embora? Não posso fazer isso.
Quer dizer, ele se tornou uma pessoa muito importante pra mim, mas não deixaria de ir embora por causa dele. Não por enquanto. Claro, existe a possibilidade de eu me apaixonar o botar tudo a perder. Porque, quando eu me apaixono, eu fico tão burra!
E chega a ser até engraçado quando acaba, porque eu vejo quanto penso irracionalmente quando gosto de alguém.
Espero que isso não aconteça.
Não que eu possa, depois de todo esse tempo, fazer alguma coisa pra evitar.
O que me resta é torcer!

quarta-feira, 17 de dezembro de 2008

Quer dizer, eu ainda nem entendi exatamente o PORQUE de eu estar começando mais um blog que parece que não vai ser levado adiante. Mas o fato é que, não tendo ao meu lado alguém que ao menos se pareça com os meus amigos brasileiros que eu amo tanto, não existe uma outra maneira de me auto-analisar, a não ser escrever.
Sabe, é bem estranho o fato de eu ter sempre esperado que um dia aparecesse alguém com com que quisesse me relacionar seriamente, e agora que o encontrei, crio tantos quetionamentos sobre isso. Quer dizer, as coisas andam acontecendo mais ou menos como eu acredito (mas absolutamente não como eu acreditava ANTES) que devem acontecer, tudo ao seu tempo, sem pressa, sem fazer tudo correndo, meio que na filosofia “a gente vive apenas uma vez” e talz. Tudo começando como uma amizade que se tornou extremamente constante e foi se modificando. E olha onde a gente chegou. São 6 meses. E, mesmo que as pessoas que me conhecem aqui digam que sou “acida”, quer dizer, não sou um doce de pessoa; com ele não, sou sempre doce (!), sempre delicada. E é realmente estranho, porque pensando bem, mesmo no começo de tudo isso (que não sei como devo chamar: namoro/relacionamento/rolo) eu nem ia tanto assim com a cara dele. Na verdade ia sim, mas é que nunca entendi o porque de ele ser tão prestativo, disposto, educado, mesmo quando me viu pela primeira vez. Quer dizer, ele nem me conhecia! A gente não costuma ser assim legal quando acabou de conhecer alguém, pelo menos eu não costumo. E eu acabei meio com uma leve suspeita dele. E no fim, a gente sempre estava bem quando estava junto, via filmes, jantava fora, cozinhava, ria, contava nossa vida. Ele me ensinou muito (de italiano pra ser bem precisa). E me ajudou muito (conseguiu meu primeiro emprego aqui). E depois de um tempo, sabe, não tem como continuar sendo chata com alguém que é assim tão legal com a gente.
Eu realmente nem conversava com ele direito! E é tão estranho isso, porque eu converso praticamente com todo mundo, e com ele estava quase sempre quietinha. Mas ele sempre conseguia me fazer rir (o que fez ele ganhar tipo MUITOS pontos), sempre conseguia de um jeito ou de outro me fazer falar. E sempre entendia quando eu não estava bem, imediatamente, quando ele abria a porta da casa dele pra mim.
O fato é que tudo isso me preocupa, porque eu definitivamente não sou, MESMO, uma pessoa assim doce, calma e tranquila como sou com ele na maioria do tempo. Ou seja, ele não conhece meu lado estressado que pode ser muito, mas muito irritante. Como ele vai reagir quando descobrir que pareço uma louca de TPM constante? Quer dizer, eu não sou tipo um monstro, nem nada, é que não sou muito paciente, é isso. Eu SEI que é um defeito, ok? E venho demonstrado muito melhoramento na tentativa de amenizar isso, mas às vezes eu não consigo evitar, tenho o pavio mesmo muito curto.
Pelo menos ele sabe que sou ciumenta, quer dizer UM POUQUINHO.
O que, na verdade, fez a gente brigar também “um pouquinho”, assim de leve. Porque ele disse que eu não confio nele. O que é, totalmente, um absurdo!
Embora seja meio verdade.
Mas também, hoje em dia é muito dificil confiar nas pessoas, sabe. A gente sempre é feita de tonta por alguém e depois disso parece que a nossa habilidade natural de simplesmente confiar fica um pouco degenerada. Mas existe coisa mais normal no mundo? Quer dizer, quem é que nunca teve uma decepção marcante, daquelas que fazem a gente pensar 2094893748637168478249183 de vezes antes de confiar em qualquer coisa que não seja nosso fiel animal de estimação? Sabe, eu ainda tenho 21 anos, tenho tempo pra re-aprender a confiar.
Mas ele tem 32!!
E um filho de 5 anos.
E uma EX-MULHER.
(Se eu sempre tive os maiores problemas do mundo com ex-namoradas em geral, imagina uma ex-mulher, então.)
E tem essa coisa também, sabe. Assim, ele é tão mais velho! Quer dizer, ele poderia escolher melhor as pessoas com quem ele se relaciona, não? Vai se envolver justo com uma garota de 21 anos? Ele não pensou na quantidade de problemas que a diferença de idade pode causar? E depois, ele é lindo, poderia estar saindo com qualquer beldade madura. Mas nãããããão, tem que sair comigo, a pessoa mais complicada da face da Terra!
Ele deve ser meio cego.
Eu sempre duvidei muito, sabe, que ele pudesse realmente SENTIR alguma coisa por mim. Seria tão estranho! Mas um dia ele disse: “Voce não percebe que, mesmo depois que voce mudou de casa, continuo indo te buscar pra gente sair, ou mesmo pra estar em casa sem fazer nada, pra dormir juntos, fico inventando maneiras de te divertir, sempre cozinho pra gente, te ligo, te mando mensagens todos os dias, até reservei um Hotel no Natal pra te levar pra esquiar e ver a neve, que voce é tão ansiosa pra ver? Isso não deveria significar alguma coisa?”
Devia? O que, que ele gosta de mim? Mas, tipo, MESMO?
…
Né, acho que demonstra alguma coisa, afinal.
Mesmo que eu não saiba exatamente que coisa.

Acho que penso demais.
Preciso me esforçar mais pra não fazer TANTO isso o tempo todo.