domingo, 16 de janeiro de 2011

Looping;



As vezes acho que eu mudei demais. Talvez nem todas as minhas mudanças eram necessárias, e talvez as mudanças principais ainda não aconteceram. Ultimamente parece que me falta ar, que eu não sou tão livre quanto gostaria. Mas eu não sou mesmo?
Pensamos que o rumo da vida seja tanto fácil quanto obvio, e depois nos surpreendemos com medo do passo seguinte.
Eu nunca tive medo do casamento porque eu nunca tive um relacionamento intenso o bastante pra chegar a pensar no que a vida de casados comporta. A mesma coisa com os filhos. Muito fácil falar, mas quando falamos nunca temos noção do que nos espera. Renúncias, impossibilidade de realizar os próprios sonhos, falta de tempo pra si mesmos e falta de paz (principalmente).
Recentemente fui pedida em casamento, e esperava por esse momento desde que eu conheci o Emi. Mas agora parece que bateu o pânico. Será que eu fui livre o bastante? Será que eu vivi tudo o que eu tinha pra viver? Será que a vida reservaria pra mim muitas outras coisas se eu tivesse esperado?
Será que eu estou pronta pra dar um passo quilométrico na minha vida bem agora que eu comecei a realizar os meus sonhos, aos 23 anos?
Enquanto eu penso o tempo passa, a dúvida do meu amor pelo meu futuro marido não cresce, mas me pego pensando se eu não sou egoísta demais por enquanto...

domingo, 28 de novembro de 2010

Eu não acho que minha mãe não gosta de mim;


Eu não acho que ela nunca me amou, que nunca esteve do meu lado. Eu acho que ela nào pôde demonstrar tanto quanto ela gostaria (e vice-versa).

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Nairobi;

Uma incompreensão amorosa, um pouco pra pensar, um computador e muito tempo.
Encontrar uma conexão Wi-Fi aberta não é um problema por aqui, qualquer Mc Donald's tem. E em alguns deles é possível inclusive ligar a fonte na tomada. (Y)
Enquanto procurava alguma coisa pra me distrair na internet, uma garota se aproxima da minha mesa com uma bandeja na mão. Meio tímida, me cutuca e faz sinal de "oi". Tiro o fone de ouvido pensando: "Sera que eu a conheço?", e ela prontamente me tira a curiosidade: "Queria saber se te incomodo se me sentar pra comer aqui. Não tem mais nenhuma mesa livre". "Magina, fica à vontade".
Não sabia se colocar os fones de novo ou puxar conversa e de novo foi ela que me tirou a dúvida: " Você é italiana?". Aqui essa é uma pergunta extremamente comum, vista a grande quantidade de estrangeiros que encontramos em todos os lugares. "Não, sou brasileira". "JURA? Não parece!". Normal, quantas vezes ouvi isso! "E você, de onde é?". Nunca tinha visto uma garota tão negra e tão linda em toda a minha vida. "Nairobi, Quênia".
E assim começamos a entrevista.

- A quanto tempo você mora em Roma?
- Cheguei faz mais ou menos 6 anos. Saí de Nairobi e fui pra Londres, mas não era muito a minha cara. Muita chuva, muito cinza. Pensei que Roma pudesse ser mais alegre, mais parecido comigo.

- E pensou certo?
- Olha, sinceramente ainda não sei responder. Gosto de Roma, da história, das ruínas, de muitas coisas, Mas também tem muitas outras que não gosto, como em qualquer outro lugar do mundo que eu morasse.

- Por exemplo?
- O racismo em primeiro lugar, com certeza. A mentalidade fechada e antiga, o machismo. Mas não posso generalizar, existe muita gente boa também.

- E por que resolveu ir embora do Quênia?
- Fácil, nasci e vivi até os 16 anos na maior favela da África, Kibera. Não sou uma garota feia e não era fácil suportar as tentativas de agressão. Comecei a trabalhar numa fábrica de cigarros e, mesmo ganhando uma mixaria, consegui sair dali e levar minha mãe comigo, deixando meu pai bêbado pra trás. Dois meses depois, minha mãe morreu de câncer no pulmão. Eu estudava e não queria largar a escola, mas era difícil tocar a vida sozinha. Fui morar numa casa de idosos, onde era voluntária. Fiz muitos amigos ali e me envolvi com causas políticas, manifestar, lutar pra melhorar meu país. Mas precisava ser alguém na vida. Conheci um cara num bar que me ofereceu um trabalho como modelo. E assim cheguei a Londres.

- Num bar? Você não teve medo que fosse uma proposta falsa?
- Claro, mas no meio de toda a bagunça que estava a minha vida, era impossível não ver aquela proposta como uma grande oportunidade pra sair dali. Quando cheguei em Londres descobri que o cara era realmente um agente, fiz alguns trabalhos muito bem remunerados e fui tratada muito bem. Tive muita sorte, na verdade. Ele podia ser um psicopata e eu tive que confiar na palavra dele, era tudo o que eu tinha. No fim das contas eu fui percebendo que aquele não era o tipo de coisa que me faria feliz. Ser modelo significa ter uma vida fútil, sem possibilidade de vínculos afetivos por estarmos sempre viajando. Não era meu tipo de trabalho ideal. Mas, como eu disse antes, era tudo o que eu tinha. Esse meu agente me ajudou muito, perguntou o que eu queria fazer da minha vida e eu disse que queria estudar. Assim, ele me inscreveu num cursinho aqui em Roma. Já se passaram 6 anos...

- E agora o que você faz em Roma?
- Fiz 2 anos de cursinho pra poder aprender bem o italiano (ela falava italiano perfeitamente) e agora faço faculdade de artes plásticas. E você, o que veio fazer em Roma?
- Mais ou menos a mesma coisa, vim pra estudar. Mas por enquanto estão dificultando muito pro meu lado. Você também pensa às vezes o que você estaria fazendo agora se tivesse ficado no seu país?
- Penso, mas tenho certeza que não teria chegado nem na metade do caminho que eu trilhei até agora. A vida no terceiro mundo não é fácil, queria que mais pessoas de Kibera tivessem a mesma oportunidade de crescer como eu tive. Infelizmente o que eu posso fazer é acreditar que um dia as coisas serão diferentes, e quem sabe serão mesmo...

Se foram 4 horas de conversa. Aquela menina-mulher dos olhos mais negros que eu já vi me mostrou que somos muitos que enfrentam problemas, que passam por dificuldades, que às vezes tem vontade de desistir. Mas em 4 horas de conversa me mostrou também que os sonhos são a coisa mais importante que temos, a que exige mais esforço, mas a que dà a maior satisfação. E que, com um pouco de força de vontade, muita luta e um pouco de sorte, podemos fazer dos nossos sonhos a força e a estrada pra chegar onde queremos...

segunda-feira, 13 de setembro de 2010

Anybody else;

Não sei dizer se fui eu que mudei ou foi o mundo que me mudou. O mundo e o tempo..
Aqui até o meu nome é diferente. Não sou a Carol, e sim a Càrol com o "L" no céu da boca. No começo eu gostava disso, de me sentir outra pessoa. Mas de repente a minha ficha caiu. Se eu mudo de pessoa, perco minha identidade. E me perco...

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Mom;


"Every step I take
Every move I make
Every single day
Everytime I pray
I'll be missing you"



Sinto falta do que nunca tivemos, e do que nunca vamos ter...

sábado, 26 de junho de 2010

Childless;

Quando ouvi falar do movimento denominado "Childless", pude compreender perfeitamente do que se tratava: Pessoas que, por motivos vários, não podem ter filhos. Sempre quis ser mãe, e a idéia de que um dia minha ginecologista me diga que eu sou estéril me aterroriza.
Mas quando eu li sobre o "Childfree", demorei um pouco mais pra assimilar a idéia. Se trata de um movimento criado por pessoas que, pelos mais variados motivos, não querem ter filhos. Mas o que "me irritou" foi a expressão "free". Por que criar um movimento "Livres de filhos"? A primeira palavra que me passou pela cabeça foi: Egoísmo. Cheguei a fazer uma comparação não muito eficaz: é como se, em contrapartida ao movimento dos "Sem-Terra" surgisse o movimento dos "Tenho grana pra comprar casa, mas não quero. E SOU ORGULHOSO DISSO AO PONTO DE CRIAR UM MOVIMENTO PRA TIRAR SARRO DE QUEM Não PODE COMPRAR A PRÓPRIA CASA". Ok, exagerei.
Ter filhos ou não é uma escolha, como tantas outras que somos livres de fazer na nossa vida. Cada um faz da própria vida o que bem quiser. Meu problema é que eu sou perfeitamente capaz de entender o fato de alguém criar um movimento contra o fato de querer alguma coisa e não poder ter, mas não entendo muito bem um movimento que diz "Posso ter, mas não quero". Ainda mais quando o movimento toma proporções absurdas.Em algumas cidades inglesas muitos restaurantes, lojas ou outros tipos de atividades comerciais começaram a colocar na porta o cartaz: "Proibida a entrada de animais E DE crianças".
Voltando ao fato de eu sempre ter tido vontade de ser mãe, até entendo as pessoas que optam pelo contrário. Algumas pessoas não querem "atrapalhar" o relacionamento, outras querem se dedicar à realização profissional, outras simplesmente querem dedicar toda a sua vida à si mesmas, e outras ainda nunca gostaram de crianças. Uma amiga minha me disse uma vez: "A vida é muito curta. Se eu tiver um filho, minha vida vai ser dedicada a ele, e eu quero dedicar minha vida à mim mesma". Ok, entendo perfeitamente. Muitas vezes eu mesmo me pego pensando se um dia eu não vou me arrepender, se vou continuar tendo tempo pra mim mesma e pro meu companheiro, se a ingratidão típica do filhos não vai me fazer odiar o fato de ter escolhido ser mãe, ou se o fato de eu ter uma familia (dito pais-filhos-irmãos) muito turbada não vai me condicionar a ser uma péssima mãe. Mas a minha vontade de ser mãe, que eu chamo erroneamente de instinto materno, é mais forte e pode sobreviver a todas essas dúvidas com o simples sorriso do meu futuro filho ou filha.
"Childfree" é um tapa na cara dos casais que por muitos anos tentaram ter filhos e nunca conseguiram, das mulheres que entram em depressão quando descobrem que são estéreis, é um tapa na minha cara. Porque eu, que quero tanto ter um filho um dia, não tenho certeza de PODER te-lo. Na prática, estou disposta a considera-lo um DESRESPEITO com as pessoas que nunca poderão ter filhos.
Que cada um tenha o direito de fazer da sua vida o que quiser, mas não o direito de se gabar por desprezar o maior dom da vida que muitas pessoas não podem ter.

terça-feira, 1 de junho de 2010

Offliner;

Em um dos meus ultimos posts, a Dri me disse que eu tenho uma grande facilidade de me desconectar do mundo. Como é verdade!