sábado, 20 de dezembro de 2008

“Operação reserva no hotel de esqui completada”. Adooro!
Isso significa que vou mesmo esquiar no Natal. Quer dizer, que vou TENTAR esquiar no Natal. Tenho certeza que vai ser um desastre. Mas é alguma coisa, enfim.
Ando meio desanimada, então seria legal fazer alguma coisa diferente. Ando MUITO desanimada, pra dizer a verdade. E eu nem gosto muito de escrever quando estou assim. Quer dizer, pra que escrever coisas pessimistas, que é como ando me sentindo?
Mas sabe, escrever é uma das coisas que eu mais gosto no mundo. Acho que é uma maneira de esclarecer melhor pra mim mesma os meus sentimentos e pensamentos. Por isso acabo escrevendo mesmo quando estou pra baixo. Quer dizer, PRINCIPALMENTE nessa ocasião.
Me sinto um pouco Mia Thermopolis, de “O Diario da Princesa”. Não que eu tenha descoberto que meu pai é principe de algum lugar da Europa, quem dera! O problema é que, como ela, me sinto uma pessoa completamente sem-talentos e, se isso não fosse suficientemente ruim, ainda me sinto rejeitada. E sozinha. Especialmente sozinha.
Eu era louca pra vir pra Italia e tal, e realmente sou apaixonada por Roma, que é uma cidade maravilhosa. Mas as pessoas... Ah, as pessoas! Nunca achei que fosse encontrar aqui, primeiro-mundo, pessoas tão racistas e até ignorantes. Estrangeiros pra eles são inferiores, e ninguém no mundo tem mais direitos e menos deveres que eles, ELES, os tão importantes italianos de merda.
Ok, não vamos generalizar, tem muita gente legal aqui, até arrisco a dizer que conheça algumas pessoas que são gente de verdade. Pode ser que o problema seja o lugar que vim morar. Quer dizer, não se pode esperar tanto refinamento intelectual de um bairro extremamente pequeno, na roça, digamos assim. Mas, pelo que eu conheço do resto da cidade e de outros estrangeiros que moram aqui, a coisa é mesmo geral. O povo italiano anda de saco cheio de tanto estrangeiro aqui roubando, matando, fazendo bagunça e pegando os empregos e AS MULHERES que eram pra ser deles, os “poderosos chefoes”.
Tsc.
Sinceramente, onde é que eles estão com a cabeça, meu Deus?
Eu até entendo a revolta contra os estrangeiros “ruins”. Mas eu? Eu vim aqui pra estudar, pra trabalhar, pra conhecer, não pra fazer nenhum tipo de bagunça. Precisa me tratar mal? Precisa me humilhar?
Hoje meu querido patrão me tratou mal pela milésima vez e eu pensei: “Deus, me de paciencia, porque se o Senhor me der força, eu arrebento ele!”. Porque, meu, o que foi que eu fiz? Quer dizer, eu não fiz nada pra merecer esse tratamento.
Maaas, tudo bem, tudo bem. Calma, senhor Marco. Eu vou me mandar quando o senhor menos esperar, voce vai ver.
Cheguei a conclusão que engulo sapo por pura falta de vontade de brigar ou criar uma discussão. Meio que fujo de situaçoes que exigiriam respostas enérgicas da minha parte. E às vezes eu nem sei porque faço esse tipo de coisa. Quero dizer, fugir assim das pessoas. Acho que eu tenho preguiça, se é que é possivel ter preguiça das pessoas. Acho que sim, quando a maioria se mostra assim tão superficial e sem cérebro. Não consigo me relacionar socialmente com pessoas sem alma, VAZIAS.
Tenho uma preguiça tão grande de dizer: “Ma che cazzo stai a di?”, começar uma discussão e depois ter que dizer um por um todos os mil sapos que engoli, e porque meu pavio anda assim tão curto, e porque não aguento mais uma gota d’àgua, meu copo transbordou faz tempo. Alias, esse é um comportamento muito frequente da minha parte. Quer dizer, não dizer nada do que sinto pra encurtar o términe de uma discussão. Eu sempre acho que as pessoas não vão me entender e tal. Posso chamar isso de “fugir”, às vezes, considerando que em muitas situaçoes, resolvi acabar com tudo desaparecendo. Funciona, mas incomoda depois que a gente faz isso muitas vezes.
Falando nisso, o que vou dizer pro Emiliano quando finalmente comprar minha passagem pra Australia (ou qualquer outro lugar)? Simplesmente vou embora? Não posso fazer isso.
Quer dizer, ele se tornou uma pessoa muito importante pra mim, mas não deixaria de ir embora por causa dele. Não por enquanto. Claro, existe a possibilidade de eu me apaixonar o botar tudo a perder. Porque, quando eu me apaixono, eu fico tão burra!
E chega a ser até engraçado quando acaba, porque eu vejo quanto penso irracionalmente quando gosto de alguém.
Espero que isso não aconteça.
Não que eu possa, depois de todo esse tempo, fazer alguma coisa pra evitar.
O que me resta é torcer!

2 comentários: