quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Eu devia parar de assistir filmes.
Quer dizer, como posso assistir de novo "Scusa ma ti chiamo amore" (Desculpa, mas te chamo amor) ?
Porque depois eu fico tããão decepcionada em ver que minha vida não é um filme, que o mocinho nem sempre é um romantico à moda antiga, que não aparece em casa do nada pra me fazer surpresas, que não me faz tirar os pés do chão, que quando me ve não abre um imenso sorriso. O mocinho não me ama. Não, não. Não me ama.
E seria mesmo pedir demais?
Quer dizer, eu também acho que mereço uma historia de filme, sentimentos intensos e cavalos brancos. Nem precisa do cavalo, pra dizer a verdade. Eu queria ... queria FELICIDADE. Queria que existisse um sentimento forte, uma vontade imensa, um pouco de brilho no olhar. No dele, não no meu. Sabe, eu jah, teoricamente, gosto muito dele. Mas é realmente dificil colocar um sentimento em pratica quando o outro te bloqueia tanto.
Eu queria poder dizer, quando estamos abraçados na cama, quase dormindo, que ele é importante pra mim. Sem ter medo de ele se assustar. Seria, na verdade, um pouco absurdo alguém se assustar por ser importante pra mim depois de 7 meses juntos. Mas é absurdamente possivel que isso aconteça.
Porque ... é tão complicado!
Eu tenho uma certa necessidade de ouvir as coisas, sabe.
Mas ando precisando ser muito paciente a aceitar que: "É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar", como disse o Rei de um planeta do Pequeno Principe.
Não posso esperar das pessoas mais do que elas podem (ou estão dispostas a) oferecer.
Não posso esperar que ele me diga que vem me buscar toda noite pra dormir com ele porque gosta que eu esteje lah com ele. Não posso esperar que ele me diga que estou muito bonita hoje. Não posso me frustar esperando que ele me diga que me procura, que se preocupa, que faz tanta coisa por mim, simplesmente porque sou importante pra ele de alguma maneira.
E eu não posso, acima de qualquer outra coisa besta que se espera de qualquer relacionamento, esperar que ele faça por mim alguma coisa realmente surpreendente, que me deixe de boca aberta, uma loucura, uma marca pra sempre.
...
Quer dizer, quando as coisas foram acontecendo, eu nunca imaginei que seria assim tão complicado estar com alguém mais velho e nas condiçoes dele. Ele é divorciado, sabe. Na verdade, vai se divorciar oficialmente dia 25 de Fevereiro às 11h da manhã. E acredito que seria mesmo burrice esperar que ele comemorasse comigo, mesmo porque não sou tão segura quanto ao fato de ele querer realmente comemorar esse divorcio. Ele era apaixonado pela ex-mulher, e foi ela quem disse que não o amava mais, assim ele foi embora. (Oh, como isso me parece familiar). O Léo tinha dois anos. Depois ela se arrependeu, e ele ainda a amava, então eles voltaram. E no fim ela decidiu que realmente não o amava mais de verdade, e eles se separaram de novo.
Ele esteve mal, sabe. Claro, depois de 7 anos de casamento. Hoje o Léo tem 5 anos. Ainda não entende bem essa historia toda de separação, e de vez em quando começa a perguntar um monte de coisas pro Emiliano.
- Pai, por que vc escolheu a mamãe pra casar?
- Porque eu a amava.
- E por que ela te escolheu?
- Porque ela me amava.
- Então por que voces não estão mais juntos?
- Por causa de pequenos incompreendidos problemas, Léo.
(Etc eternamente)
Sabe como é agradavel ouvir esse tipo de conversa, han?
E eu não posso nem objetar contra isso, porque afinal fui eu que "criei" essa situação. Fui eu que "escolhi" estar com ele, mesmo sabendo de todos os provaveis inconvenientes.
E é tão dificil pra mim ter que ser assim paciente, compreensiva, tolerante. Quando na verdade eu tenho uma grande sede de viver, de sentir emoçoes fortes, de viver intensamente. E um dia quero sim casar e ter filhos.
Eu não posso esperar isso dele.
Eu não consigo nem ao menos imaginar um futuro com ele. Porque é quase certo que não existirà.

E por outro lado, estar com ele me faz muito bem.

Quer dizer, acho que é hora de parar mesmo de assistir filmes, mesmo que eu desejasse muito que minha vida fosse intenso como um, e viver a minha historia real. Ou pelo menos viver aquilo que me permitem viver.
Devagar, devagar a gente deixa andar.

E o bonito de tuddo isso é que nunca sabemos o final.

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