segunda-feira, 2 de março de 2009

O sentimento que havia tomado conta de mim naquela tarde de Domingo tão ansiosamente esperada, que exigiu algumas horas de preparação pra que tudo fosse perfeito, não tinha nada a ver com alegria, felicidade; não tinha nada a ver com tudo que eu tinha planejado ou imaginado. Não tinha nada a ver com nada, era vazio. Me sentia profundamente frustrada, iludida com o pensamento de que, por algum estupido motivo, ele pudesse sentir o que eu sinto, mesmo que por uma fração de segundo. Mas não, estava enganada.
Acordei no dia seguinte consciente de que no fim das contas eu fingi que não era nada, que estava tudo bem, mas no mesmo segundo senti que a verdade não era essa. Que meras palavras não conseguem apagar as coisas da minha mente com a mesma facilidade com que terminam uma discussão. Ainda estava tudo ali, e talvez ainda mais forte, porque me sentia culpada por ter deixado pra lah. Me olhei no espelho e fiz imediatamente uma careta, eu era mesmo transparente, dava pra ver claramente que tinha alguma coisa de errado comigo.
Não tinha mais forças pra pensar, soh conseguia me sentir cada minuto mais estranha, uma mistura bizarra de frustração, irritação, culpa e ... qualquer coisa que eu não sabia identificar. Não consegui definir meu estado de espirito enquanto caminhava em direção ao ponto de onibus. O tempo era horrivel, e céu coberto por espessas nuvens escuras, sem nenhum sinal do sol, e em poucos minutos começou a chover. Claro, era tipico e até obvio, tinha mesmo que chover hoje, pra aumentar o clima pesado.
O onibus estava vazio, e eu me comodei desajeitadamente no banco com o melhor panorama. As fazendas, as montanhas cobertas de neve e os grandes pastos vazios. Vazia, era ssim que eu me sentia, e as gotas de chuva que batiam violentamente no vidro jah não me faziam ter vontade de chorar. Eu tinha acabado de me tornar indiferente à elas.
Anadava impacientemente em direção à casa, mas não por medo de me molhar com a chuva cada vez mais densa e fria. Não me importava, não me sentia quente de qualquer maneira. Corria pra casa como se fosse encontrar ali uma espécie de refugio, com a vaga esperança de que talvez ali eu pudesse ocupar meu tempo, parar de pensar. Enchi a banheira de agua quente, liguei o radio no mais alto volume possivel e me joguei na banheira cheia. Quem sabe assim eu não conseguiria mais ouvir meus pensamentos. Errado. Eles borbulhavam dentro da minha cabeça, que parecia ferver mais do que a agua extremamente quente na qual eu estava imersa. Não conseguia nem ao menos relaxar, mantive cada musculo do meu corpo tenso, os punhos fechados, o corpo incapaz de encontrar conforto. E mesmo que a temperatura da agua aquecesse minha pele, eu ainda me sentia fria, e tremia. Mais de nervoso que de frio.
Não era uma boa idéia ficar ali dentro, definitivamente. Me vesti muito lentamente. A velocidade da sucessão ininterrupta de pensamentos atrapalhava a minha coordenação, era como se eu me movesse mais mecanicamente que voluntariamente. Desliguei o radio, a musica tinha começado a me irritar. Procurei alguma coisa pra fazer que não exigisse muita concentração, não era apta a me concentrar naquele momento. Comecei a arrumar cuidadosamente as minhas gavetas, dobrando cada peça de roupa com a maior precisão, lembrando minha mãe que dizia: "Quando voce precisa arrumar algumas coisas na sua vida, comece pelo seu quarto". A corrente de pensamentos passava rapidamente por passado presente e futuro, me fazendo ver que esse vazio me era tristemente familiar. Mas eu não consegui me lembrar de como eu havia conseguido supera-lo. Não me lembrava mais de tanta coisa..
Era como se aquele vazio tivesse sempre estado ali.
E como se eu estivesse sempre disfarçando.

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