O relogio pendurado na parede do bar era enorme, e fazia o tempo parecer se arrastar. Quando, finalmente badou às seis e meia, respirei aliviada. Era bom acabar meia jornada de trabaho. A outra me estava esperando à 3km dali. Sai do bar em direção ao ponto de onibus esperando sinceramente que demorasse uma eternidade, assim poderia descansar um pouco. Liguei os fones de ouvido e a primeira musica me dizia: "Te vejo escrito em todos os muros, cada canção me fala de voce". E ali estava o sorrisinho de novo. Não me contive, cada vez que um leve pensamento inesperado sobre ele passava pela minha cabeça, eu não conseguia conter o sorriso. Tentei me concentrar no trabalho que estaria me esperando no outro bar. Como de costume, sobraria pra mim fazer todo o serviço que deveria ser feito à tarde, organizar tudo e fechar o bar, em menos de 4h. Por mais que lembrar disso me fizesse ferver de raiva, naquele momento não me importou muito. E na verdade, jah não me importava mais. Sabado seria meu ultimo dia, e Domingo eu poderia estar novamente nos braços DELE.
E ele sabia desse meu pequeno intervalo entre os dois bares. Me mandou uma mensagem perguntando se os peixes ainda estavam vivos. Era tarefa minha cuidar dos peixes dele enquanto ele estava fora. Eu disse que sim, que eu estava cuidando muito bem, alias. E ele me disse: "O que voce sente quando entra em casa e eu não estou?". Lembrei com exatidão do momento em que eu abri a porta da casa dele naquela manhã. Uma onda de ar frio me pegou desprevenida (eram dois dias que os aquecedores estavam desligados), mas o perfume dele estava em cada canto da casa, em cada comodo. A cama desarrumada que me lembrava as noites que passamos ali. A cozinha bagunçada que me lembrava os jantares e as vezes que ele cozinhava pra mim. Mas ele não estava ali, e a casa era absurdamente mais fria ainda quando me lebrei disso. Era a presença dele que mais aquecia aquela casa.
Respondi: "Sinto seu perfume, e sinto saudade".
O onibus chegou, eu me sentei no ultimo banco. A musica que tocava embalava ainda mais os meus pensamentos perdidos nele, cada frase me lembrava de alguma coisa que haviamos passado juntos, e eu jah estava fazendo mil planos pra semana seguinte.
Era uma sensação boa, a saudade. Me fazia sorrir com cada minima lembrança, e me deixava euforica com a espectativa de rever-lo.
E eu me perguntei pela milésima vez se eu estaria apaixonada.
Não era uma paixão arrebatadora, disso eu era certa. Era um sentimento doce, tranquilo, lento. Que aflorava cada dia mais, mesmo depois de 7 meses. Que me fazia sentir segura. Que enxia meu estomago de borboletas.
Era obvio, e ao mesmo tempo ridiculo, o fato de eu estar apaixonada.
Olhei pela ultima vez o celular antes de recomeçar o trabalho:
"E eu ainda consigo sentir o seu perfume, mesmo que à quilometros de distancia".
Era o tipo de coisa que ele sabia que me fazia derreter, ficar com as pernas moles e exclamar em alto e bom som em meio a todos os desconhecidos presentes: "Que bonitinho!". Ele sabia que eu me comportaria assim. E acredito que, se ele faz esse tipo de coisa assim com tanta frequencia, ele deve mesmo adorar saber que eu faço papel de boba por ele, pra todo mundo ver.
E a musica dizia: "E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei".
Pra mim era mais que suficiente. A minha outra meia jornada de trabalho pareceu insignificante, perto de toda a beleza que a espera pode causar.
e como diria a sombra ( por acaso minha ):
ResponderExcluirconta um amor e já te faço um favor
:)
Serão "engraçadamente" românticos todos os seus posts até que ele volte, e você se pergunta, SE está apaixonada.
ResponderExcluirMeu Deus, será?
É óbvio, e ao mesmo tempo (graciosamente) ridículo, o fato de você estar apaixonada.