quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Mais um dia que chegava ao fim, e eu supirava aliviada por estar ainda de bom-humor. Olhei distraidamente a escrivaninha e a vi, a maravilhosa foto gigante que ele tinha imprimido, a foto do Natal na neve que passamos JUNTOS. Um arrepio de nostalgia passou pelo meu estomago. Olhei o relogio e imaginei que não seria assim tão tarde pra uma mensagem. Assim que peguei o celular, vibrou. Era ele. E ouvir a sua voz foi a melhor coisa naquele momento. Me contou as novidades, e na verdade eu nem estava ouvindo tão atentamente. O que mais me interessava naquele momento era a sua voz, melodiosa e doce, que dizia que sentia minha falta e que dali à alguns dias nos veriamos. Me deu a boa noite, me mandou um beijo, ficou alguns segundos em silencio e disse: "Sinto mesmo a sua falta". Um sorriso gigantesco surgiu no meu rosto naquele momento.
Não era tão facil gostar dele quanto eu pensava, mas era cada vez menos dificil.
A idade pesava como fator, claro. E depois, eramos tão diferentes. Com ele as coisas tinham que ser feitas sempre com calma, ou melhor, com cautela. Da minha parte e dele também. No começo, quando estavamos sempre juntos, almoçando, jantando, assistindo um filme como desculpa pra estar em companhia, era um grande esforço pra mim não toca-lo. Cada vez que ele se aproximava eu era tomada por uma onda de eletricidade que me fazia ficar tensa. Não me movia. Fechava os punhos e tentava me concentrar na conversa. Talvez por isso eu estava quase sempre quieta. Concordava, ria, mas raramente falava. Não me sentia exatamente à vontade conversando com um homem assim tão mais velho que eu. E ele insistia em me fazer perguntas. Como era a minha vida no Brasil, os meus amigos, minha escola, minha familia, o que eu sentia mais falta, detalhes pra mim insignificantes e até desinteressantes, mas que exerciam uma curiosidade espantosa nele.
Quando ele chegava em casa do trabalho (eu sempre ouvia quando ele chegava), vinha tocar a minha campainha. E eu fingia surpresa. Se alguma coisa no decorrer do dia tivesse me irritado, me deixado chateada, me entusiasmado, ele SABIA. E sempre queria saber o que era. No começo eu pensava que talvez eu fosse assim interessante por ser mais nova, pra mim que ele procurava saber os meus gostos pra poder talvez se lembrar das coisas que motivam os jovens, das paixoes, dos desejos, da vontade de viver. Alguma coisa do tipo. Racionalmente não conseguia encontrar um motivo pra todas aquelas perguntas, toda a gentileza e disposição que ele tinha comigo. E depois parei de procurar esse motivo. Não me importava. Qualquer motivo fosse, plausivel ou estranho, eu estava sempre bem ao lado dele. Isso bastava pra me fazer querer estar ao lado dele o maior tempo possivel.
O primeiro dia em que eu me adormentei ao lado dele, mais precisamente na cama dele, vendo um filme, abri os olhos jah nos créditos e ele tinha colocado um travesseiro embaixo da minha cabeça, sem que eu percebesse, como costumam fazer com muita habilidade os pais (estranho pensamento). Olhei pra ele e ele me disse: "Ei", e sorriu. Senti meu rosto ferver, de tão vermelha devo ter ficado. Era vergonhoso eu ter dormido. Primeiro porque ele tinha me convidado pra assistir um filme com ele, e eu por mais cansada estivesse, aceitei, porque não existia não aceitar um convite pra passar algumas boas horas ao lado dele. E depois, bem, depois porque eu estava dormindo na cama dele, enrolada nas cobertas dele, com a cabeça apoiada no travesseiro dele, que era assim tão mais velho que eu. Não entendi bem o motivo da minha vergonha, porque no fim das contas eu não fiz de proposito. E eu, que sempre fui muito desenvolta na maioria das situaçoes, me calei, quando percebi que ele também tinha ficado desconcertado.
E mesmo que eu tenha ficado ali por horas dormindo ao lado dele, ele não me tocou, não tentou nada, e nem mesmo dormiu. Assistiu pacientemente o filme, que admito que não era por nada no mundo interessante. Eu gostei da atitude dele. A partir daquele momento supus que podia confiar nele, me sentia protegida. Depois dessa noite se passaram muitas outras, sempre da mesma maneira acanhada, cautelosa. Tentavamos muito frequentemente de não tocar um ao outro. O pensamento de que isso acontecesse me fazia acender a corrente alétrica de antes, ficava tensa, sem saber como me comportar. Aos poucos foi passando. Um dia foi ele quem dormiu, e improvisamente apoiou a cabeça no meu joelho. Meu estomago gelou com o contato. E eu não pude resistir ao toque macio dos seus cabelos. Ele acordou, meio sem saber o que o tinha feito abrir os olhos. O filme tinha acabado, e eu disse que era melhor dormir (eram jah algumas vezes que tinha dormido na casa dele).
Me cobri e disse boa noite. Me adormentei quase imediatamente. Fazia frio e eu me encolhi na cama. E alguns minutos depois acordei com o toque dos seus braços, que me entrelaçavam. "Vi que vc estava com frio". Eu me virei e o encarei. Era tão facil me sentir bem quando olhava dentro daqueles olhos verdes faiscantes. Era tão simples sorrir com o perfume simples que exalava dele. E seria muito dificil resistir ao inevitavel beijo. Assim aconteceu. E quando a sua boca tocou a minha a eletricidade era tão grande que praticamente entrei em curto-circuito. Me deixei levar por aquels beijos doces, aqueles olhares fulminantes e, acima de tudo, pela meneira provocante com que ele me tocava. Não tinha mais porque resistir.
Quando acabou, pude dormir com um sorrisinho sufocado no rosto, certa de que seria a primeira de muitas noites juntos.

5 comentários:

  1. Cááá.
    MEGA lindo!
    Tô emocionada, sério mesmo.
    Fico felicíssima por vc estar vivendo isso.
    VOCÊ merece!
    Eu te amo, Cá!
    :*

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  2. Mas eu adorei o termo. E o trecho em negrito principalmente. Ele é teu?

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  3. É um capítulo de romance. Sinceramente digno de um capítulo de best sellers.

    Mas o que mais me chamou à atenção além da delicada narração que vc fez, é o fato de vc sempre dizer, as vezes até implicitamente, "mais velho". Às vezes parece que dentro da sua cabeça a diferença de idade entre vocês é bem maior do que na realidade. Desencana disso, Cá!
    Olha pra sua história com esse homem, olha pra sua vida e pra dele. Se elas se cruzaram,tem um porquê. E as vidas de ambos são interessantes ao outro. É por isso que você tinha certeza que seria a primeira de muitas noites juntos, e realmente, têm sido muitas.
    :D

    Beeeijos.

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  4. ah, eu fico tão feliz por você :D

    um beeeijo, xuxu!:*

    ah propósito, eu mudei dinovo o nome do meu blog, atualiza aí, hehe
    e robei a idéia da sua imagem :\
    se vai ficar brava?
    uhsauashusa

    amo amo
    já passou de saudade :*

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