domingo, 11 de abril de 2010

Castigo;

- Pai, vamos chamar a Giulia pra vir aqui em casa?
- Ela não pode, Léo, está de castigo.
- O que é castigo?

?


- Castigo é quando alguém se comporta mal e recebe uma punição pra aprender que aquilo não se faz.
- Ué, mas ela não pode vir mesmo assim?
- Não, Léo, o castigo dela é não sair de casa.
- Um dia inteiro?
- Um dia inteiro.
- E por que?
Etc, etc, etc.


Uma criança de 7 anos que não sabe o que significa CASTIGO.


Agora sim eu entendo o motivo de como o Leonardo se comporta em algumas situações. Ele nunca ficou de castigo, ele nunca foi punido pelos (tantos) comportamentos inadequados, ele não sabe que quando erra, tem que arcar com as conseqüências.
Não posso julgar o modo com que o Emiliano e a ex-mulher educam o filho, do mesmo modo que não posso julgar nenhum pai ou mãe desse mundo. Eu não sou mãe. Mas ver uma criança de 7 anos que não sabe tomar banho sozinha, não coloca os brinquedos no lugar, não amarra os sapatos ou não sabe o significado de castigo me faz pensar um pouco.

De acordo com a Psychologies desse mês, 87% dos pais separados têm problemas com a educação dos filhos. Na verdade todos os pais, separados ou não, têm esse problema. Mas no caso dos pais separados parece que o problema toma proporções bem maiores que o esperado.
Por mais que eu seja filha de pais separados, nunca tinha observado com tanta atenção esse fato. Talvez porque eu sempre estive na parte dos filhos. Agora que me encontro da outra parte, algumas questões me saltaram aos olhos. Costumo dizer com toda firmeza que certamente meus filhos não terão todos esses problemas disciplinares, que serão educados e obedientes, e que saberão muito bem o que significa "certo e errado", "sim e não". Mas é muito subjetivo. Impossível planejar a educação dos filhos antes de te-los.
Acredito que não existe um manual da "educação ideal", porque cada filho é uma pessoa diferente. Mas existem alguns conceitos que são indispensáveis e necessários, acima de tudo.

Aprender a dizer não.
Pode ser muito difícil dizer não aos filhos em certas situações, mas a questão é quando é necessário dize-lo. O "não" para o chocolate antes da janta pode ser relativo. Mas o "não" que distingue os limites não pode. Uma criança nunca vai saber o que é certo, se não aprender o que é errado. Nunca vai valorizar o "sim" se não souber o que significa "não". No caso dos pais separados, é como se o "sim" freqüente (do pai) fosse uma maneira de tentar amenizar ou compensar o fato da separação. Como se fazer sempre a vontade dos filhos diminuísse a importância de passar a semana inteira longe do pai. E do outro lado, o "sim" (da mãe) serve pra compensar o dia inteiro de ausência por causa do trabalho.
E dessa maneira temos uma criança incapaz de entender o que significa "não". Uma criança que, quando vem contrariada, não consegue entender a razão objetiva da ordem. "Por que não posso fazer isso se eu sempre posso fazer tudo?" Entende o "não" como autoritarismo, como um se o seu pedido tivesse sido negado por "abuso de poder", por "birra". E assim parte para a trangressão:

- Pai, posso comer bolacha?
- Não, Léo, é quase hora de janta e você não comeu nada na hora do almoço.
- Mas eu to com fome!
- Da próxima vez almoce e você não vai ter fome a essa hora.
- Mas eu sempre como bolacha a essa hora.
- E depois não janta.
- Ahh, eu como mesmo assim!
- Não, Léo!
- Siiiim!!!


Por que ele não pode AGORA se ele sempre pôde?

Limites.
Hora de brincar e hora de falar sério. As crianças não costumam ter muita noção de quando parar com a brincadeira. Cabe aos pais ensinar que tudo tem um limite e que precisam respeitar a hora do "chega". Assistir Tv antes de fazer lição de casa não é um crime, desde que não atrapalhe o rendimento escolar. Mas é preciso saber que chega um momento em que se deve desligar a televisão e estudar. Deixar a criança decidir os próprios horários ou os próprios limites não me parece uma boa idéia. Mesmo porque as crianças não são pessoas adultas e conscientes dos deveres, ou pelo menos ainda não são. Elas precisam ser ensinadas. Deixar a criança fazer o que ela quiser porque os também também tem o que fazer (e assim podem faze-lo em paz) não funciona. A desculpa do "sò mais um" vira uma banalidade e no fim do dia é preciso brigar para que a criança entenda que precisa fazer os deveres e deveria ter feito antes. O ser humano não é como muitos animais que nascem autônomos e independentes e são capazes de cuidar de si mesmos. Precisam ser cuidadas constantemente, monitoradas e ensinadas.

Relacionamento pai-filho.
Um filho não é um amigo, é um filho. Se colocar em patamares iguais é perder o controle. Muitas das crianças que eu conheço tratam os pais ou professores como se fossem coleguinhas da mesma idade, brigam e pensam de terem razão. Um pai não pode deixar que o filho pense que é ele que manda. Se o pai comanda, é por alguma razão. Porque é adulto, porque sabe o que faz, porque é responsável. A criança precisa saber que dentro de casa existe uma "autoridade", alguém pra quem ele deve satisfações e pra quem ele precisa pedir permissão, porque é ele (pai) que sabe o que pode ser perigoso, sabe dos limites que a criança tem (e não sabe). E, acima de tudo, deve saber que essa pessoa é digna de confiança e de respeito.

- Vamos passar no bar pra comprar figurinha?
- A gente passa na volta, agora estamos atrasados.
- Não, vamos passar agora!
- A gente passa na volta, não é a mesma coisa?
- Não, eu quero passar agora, eu que mando!
- Léo, chega.
- Cala a boca! Você não sabe de nada!


Consenso.
A criança quer ver televisão antes de dormir. Na casa da mãe é "não", mas na casa do pai é "sim". E essa contradição continua em todas as pequenas coisas do dia-a-dia: hora de comer, lição de casa, videogame, organização. Então a criança entende que quem diz o "não" o faz sem um motivo válido e que é ""malvado", jà que o outro diz sempre "sim". Os pais devem ter a mesma linha de educação, precisam ser rígidos na mesma medida, senão a educação não funciona. No caso de pai separados, seria o caso de sentar e conversar sobre o assunto, pelo bem da criança.



Enfim, no fim das contas esse tipo de coisa teria que ser feita quando ele era menor, desde sempre. Agora, com 7 anos e cheio de si fica mais difícil faze-lo entender. E, mais no fim das contas ainda, não è meu filho. Teoricamente não posso opinar, mas conviver com isso é muito difícil. Hoje eu sei o que os namorados da minha mãe e as namoradas do meu pai passaram.
Mas eu vou estudar isso um dia, e fazer o possível pra que meu filho(a) não precise aprender as coisas na marra, com 7 anos de idade.
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3 comentários:

  1. Certíssima. Essa coisa de "o filho é meu, eu ensino do jeito que eu quiser" pra mim, é ridículo. Imagina a mãe do Hitler falando isso. O que vc ensina p/ um filho repercute no mundo, então devemos ter bom-senso.
    Realmente, vc está numa situ complicada. Boa sorte, flor.
    heuiehuie
    Te amo.

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  2. Interessantíssima sua análise. E esse problema há de se tornar cada vez mais seu.
    Você vai encontrar uma maneira de abordagem que não pareça um abuso ou algo assim.

    E futuramente, você vai ajudar muitas crianças além do Léo, né?! *--*

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  3. Poooxa, complicado isso mesmo!eu vivo isso com a Laurinha, q minha mae cuida...assunto complicado esse de educação, principalmente no seu caso CAh...mas tenho ctz q vc vai arrumar a melhor forma de lidar com isso de forma nao neutra;)
    Adoro sua forma de escrever viuuu lokinhaa!!!rs te amooo!

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