segunda-feira, 30 de março de 2009

Eu precisava de um detalhe.

Como é claro o fato de que qualquer mínimo detalhe é capaz de mudar todo o rumo de um destino, todo o futuro de uma pessoa. Os 5 minutos de atraso pelo manhã, a mudança de calçada, o café na padaria, uma olhada no relógio, qualquer coisa, qualquer mínimo desvio de atenção da rota normal do tempo, e seu futuro pode ser drasticamente mudado.
Como é difícil se concentrar e mais ainda se acostumar em ser nada mais que um mero ser humano. Eu sempre quis mais, sempre quis tudo mais intenso, sentidos aguçados. Essas coisas de super-herói. Em certos momentos é muito frustrante ser uma mera e medíocre humana sem-graça.
Eu queria voar. Estar acima de todos os problemas, me esconder nos lugares mais altos pra poder pensar. Queria ser telepática, entender tantas das coisas que passam pela cabeça humana. Queria poder me teletransportar, estar perto e longe em questão de segundos. Queria mover as coisas sem toca-las, impedindo as quebras desnecessárias. Queria uma regeneração veloz, me curar das feridas rapidamente. E eu queria ver o futuro de cada decisão que eu tomasse, cada mudança de idéia me levando a caminhos diferentes, cada relance de atitude transformando meu destino.
Mas eu queria mesmo era me conformar com a idéia de ser uma mera humana.

A vida pra mim parece que caminhava de uma maneira diferente, uma frequencia paralela, um mundo à parte. A possibilidade de ver nos acontecimentos absolutamente naturais, alguma coisa especial. A capacidade de sentir no mundo um que de irreal.

Eu queria ser mais.
Eu queria...

sexta-feira, 27 de março de 2009

"Mas, apesar da noite ter se passado implacavelmente, não foi a pior noite da minha vida. Eu tirei conforto disso. E eu não estava sozinha. Havia uma boa quantidade de conforto nisso também.
O medo de Charlie de descontroles emocionais evitou que ele viesse me checar, apesar de eu não ter ficado quieta - ele provavelmente não dormiu mais que eu.
A minha compreensão tardia parecia insuportavelmente clara essa noite. Eu podia ver cada erro que eu havia cometido, cada dano que eu havia causado, as coisas pequenas e as coisas grandes. Cada dor que eu havia causado a Jacob, cada ferida que eu havia dado a Edward, foram aumentando em pilhas organizadas que eu não podia ignorar e nem negar.
Eu eu me dei conta de que estive errada o tempo inteiro sobre os imãs. Não eram Edward e Jacob que eu estava tentando forçar a ficarem juntos, eram as duas partes de mim mesma, a Bella de Edward e a Bella de Jacob. Mas elas não podiam existir juntas, e eu nunca devia ter tentado.
Eu havia causado tanto dano.
Em algum ponto da noite, eu me lembrei da promessa que havia feito a mim mesma essa manhã - que eu nunca faria Edward ver vertendo outra lágrima por Jacob. Esse pensamento trouxe uma rodada de histeria que assustou Edward mais do que a choradeira. Mas isso passou também, quando teve que passar.
Edward disse pouco; ele só me segurou na cama e me deixou arruinar a camisa dele, pingando de água salgada.
Levou mais tempo do que eu esperava para aquela parte menor de mim, a parte quebrada, chorar tudo. Aconteceu, no entanto, e eventualmente eu fiquei exausta o suficiente pra dormir. A inconsciencia não trouxe alívio completo da dor, só uma calma entorpecida, como se fosse um medicamento. A tornou mais suportável. Mas ela ainda estava lá; eu estava consciente dela, mesmo adormecida, e isso me ajudou a fazer os ajustes que eu precisava fazer.
A manhã trouxe consigo, se não uma perspectiva mais clara, pelo menos uma medida de controle, alguma aceitação. Instintivamente, eu soube que a nova lágrima do meu coração sempre doeria. Isso simplesmente seria uma parte de mim agora. O tempo faria ser mais fácil - isso era o que todo mundo sempre dizia. Mas eu não me importava se o tempo me curasse ou não, contanto que Jacob pudesse melhorar. Pudesse ser feliz de novo."

[Eclipse]

Muito atraso aqui.
Mas muito ainda pra adiantar.

Volto!

sexta-feira, 6 de março de 2009

Eu ia ter que levantar - pelo menos pra pegar uma coisa pra beber.
Mas o meu corpo só queria ficar aqui deitada, pra nunca mais levantar.
Ao invés de me mover, eu pensei um pouco mais em Julieta.
Eu iamginei o que ela teria feito se Romeu tivesse abandonado ela, não porque ele foi banido, mas porque ele havia perdido o interesse.
E se Rosalie tivesse feito ele se apaixonar de novo, e ele mudasse de idéia? E se, ao invés de casar com Julieta, ele tivesse desaparecido?
Eu pensei em como Julieta teria se sentido.
Ela não voltaria para a sua vida antiga, não mesmo. Ela não teria nem dado a volta por cima, disso eu tinha certeza. Mesmo se ela vivesse até estar velha e cinza, todas as vezes que ela fechasse os olhos, seria os olhos de Romeu que ela veria por trás das suas pálpebras. Ela teria aceitado isso, eventualmente.
Eu me perguntei se ela teria se casado com Paris, no final, só para agradar seus pais, pra manter a paz.
Não, provavelmente não, eu decidí. Mas também, a história não falava muito sobre Paris. Ele era só uma figura de canto - um segurador de vela, uma ameaça, uma última opção para forçá-la a casar.
E se houvesse mais pra Paris?
E se Paris fosse amigo de Julieta? O melhor amigo dela? E se ele fosse o único a quem ela pudesse confidenciar as coisas devastadoras sobre Romeu? A única pessoa que poderia realmente entendê-la e fazê-la se sentir meio humana de novo? E se ele fosse paciente e gentil? E se ele tomasse conta dela?
E se Julieta soubesse que não poderia sobreviver sem ele? E se ele realmente amasse ela, e quisesse que ela fosse feliz?
E... se ela amasse Paris? Não como Romeu. Nada assim, é claro. Mas o suficiente pra que ela quisesse que ele fosse feliz também?
(...)
Se Romeu realmente tivesse ido embora, pra nunca mais voltar, iria realmente importar se ela tivesse aceitado ou não a proposta de Paris? Talvez ela tivesse que se virar com as sobras da sua vida que foram deixadas pra trás. Talvez isso fosse o mais próximo da felicidade que ela pudesse chegar.
Eu suspirei, e depois gemí quando o suspiro arranhou minha garganta.
Eu estava lendo essa história demais. Romeu não ia mudar de idéia.
Era por isso que as pessoas ainda lembravam o nome dele, sempre entrelaçado com o dela: Romeu e Julieta. É por isso que era uma boa história. "Julieta é passada pra trás por Romeu e fica com Paris" nuca teria dado certo.



[minhas historias preferidas de todos os tempos]

quinta-feira, 5 de março de 2009

...e pela lei natural dos encontros
eu deixo e recebo um tanto...

(post curto-perigoso)

segunda-feira, 2 de março de 2009

O sentimento que havia tomado conta de mim naquela tarde de Domingo tão ansiosamente esperada, que exigiu algumas horas de preparação pra que tudo fosse perfeito, não tinha nada a ver com alegria, felicidade; não tinha nada a ver com tudo que eu tinha planejado ou imaginado. Não tinha nada a ver com nada, era vazio. Me sentia profundamente frustrada, iludida com o pensamento de que, por algum estupido motivo, ele pudesse sentir o que eu sinto, mesmo que por uma fração de segundo. Mas não, estava enganada.
Acordei no dia seguinte consciente de que no fim das contas eu fingi que não era nada, que estava tudo bem, mas no mesmo segundo senti que a verdade não era essa. Que meras palavras não conseguem apagar as coisas da minha mente com a mesma facilidade com que terminam uma discussão. Ainda estava tudo ali, e talvez ainda mais forte, porque me sentia culpada por ter deixado pra lah. Me olhei no espelho e fiz imediatamente uma careta, eu era mesmo transparente, dava pra ver claramente que tinha alguma coisa de errado comigo.
Não tinha mais forças pra pensar, soh conseguia me sentir cada minuto mais estranha, uma mistura bizarra de frustração, irritação, culpa e ... qualquer coisa que eu não sabia identificar. Não consegui definir meu estado de espirito enquanto caminhava em direção ao ponto de onibus. O tempo era horrivel, e céu coberto por espessas nuvens escuras, sem nenhum sinal do sol, e em poucos minutos começou a chover. Claro, era tipico e até obvio, tinha mesmo que chover hoje, pra aumentar o clima pesado.
O onibus estava vazio, e eu me comodei desajeitadamente no banco com o melhor panorama. As fazendas, as montanhas cobertas de neve e os grandes pastos vazios. Vazia, era ssim que eu me sentia, e as gotas de chuva que batiam violentamente no vidro jah não me faziam ter vontade de chorar. Eu tinha acabado de me tornar indiferente à elas.
Anadava impacientemente em direção à casa, mas não por medo de me molhar com a chuva cada vez mais densa e fria. Não me importava, não me sentia quente de qualquer maneira. Corria pra casa como se fosse encontrar ali uma espécie de refugio, com a vaga esperança de que talvez ali eu pudesse ocupar meu tempo, parar de pensar. Enchi a banheira de agua quente, liguei o radio no mais alto volume possivel e me joguei na banheira cheia. Quem sabe assim eu não conseguiria mais ouvir meus pensamentos. Errado. Eles borbulhavam dentro da minha cabeça, que parecia ferver mais do que a agua extremamente quente na qual eu estava imersa. Não conseguia nem ao menos relaxar, mantive cada musculo do meu corpo tenso, os punhos fechados, o corpo incapaz de encontrar conforto. E mesmo que a temperatura da agua aquecesse minha pele, eu ainda me sentia fria, e tremia. Mais de nervoso que de frio.
Não era uma boa idéia ficar ali dentro, definitivamente. Me vesti muito lentamente. A velocidade da sucessão ininterrupta de pensamentos atrapalhava a minha coordenação, era como se eu me movesse mais mecanicamente que voluntariamente. Desliguei o radio, a musica tinha começado a me irritar. Procurei alguma coisa pra fazer que não exigisse muita concentração, não era apta a me concentrar naquele momento. Comecei a arrumar cuidadosamente as minhas gavetas, dobrando cada peça de roupa com a maior precisão, lembrando minha mãe que dizia: "Quando voce precisa arrumar algumas coisas na sua vida, comece pelo seu quarto". A corrente de pensamentos passava rapidamente por passado presente e futuro, me fazendo ver que esse vazio me era tristemente familiar. Mas eu não consegui me lembrar de como eu havia conseguido supera-lo. Não me lembrava mais de tanta coisa..
Era como se aquele vazio tivesse sempre estado ali.
E como se eu estivesse sempre disfarçando.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

O relogio pendurado na parede do bar era enorme, e fazia o tempo parecer se arrastar. Quando, finalmente badou às seis e meia, respirei aliviada. Era bom acabar meia jornada de trabaho. A outra me estava esperando à 3km dali. Sai do bar em direção ao ponto de onibus esperando sinceramente que demorasse uma eternidade, assim poderia descansar um pouco. Liguei os fones de ouvido e a primeira musica me dizia: "Te vejo escrito em todos os muros, cada canção me fala de voce". E ali estava o sorrisinho de novo. Não me contive, cada vez que um leve pensamento inesperado sobre ele passava pela minha cabeça, eu não conseguia conter o sorriso. Tentei me concentrar no trabalho que estaria me esperando no outro bar. Como de costume, sobraria pra mim fazer todo o serviço que deveria ser feito à tarde, organizar tudo e fechar o bar, em menos de 4h. Por mais que lembrar disso me fizesse ferver de raiva, naquele momento não me importou muito. E na verdade, jah não me importava mais. Sabado seria meu ultimo dia, e Domingo eu poderia estar novamente nos braços DELE.
E ele sabia desse meu pequeno intervalo entre os dois bares. Me mandou uma mensagem perguntando se os peixes ainda estavam vivos. Era tarefa minha cuidar dos peixes dele enquanto ele estava fora. Eu disse que sim, que eu estava cuidando muito bem, alias. E ele me disse: "O que voce sente quando entra em casa e eu não estou?". Lembrei com exatidão do momento em que eu abri a porta da casa dele naquela manhã. Uma onda de ar frio me pegou desprevenida (eram dois dias que os aquecedores estavam desligados), mas o perfume dele estava em cada canto da casa, em cada comodo. A cama desarrumada que me lembrava as noites que passamos ali. A cozinha bagunçada que me lembrava os jantares e as vezes que ele cozinhava pra mim. Mas ele não estava ali, e a casa era absurdamente mais fria ainda quando me lebrei disso. Era a presença dele que mais aquecia aquela casa.
Respondi: "Sinto seu perfume, e sinto saudade".
O onibus chegou, eu me sentei no ultimo banco. A musica que tocava embalava ainda mais os meus pensamentos perdidos nele, cada frase me lembrava de alguma coisa que haviamos passado juntos, e eu jah estava fazendo mil planos pra semana seguinte.
Era uma sensação boa, a saudade. Me fazia sorrir com cada minima lembrança, e me deixava euforica com a espectativa de rever-lo.

E eu me perguntei pela milésima vez se eu estaria apaixonada.
Não era uma paixão arrebatadora, disso eu era certa. Era um sentimento doce, tranquilo, lento. Que aflorava cada dia mais, mesmo depois de 7 meses. Que me fazia sentir segura. Que enxia meu estomago de borboletas.
Era obvio, e ao mesmo tempo ridiculo, o fato de eu estar apaixonada.

Olhei pela ultima vez o celular antes de recomeçar o trabalho:
"E eu ainda consigo sentir o seu perfume, mesmo que à quilometros de distancia".
Era o tipo de coisa que ele sabia que me fazia derreter, ficar com as pernas moles e exclamar em alto e bom som em meio a todos os desconhecidos presentes: "Que bonitinho!". Ele sabia que eu me comportaria assim. E acredito que, se ele faz esse tipo de coisa assim com tanta frequencia, ele deve mesmo adorar saber que eu faço papel de boba por ele, pra todo mundo ver.
E a musica dizia: "E até quem me vê lendo o jornal na fila do pão sabe que eu te encontrei".
Pra mim era mais que suficiente. A minha outra meia jornada de trabalho pareceu insignificante, perto de toda a beleza que a espera pode causar.
Mais um dia que chegava ao fim, e eu supirava aliviada por estar ainda de bom-humor. Olhei distraidamente a escrivaninha e a vi, a maravilhosa foto gigante que ele tinha imprimido, a foto do Natal na neve que passamos JUNTOS. Um arrepio de nostalgia passou pelo meu estomago. Olhei o relogio e imaginei que não seria assim tão tarde pra uma mensagem. Assim que peguei o celular, vibrou. Era ele. E ouvir a sua voz foi a melhor coisa naquele momento. Me contou as novidades, e na verdade eu nem estava ouvindo tão atentamente. O que mais me interessava naquele momento era a sua voz, melodiosa e doce, que dizia que sentia minha falta e que dali à alguns dias nos veriamos. Me deu a boa noite, me mandou um beijo, ficou alguns segundos em silencio e disse: "Sinto mesmo a sua falta". Um sorriso gigantesco surgiu no meu rosto naquele momento.
Não era tão facil gostar dele quanto eu pensava, mas era cada vez menos dificil.
A idade pesava como fator, claro. E depois, eramos tão diferentes. Com ele as coisas tinham que ser feitas sempre com calma, ou melhor, com cautela. Da minha parte e dele também. No começo, quando estavamos sempre juntos, almoçando, jantando, assistindo um filme como desculpa pra estar em companhia, era um grande esforço pra mim não toca-lo. Cada vez que ele se aproximava eu era tomada por uma onda de eletricidade que me fazia ficar tensa. Não me movia. Fechava os punhos e tentava me concentrar na conversa. Talvez por isso eu estava quase sempre quieta. Concordava, ria, mas raramente falava. Não me sentia exatamente à vontade conversando com um homem assim tão mais velho que eu. E ele insistia em me fazer perguntas. Como era a minha vida no Brasil, os meus amigos, minha escola, minha familia, o que eu sentia mais falta, detalhes pra mim insignificantes e até desinteressantes, mas que exerciam uma curiosidade espantosa nele.
Quando ele chegava em casa do trabalho (eu sempre ouvia quando ele chegava), vinha tocar a minha campainha. E eu fingia surpresa. Se alguma coisa no decorrer do dia tivesse me irritado, me deixado chateada, me entusiasmado, ele SABIA. E sempre queria saber o que era. No começo eu pensava que talvez eu fosse assim interessante por ser mais nova, pra mim que ele procurava saber os meus gostos pra poder talvez se lembrar das coisas que motivam os jovens, das paixoes, dos desejos, da vontade de viver. Alguma coisa do tipo. Racionalmente não conseguia encontrar um motivo pra todas aquelas perguntas, toda a gentileza e disposição que ele tinha comigo. E depois parei de procurar esse motivo. Não me importava. Qualquer motivo fosse, plausivel ou estranho, eu estava sempre bem ao lado dele. Isso bastava pra me fazer querer estar ao lado dele o maior tempo possivel.
O primeiro dia em que eu me adormentei ao lado dele, mais precisamente na cama dele, vendo um filme, abri os olhos jah nos créditos e ele tinha colocado um travesseiro embaixo da minha cabeça, sem que eu percebesse, como costumam fazer com muita habilidade os pais (estranho pensamento). Olhei pra ele e ele me disse: "Ei", e sorriu. Senti meu rosto ferver, de tão vermelha devo ter ficado. Era vergonhoso eu ter dormido. Primeiro porque ele tinha me convidado pra assistir um filme com ele, e eu por mais cansada estivesse, aceitei, porque não existia não aceitar um convite pra passar algumas boas horas ao lado dele. E depois, bem, depois porque eu estava dormindo na cama dele, enrolada nas cobertas dele, com a cabeça apoiada no travesseiro dele, que era assim tão mais velho que eu. Não entendi bem o motivo da minha vergonha, porque no fim das contas eu não fiz de proposito. E eu, que sempre fui muito desenvolta na maioria das situaçoes, me calei, quando percebi que ele também tinha ficado desconcertado.
E mesmo que eu tenha ficado ali por horas dormindo ao lado dele, ele não me tocou, não tentou nada, e nem mesmo dormiu. Assistiu pacientemente o filme, que admito que não era por nada no mundo interessante. Eu gostei da atitude dele. A partir daquele momento supus que podia confiar nele, me sentia protegida. Depois dessa noite se passaram muitas outras, sempre da mesma maneira acanhada, cautelosa. Tentavamos muito frequentemente de não tocar um ao outro. O pensamento de que isso acontecesse me fazia acender a corrente alétrica de antes, ficava tensa, sem saber como me comportar. Aos poucos foi passando. Um dia foi ele quem dormiu, e improvisamente apoiou a cabeça no meu joelho. Meu estomago gelou com o contato. E eu não pude resistir ao toque macio dos seus cabelos. Ele acordou, meio sem saber o que o tinha feito abrir os olhos. O filme tinha acabado, e eu disse que era melhor dormir (eram jah algumas vezes que tinha dormido na casa dele).
Me cobri e disse boa noite. Me adormentei quase imediatamente. Fazia frio e eu me encolhi na cama. E alguns minutos depois acordei com o toque dos seus braços, que me entrelaçavam. "Vi que vc estava com frio". Eu me virei e o encarei. Era tão facil me sentir bem quando olhava dentro daqueles olhos verdes faiscantes. Era tão simples sorrir com o perfume simples que exalava dele. E seria muito dificil resistir ao inevitavel beijo. Assim aconteceu. E quando a sua boca tocou a minha a eletricidade era tão grande que praticamente entrei em curto-circuito. Me deixei levar por aquels beijos doces, aqueles olhares fulminantes e, acima de tudo, pela meneira provocante com que ele me tocava. Não tinha mais porque resistir.
Quando acabou, pude dormir com um sorrisinho sufocado no rosto, certa de que seria a primeira de muitas noites juntos.