quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

"Ouço um disco velho e tudo bem agora/A canção que rola é a que mais demora: tudo bem/Seu amor compensaria minha dor/Meu orgulho eu esqueci de trazer/Provaria que meu peito é uma flor/Ao mostrar a cor do meu prazer/Não arrisco meu pescoço por ti/Já me vale aquilo que aprendi"
[Livre de você - Cascadura]


Eu queria muito aquelas cartas. E sabe o que eu ia fazer?
Eu ia comprar uma pasta grossa, mas bem grossa mesmo (porque no total devem ser mais de quinhentas cartas), organizar cada carta, as minhas e as suas, por ordem de envio. Desde de as primeiras, aquelas duas entregues contemporaneamente naquela sexta, até as ultimas, pesadas de tinta. E ia ser um livro, não ia? Ia ser um livro enorme e lindo, de uma historia cheia de amor e adolescencia.
Mas é mesmo estranho o rumo que a vida toma, han?
Acabou, as cartas que te escrevi não existem mais. Porque não sobrou em voce nenhuma pontinha de tudo aquilo que sobrou em mim, que me fez guardar TODAS as suas cartas e lembranças, te devolver as suas fotos de infancia, porque sei o quanto elas podem significar pra voce.
Enfim, seria burrice minha esperar de voce a mesma consideração. E eu sinto muito, de verdade, porque aqueles pedaços de papel cheios de letras que pra voce se mostraram ser tão insignificantes e indignos de atenção, contavam uma historia que foi essencial pra construção da pessoa que sou hoje.
Eu não sou infantil, sabe, sei que acabou e que não tem o minimo de importancia se voce ainda faz alguma diferença ou não. Não, nada disso faz diferença, porque mesmo se eu te odiasse, ou ainda te amasse, ia querer as cartas do mesmo jeito. Não ignoro meu passado, pelo contrario, gosto das minhas lembranças. São as lembranças as coisas mais importantes que podemos levar conosco. Imagina o quanto seria LINDO pra mim reunir as minhas lembranças de uma época tão importante numa pasta. E agir assim com todas as minhas outras boas historias, com os albuns de amigas, com os albuns de familia. Pra um dia sentar com os meus filhos no chão da sala e dizer: "Olha filha, essa é a mamãe com 16 anos, eu era uma boba apaixonada, olha que gracinha", e riria. E meus filhos ririam e pensariam: "Poxa, olha por quanta coisa minha mãe jah passou."
Eu gosto muito de guardar lembranças.
Enfim.
Não existe mais nada que eu possa fazer pra recuperar essas cartas. Mas a historia por tras delas ainda esta aqui, guardada. Porque um ponto final não pode ser colocado por uma pessoa sozinha. Historias mal-resolvidas machucam.
Mas, depois de tanto tempo, de todo esse distanciamento que eu às vezes agradeço à Deus, quem é que iria querer colocar o maldito do ponto final? Nãão, não eu, que sou assim tão orgulhosa. Não eu, que nem pra minha melhor amiga tinha contado todo esse remanescente. Não eu, que optei pelo silencio e pela distancia pra, junto com o tempo, apagar cada vestigio que ficou.
E quando aparece aquela janelinha com o aviso de um novo recado, parece que acabou o mundo. Eu não quero mais essas janelinhas. Porque voce não sabe o que elas me causam. Voce não sabe o que voce me causou. Voce não sabe de nada.
E eu não quero, definitivamente, que voce saiba, porque não vou ser capaz de enfrentar seu arzinho superior sobre o assunto, e não vou suportar reviver cada merda de sensação de 3 anos passados.
"Optamos" pela distancia, que seja assim.
Voce colocou o ponto final, que seja assim.
Mas não me venha, me faça esse grande favor, tentar puxar assunto ou mandar scraps verdadeiramente desnecessarios. Não tente restabelecer o que foi quebrado. Voce é um desconhecido pra mim, não temos mais nada pra conversar.
Voce não imagina, nem mesmo faz uma misera idéia do que esse tipo de atitude aparentemente inocente pode causar dentro de um coração machucado, de uma auto-estima perdida, de uma alma ferida, de uma mente que nunca vai conseguir entender. E que não quer mais entender nada.

Voce, por mais que tenha participado de uma época maravilhosa da minha vida, causou estragos demais. Não suportaria nem mais uma ferida.

Por favor, mantenha a habitual distancia.

:/

3 comentários:

  1. Boom post!

    Incrível como - você sabe disso - em tantas coisas que vc escreve, às parece que sou eu. Que alguém me leu por dentro e fez um texto sobre mim.
    Mas quando ao conteúdo,já conversamos sobre isso, e como você mesma disse, pontos finais não podem ser colocados por uma pessoa só.

    ;*

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  2. Uau..

    Realmente, eu digo com convicção, que histórias mal-resolvidas são péssimas, e nos deixam mal, muito mal. Entendo e compreendo cada palavra sua, e imagino bem o que vc tá sentindo..

    Lembranças ficam.. talvez pra sempre! Mas a esperança nunca acaba..
    Como vc disse, nossas filhas ainda serão melhores amigas, vamos contar tudo isso a elas e ainda vamos rir de tudo isso.. FELIZES!

    amovocê. saudades :*

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  3. Num mundo globalizado.
    Num mundo de sentimentos
    O que nos resta
    É ter fé,apertar,confirmar
    E deletar.

    ^^/

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