segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Porque, assim, eu sou uma barista, né.
Uma barista seria teoricamente uma pessoa que trabalha num bar. (ããããr)
Mas os bares aqui são diferentes, porque as pessoas frequentadoras de bar são consumadores não especialmente de cerveja, ou pinga, ou grappa, ou whisky, ou essas coisas de teor altamente alcoolico. E não se vai a um bar em Roma pra jogar baralho, sinuca, ou ver uma partida do seu time de futebol. O espirito do bar italiano é: a arte de tomar café. E a barista, além de todas as coisas alcoolicas citadas acima, faz os benditos dos cafés, os capuccinos, e todos os derivados que fazemos na grande e mitica: maquina de café, que é o centro da anteção do bar.
Na verdade, é um trabalho muito legal. Pesado, mas até que interessante.
E ainda tem o mais cuidadoso trabalho da barista: lidar com os clientes. Não é dificil, em soma, lidar com as pessoas que vem e vão. A maioria são clientes habituais, que a gente acaba até fazendo amizade, uns viram mesmo amigos, de sair junto e tudo o mais. O problema, ah, o problema. Vou explicar qual é.
Aqui, meu bem, eu sou mais uma das milhoes de ESTRANGEIRAS. E ponto. Sou estrangeira não importa o que eu diga. E o preconceito aqui é realmente fenomenal.
Vendo a situação pelo lado dos italianos, talvez seja até compreensivel (nunca aceitavel, porém). A Italia é um pais com 59,6 milhões de habitantes. A cidade de Roma é a mais populosa, com 2.718.768 de pessoas. Sendo que, de todos esses, 160 mil pessoas são romenas, 30 mil são ciganas e 70 mil são extra-comunitarias (imigrantes de paises que não fazem parte da união européia. Enfim, todos esses imigrantes não trariam tantos problemas a não ser pelo fato que grande parte é ilegal, e muitos dos casos de roubos, assassinatos, estupros, homicidios, agressão e sequestros são causados exatamente por essas pessoas. Os não-italianos.
Deu pra ter uma idéia?
O problema é mesmo grave, alguns italianos realmente odeiam os estrangeiros. E não costumam fazer restriçoes. Quem é estrangeiro, é estrangeiro e pronto, não existe meio termo, eles generalizam mesmo. Pode ser injusto, mas sinceramente, pra eles o que importa? Somos pessoas vivendo num paìs que não é nosso, trabalhando, muitas vezes, no lugar dos italianos, e cobrando menos pra isso. E, como se isso não bastasse, ainda existem os estrangeiros que saem de seus proprios paìses pra virem comemeter crimes aqui. Roubar pessoas que não tem nada a ver com isso, matar ou estuprar gente que realmente não "cabe" na situação.
Voce não se revoltaria?
Cada dia é uma luta praqueles que estão aqui de boa vontade. Ter que provar todos os dias que eu, por exemplo, não vim aqui pra roubar, matar, fazer mal à ninguém. Muito pelo contrario, vim aqui pra estudar, trabalhar, viver a minha vida como viveria no meu paìs, respeitando as pessoas, a cultura, os costumes de cada um.
E quando a gente ouve de um cliente: "Voce é estrangeira, tem que trabalhar e ficar quieta", que tipo de resposta podemos dar à toda essa ignorancia?
O que eu faço é mesmo ficar quieta. E não por medo, por sentir culpa por não ser italiana, por humilhação. Mas simplesmente porque me ENVERGONHO desse tipo de comportamento humano. Me envergonho do fato de existirem no mundo pessoas que matam, roubam, estupram, violentam e mal-tratam. E na mesma medida me envergonho pelas pessoas que humilham, julgam, violentam e mal-tratam verbalmente, e acima de tudo, usam a ignorancia como arma pra se proteger dos comportamentos que não aceitam.
O ser-humano é um bicho estranho.
E às vezes eu me envergonho por pertencer à essa raça.

3 comentários:

  1. carolzinha :*

    ai mano, que saudade de você!
    vontade de conversar ë de dar um abraço de uuuurso :D

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  2. toda vez que eu vejo nos programas de tv aquelas coisas falando que os italianos têm relação amistosa e são totalmente receptivos com os imigrantes brasileiros, eu me lembro das coisas que vc escreve. ¬¬
    como vc mesma disse, compreensível, mas nunca aceitável.

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  3. Infelizmente não tem como não se envergonhar de algo tão baixo. E nem dá pra qualificar qual o pior... Se o preconceito ou os imigrantes desalmados.

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